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O terrorismo abalou as Olimpíadas de 1972. Atentado do grupo palestino Setembro Negro causou morte de 11 atletas israelenses, após 18 h de tensão

Um dos terroristas do Setembro Negro, grupo responsável pelo Massacre de Munique
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Um dos terroristas do Setembro Negro, grupo responsável pelo Massacre de Munique

Eles fizeram de tudo para embelezar sua imagem quanto podiam, mas realmente os alemães não dão sorte com essa coisa de receber Jogos Olímpicos. Quando a Olimpíada alemã não fica marcada com o nazismo – como Berlim 1936 – , é com o terrorismo. Uma das brigas mais antigas da história do planeta teve um de seus capítulos cruciais em Munique 1972 , conhecido como Massacre de Munique. Nunca tanta gente no mundo havia voltado os olhos para os Jogos Olímpicos, gostasse de esporte ou não.

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Nem o comitê organizador conseguia acreditar em quanto as coisas vinham correndo bem. Antes do Massacre de Munique , aqueles que foram anunciados para o mundo como “os Jogos felizes” bateram todos os recordes de participação, com mais de 7 mil atletas de 121 países disputando 195 provas – várias delas num espetacular parque olímpico. Pela primeira vez a competição tinha um mascote: o cachorro Waldi, um dachsund (cientificamente conhecido como “salsicha”, ou ainda “Cofap”).

Foi assim mesmo, plácida e grandiosa, que a Olimpíada viveu seus primeiros dez dias, até fechar os olhos e esperar 5 de setembro chegar. Naquela madrugada, oito terroristas palestinos do grupo Setembro Negro invadiram a Vila Olímpica e tomaram como reféns 11 membros da delegação israelense. Durante 18 horas de tensão, dois dos atletas foram mortos ali mesmo.

Policiais observam dois helicópteros destruídos após o tiroteio entre policiais e terroristas
Reprodução
Policiais observam dois helicópteros destruídos após o tiroteio entre policiais e terroristas

Uma duvidosa operação da polícia alemã resultou na transferência do grupo até um aeroporto, onde supostamente os seqüestradores rumariam para algum país árabe. Mas era uma emboscada: os policiais abriram fogo contra os terroristas, que por sua vez mataram os outros oito atletas de Israel. Saldo final: morreram todos menos um dos palestinos, Jamal Al-Gashey, foragido até hoje. Os Jogos Olímpicos – e sua segurança, e seu valor político, e a filmografia de Steven Spielberg – não seriam nunca mais os mesmos depois do massacre. 

O desastre todo suspendeu a Olimpíada durante 34 horas, até o dia seguinte à matança, quando 80 mil pessoas se juntaram no estádio olímpico para lembrar os mortos. Lá, ouviram a frase de Avery Brundage, presidente do COI, que solidificava a posição do movimento olímpico diante do que quer que viesse: “Os Jogos têm que continuar”. Apesar.

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Memorial para homenagear vítimas

2017 marca 45 anos de uma das maiores tragédias terroristas dentro do esporte mundial. Até por isso, um memorial permanente em homenagem aos  11 atletas israelenses assassinados foi inaugurado na própria cidade alemã, numa campanha de décadas organizada por parentes de vítimas do massacre.

Memorial em homenagem às vítimas do Massacre de Munique
Divulgação
Memorial em homenagem às vítimas do Massacre de Munique

"Agora estamos muitos felizes e satisfeitos", disse Ankie Spitzer, mulher de Andrei Spitzer, treinador de esgrima que foi uma das vítimas. "Foram necessários 45 anos para esse reconhecimento. Mas, como eu digo aos meus filhos, se você tiver um sonho, vá atrás dele até o fim", completou. 

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O memorial consiste em uma grande área de exposição de 500 metros quadrados, esculpida em um gramado e criando o efeito de uma ferida aberta. O local da lembrança do Massacre de Munique tem uma coluna triangular no centro com os perfis biográficos e fotos de cada uma das vítimas. Uma grande tela de LED transmite, em "loop", cerca de 27 minutos de notícias da época, durante os trágicos acontecimentos de 1972.

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