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O clube afirmou que seu objetivo é "dar voz a uma Itália multiétnica que já existe e que é objeto de discriminação e racismo"

A jogadora foi demitida de seu clube por apoiar partido ultranacionalista da Itália
Reprodução
A jogadora foi demitida de seu clube por apoiar partido ultranacionalista da Itália

A jogadora de futebol Titty Astarita , da equipe feminina do clube Afro-Napoli United , foi demitida nesta segunda-feira (15), após anunciar sua candidatura a vereadora em Marano, nos arredores de Nápoles, por uma lista independente que apoia o partido ultranacionalista Liga, do ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini .

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A jogadora de 26 anos, disse ter ficado "sem palavras" e se defendeu alegando que não possui o mesmo ideal político do partido ultranacionalista e de Salvini.

"Quando me disseram que eu tinha de escolher, fiquei sem palavras, candidatei-me em uma lista cívica, não me uni às políticas de Salvini e não faria uma selfie com ele", afirmou Astarita, em entrevista à ANSA.

Em nota, o clube afirmou ter nascido de "um projeto de inclusão" e que defende a integração de imigrantes através do futebol. O Afro-Napoli United ainda disse que seu objetivo é "dar voz a uma Itália multiétnica que já existe e que é objeto de discriminação e racismo".

"Somos obrigados a comunicar que, após a escolha da capitã da nossa equipe feminina, Titty Astarita, de concorrer nas eleições municipais de Marano com uma lista cívica aliada a Salvini, não formalizaremos sua inscrição para o campeonato regional C1 da Campânia", acrescentou o clube.

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Em uma mensagem no Twitter, o ministro do Interior, que fechou os portos do país para migrantes resgatados no mar, pediu para se manter "a política fora do esporte".

Astarita revelou que entenderia se perdesse a faixa de capitã da equipe, mas que não esperava um pedido de retirada da candidatura para permancer no clube.

"Eu teria entendido se eles me pedissem para devolver a faixa de capitã, mas eu não esperava que eles me pedissem para retirar a candidatura para ficar no clube", disse a atleta. 

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"Após a decisão de me retirar da equipe, me senti muito mal, chorei. Eu sonhava com o futebol desde que era criança e, quando entro em campo, sinto que tenho 12 anos. Eu estava bem no Afro-Napoli e acredito em muitos dos valores que eles trabalham, mas eu nunca imaginaria que seria discriminada", revelou Astarita, que ficou sem clube após apoiar partido ultranacionalista .

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