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Entre 06 de maio e 05 de junho os muçulmanos celebram o Ramadã, mês em que o Alcorão (livro sagrado) foi revelado ao profeta Muhammad

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Salah e Mané, jogadores do Liverpool, são muçulmanos e aderem ao Ramadã

Desde o dia 06 de maio mais de 1,6 bilhões de pessoas (de acordo com os números do último Censo de 2010) celebram o Ramadã, mês sagrado para a população muçulmana. Entre eles, Mohammed Salah, Sadio Mané e Xherdan Shaqiri, atletas do Liverpool e que disputam a final da Liga dos Campeões, contra o Tottenham, no próximo sábado (01).

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Para quem desconhece a cultura islâmica, o Ramadã é um período de 30 dias em que os muçulmanos fazem jejum do nascer ao pôr do sol para celebrar a revelação do Alcorão, livro sagrado do Islã, ao profeta Muhammad.

“[Ramadã] É um tempo para redobrar práticas de caridade, confraternizar com a família e a comunidade, além de dedicar-se mais às orações”, explica o vice-presidente da FAMBRAS – Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, Ali Zoghbi.

Ser atleta e aderir ao Ramadã é um procedimento delicado. No ano passado o tema ficou em evidência pela chegada do Liverpool à final da Champions e pela disputa da Copa da Rússia, em que várias seleções islâmicas disputaram o torneio durante o mês sagrado.

Nesta temporada a história se repete e o Liverpool terá três atletas de jejum no dia da partida, já que o Ramadã termina apenas no dia 05 de junho. E para entender os efeitos dessa prática nos atletas, o iG Esporte conversou com dois médicos especialistas na área.

“O jejum por si só não é problemático, o ser humano consegue ficar alguns dias sem se alimentar sem problemas e sem prejudicar o organismo. O problema é ficar sem beber líquido. O atleta, como tem gasto hídrico e de eletrólitos, acaba perdendo líquido e desidratando muito rápido”, conta o nutricionista da clínica Mais Excelência Médica, Carlos Basualdo.

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Por essa condição especial, os atletas muçulmanos entram numa categoria de ‘liberados do Ramadã’, assim como viajantes, mulheres grávidas, mães que estejam amamentando, crianças, idosos e pessoas doentes. Todos eles podem realizar o período de jejum em outra época do ano, para que não seja prejudicada sua saúde.

“A desidratação mais acentuada gera alterações do estado de alerta e cognição dos atletas, como perda de concentração durante os treinos e jogos, e pode aumentar os riscos de lesões musculares e entorses no futebol, por exemplo. A falta de uma dieta adequada diminui acentuadamente os níveis de glicose sanguínea e fluídos corpóreos em atletas, gerando fadiga precoce e consequentemente queda da performance”, explica o médico ortopedista, Flávio Cruz, que reside no Qatar e já tratou atletas muçulmanos.

A lesão de Salah na final do ano passado foi associada ao Ramadã, porém o egípcio tinha interrompido seu jejum dois dias antes da final da Champions . Já seu companheiro, Mané, manteve-se firme, comeu faltando poucas horas para o jogo e marcou o único gol da equipe inglesa na partida.

Como se manter em forma no Ramadã?

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O Ramadã acontece no nono mês do calendário islâmico

Para que os atletas profissionais não tenham problemas graves durante o Ramadã são importantes alguns cuidados, como diz o Dr. Flávio Cruz. “Manter-se hidratado, com uma alimentação o mais saudável possível e uma boa qualidade de sono são as orientações recomendadas aos atletas muçulmanos”.

Se as recomendações não forem seguidas, o desempenho pode cair. “Existem estudos com atletas dentro e fora do jejum para o Ramadã. Quem optou pelo jejum e não ingeriu líquido teve menor desempenho do que aqueles que quebraram só com os líquidos. Durante o jejum, o mais importante é a ingestão de líquidos”, comenta o Dr. Basualdo.

Ter uma comunicação entre atleta e comissão técnica também é essencial para o bom rendimento. “Quanto maior a sinergia, melhor a individualização dos treinos, e assim o treinador consegue ter o feedback do atleta sobre dieta, hidratação, sono, carga de trabalho, recuperação, humor, motivação, enfim, todos os fatores que influenciam a performance. Essa atenção ajuda, com certeza, a reduzir o risco de lesões ”, diz Flávio Cruz.

“Dormir de 7 a 9 horas por dia, tirar algumas sonecas, beber água em menor quantidade e maior frequência (300 ml a cada 20 a 30 minutos), ingerir alimentos sólidos com pequena quantidade de sal e dar preferência aos macronutrientes como carboidratos, proteínas, gorduras e nutrientes, auxiliam a otimizar a performance”, finalizou o Dr. Cruz.

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Confira os nomes das refeições feitas durante o Ramadã

  • Suhoor (antes do sol nascer) – uma refeição saudável e poderosa;
  • Sunnah (prática de quebra de jejum) – tâmaras e água;
  • Iftar (quando o sol se põe) – é comum o consumo de gorduras, frituras e doces;
  • Eid al-Fitr (Festival da Quebra de Jejum) – neste dia os muçulmanos terminam o Ramadã.