Quase cinco meses depois, a Champions League volta em sua versão mais imprevisível e atípica. Nesta sexta-feira e no sábado, quatro jogos definem os últimos classificados para as quartas de final . E a partir da próxima quarta-feira, oito times, todos eles confinados em Lisboa , fazem duelos eliminatórios que conduzirão à final do dia 23. Estádios vazios, jogos sem mando de campo e 90 minutos de vida ou morte parecem, como nunca, igualar possibilidades.

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Reprodução/Twitter UEFA Champions League
Champions está de volta


Nesta sexta-feira, a Juventus de Cristiano Ronaldo tenta a virada após perder para o Lyon, na França, por 1 a 0 (transmissão pelo Facebook). Já o Real Madrid vai a Manchester tentar devolver a derrota sofrida em casa por 2 a 1 (transmissão da TNT). No sábado, Bayern de Munique x Chelsea e Barcelona x Napoli fecham as oitavas, ultima fase com jogos na casa dos mandantes, já que as partidas de ida haviam sido disputadas antes da paralisação pela pandemia. Todos os jogos das oitavas serão às 16h (de Brasília).

Como se não bastasse a camisa pesada do Real Madrid, a ambição de grandeza do City e o duelo entre Zidane e Guardiola, o jogo de Manchester opõe Karim Benzema e Kevin de Bruyne: duas características distintas, mas dois jogadores que têm em comum a incrível capacidade de influenciar em diversas fases no jogo. De um lado, Benzema é o protótipo do “novo camisa 9”, centro das ações ofensivas, tão criador quanto finalizador. Do outro, o exemplo do meio-campista total que o futebol atual consagra. Talvez ninguém cumpra tais requisitos, hoje, com o brilho de Kevin de Bruyne.

Os números do belga impressionam por representar a multiplicidade de funções que executa. Nesta temporada, Guardiola o manteve como o meia que se posiciona mais à direita. No entanto, passou a ser habitual ver De Bruyne recebendo a bola junto ao volante, o que não o impediu de se aproximar da área para o último passe ou um de seus letais cruzamentos. Em outros momentos, inverte posição com o ponta pela direita e busca a lateral da área, sem contar as infiltrações entre lateral e zagueiro para tentar o gol.

De Bruyne ampliou sua área de atuação no campo, por vezes até frequentando o lado esquerdo. Talvez a peça mais solta num sistema de jogo que pretende ver zonas específicas do campo ocupadas ao atacar. O resultado é que o mesmo jogador que marcou 15 gols e deu 21 assistências na temporada, também recupera cinco bolas por jogo.

— Neste momento, na posição de meio-campista, ele é o melhor do mundo — disse Guardiola recentemente sobre o belga que, aos 29 anos, é o recordista de assistências dentre as cinco principais ligas da Europa e só perde para Messi no quesito passes em profundidade.

Do outro lado, há o fator Benzema. Faz algum tempo que a função do “camisa 9” se modifica. Mais do que o último toque, ganham os holofotes os centroavantes que são preparadores de jogadas. Do centro do ataque para as imediações da área, o francês de 32 anos parece dominar o terreno como poucos, buscando especialmente o lado esquerdo: parece farejar espaços que ele próprio ocupa, enquanto abre buracos para companheiros se aproximarem do gol.

— Não estou interessado em um número 9 que marca um gol e depois desaparece. E Benzema não é assim — afirmou Zidane, que não terá o suspenso Sergio Ramos.

— Se quisermos ser campeões europeus, precisamos vencer times como o Real — disse Guardiola.

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