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Mestre Ademir da Costa fundou seu próprio estilo de caratê em meados dos anos 90 e atualmente está presente em seis países

Mestre Ademir da Costa, fundador da Seiwakai, organização de caratê
Site oficial
Mestre Ademir da Costa, fundador da Seiwakai, organização de caratê

O caratê é uma arte marcial japonesa milenar que estará presente nos Jogos Olímpicos pela primeira vez na história em 2020, em Tóquio, e uma das organizações mais respeitadas do mundo é a do mestre brasileiro Ademir da Costa : a Seiwakai. O estilo foi criado em 1996 e é considerado bem agressivo, que tem como principal objetivo o nocaute.

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A Organização Internacional de Karatê de Combate Seiwakai está presente, atualmente, em seis países: Brasil, Uruguai, Chile, Bolívia, Rússia e Kuwait.

Em bate-papo exlusivo com o iG, o mestre Ademir da Costa fala um pouco sobre a sua técnica. "Meu estilo é muito família, grupo unido, todos trabalhando em conjunto. Para entrar na minha organização, as pessoas precisam fazer por merecer. Precisa ter técnica mínima para me representar, sou muito rigoroso nisso, porque é minha filosofia, minha regra", contou.

"Ensino as técnicas de combate Ademir da Costa, bem famosa no Japão, meus chutes diferentes. Sou muito exigente. Hoje a arte marcial está prostituída, as pessoas compram faixas, as organizações vendem faixas para ganhar dinheiro, e para mim isso não existe. Hoje todos me respeitam porque a Seiwakai é uma escola e o principal objetivo é formar o caráter do indivíduo", completou Ademir.

Aos 57 anos de idade, o brasileiro admite que o principal na sua organização é a formação do indivídio, trabalhando o lado psicológico da pessoa. "Se você ensina a luta e os golpes sem ensinar a humildade, respeito, disciplina e filosofia, vira um lutador que sai para brigar fora do esporte. A parte psicológica é o mais importante".

Antes do Seiwakai

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Mestre Ademir da Costa, fundador da Seiwakai, organização de caratê

Tudo começou quando Ademir tinha apenas 13 anos de idade. Ele entrou para o mundo do caratê para aprender algumas técnicas de defesa e acabou se apaixonando pela modalidade, que logo se tornaria a sua razão de viver.

"Naquela época eu estudava em escola pública e já existia o que hoje chamam de bullying. Aí tinha essa vontade de aprender a me defender. Mas quando entrei para esse esporte, conheci um novo mundo, uma filosofia de vida, perdi aquela insegurança, o medo e aquilo acabou virando a minha segunda família", contou.

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"Os campeonatos foram acontecendo, fui ganhando. Com 16 anos participei do Campeonato Brasileiro, só com faixas pretas e eu era faixa verde ainda. fiquei em segundo lugar vencendo atletas extremamente mais fortes. E a partir dali minha vida mudou, porque o mestre Masutatsu Oyama estava lá, ficou impressionado comigo e já fui promovido à faixa preta. Depois de dois anos fui morar no Japão", lembrou Ademir.

Cinco vezes campeão brasileiro de forma consecutiva, quatro vezes campeão sul-americano e campeão nipo-brasileiro, o mestre se viu obrigado a criar sua própria organização após a morte de Oyama, em 1994.

"Com a morte do fundador cheguei a ficar desanimado, acabei perdendo o foco e acabei saindo da organização. Mas com isso veio um grupo de pessoas que estavam lá por minha causa e eu tive que acabar criando o meu estilo, o Seiwakai, que em japonês significa o equilibrio entre a força e a harmonia espiritual do grupo".

Campeonato dos 21 anos de Seiwakai

Para celebrar as mais de duas décadas do seu estilo de caratê, o mestre Ademir da Costa vai promover no próximo sábado, dia 27 de outubro, na cidade de São Paulo, o campeonato internacional apenas com membros da sua organização.

"É a celebração de 21 anos de fundação da Seiwakai e esse evento é para atletas do meu estilo, da minha organização. É uma festa para celebrar as duas décadas, gente do exterior, da Rússia, Kuwait, Chile.  Com crianças de cinco anos até outros mais velhos, de 50, 55 anos, na categoria veteranos", disse o atleta.

Apesar de ser um evento com a chancela da Scretaria de Esportes de São Paulo, Ademir fez duras críticas ao governo municipal.

"Todo apoio é privado, a Prefeitura apenas nos isentou do aluguel do ginásio. Toda verba do evento, para receber os atletas, hoteis, alimentação, equipamentos e montagem é tudo iniciativa privada. Infelizmente, porque eu esperava um apoio maior do governo", contou.

Lutadores da Seiwakai, organização de caratê
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Lutadores da Seiwakai, organização de caratê

"A subprefeitura prometeu nos dar tatame, ringue, som, iluminação e outras coisas, e que nos daria um abatimento grande no custo. Em troca disso exigiram que a entrada fosse franca. E na véspera do campeonato disseram que não podiam porque a verba estava limitada por conta da campanha política. Então não pude cobrar ingresso e não ganhei nada do que prometeram".

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"Isso é o Brasil. É a política do nosso país, infelizmente", lamentou Ademir. "Aqui para você crescer precisa vender sua alma para o diabo. Já me ofereceram verba para fazer lavagem de dinheiro, mas nunca aceitei esse tipo de coisa. O trabalho da minha vida seria jogado na lata do lixo. Todos os campeonatos que eu faço são apoiados por iniciativa privada", finalizou.

O campeonato internacinal de caratê Seiwakai acontece a partir das 14h do próximo sábado, dia 27 de outubro, no Ginásio do Pelezão, no bairro da Lapa, em São Paulo. A entrada é gratuita e o evento também contará com lutas de kickboxing.

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