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Bruce Grobbelar, foi soldado na guerra de independência do Zimbábue e revelou os traumas deixados pela guerra e como o esporte o ajudou

O ex-goleiro do Liverpool afirmou não saber quantas pessoas já matou
REPRODUÇÃO / THE GUARDIAN
O ex-goleiro do Liverpool afirmou não saber quantas pessoas já matou

O ex-goleiro do Liverpool, Bruce Grobbelar , de 60 anos, revelou detalhes de seu “passado assassino” em entrevista ao jornal britânico “The Guardian”.

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As revelações do ex-goleiro do Liverpool foram sobre o período em que foi soldado no exército da Rodésia, na guerra pela independência do Zimbábue. Grobbelaar contou que não sabe quantas pessoas matou, mas que foram muitas.

“Quantas pessoas matei? Não sei dizer. Se foram muitas? Sim. Por isso é que procurei viver a minha vida no presente. Só posso dizer que estou arrependido pelo que fiz. Não posso mudar o passado”, disse o ex-jogador.

Indo um pouco além em suas recordações, Grobbelaar contou com detalhes a história da noite em que matou um homem pela primeira vez.

“Foi ao anoitecer. Quando o sol está se pondo, começa a ver sombras nos arbustos. Não consegue ver muito até ver o branco dos olhos. É você ou ele. Dispara e se esconde. E você ouve o som de disparos. Ouves vozes do teu lado: ‘Ei, fui atingido.’ Assobia para que eles se calem ou então nos arriscamos a morrer. Quando acaba o tiroteio, vemos corpos por todo o lado. Na primeira vez, tudo o que tens no estômago te vem à boca”.

Ex-goleiro do Liverpool presenciou tragédia

O ex-goleiro do Liverpool em ação pelos ingleses
Reprodução / Getty Images
O ex-goleiro do Liverpool em ação pelos ingleses

Lançando sua autobiografia “Life in a Jungle”, ou “A vida em uma selva”, em tradução livre para o português, o ex-jogador conta como as lembranças da guerra o perturbaram e a importância do esporte.

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“O esporte me afastou dos pensamentos negros sobre a guerra”, afirmou Grobbelaar.

Em 1985, quando já jogava pelo Liverpool, o ex-jogador passou por outro evento traumático na final da Liga dos Campeões daquele ano entre Juventus e Liverpool, quando 39 pessoas morreram durante uma confusão envolvendo os Hooligans.

A queda da grade de uma bancada onde estavam os italianos provocou a maioria das perdas, e Grobbelaar conta o que sentiu, no dia que é lembrado como a " Tragédia de Heysel ".

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“Foi pior do que a guerra. No mato, você sabia o que podia acontecer. Em Heysel, era gente inocente. Foi horrível ouvir os corpos a caindo”, recordou o ex-goleiro do Liverpool .

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