
O São Paulo se diz "vítima e informou que vai contribuir com as investigações" sobre o suposto esquema clandestino de venda do camarote do Morumbis. O caso ganhou mais um capítulo, na manhã desta quarta-feira (21), depois que a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão na casa dos envolvidos. A informação foi divulgada inicialmente pelo Ge e confirmada pelo Portal iG.
Os alvos da operação foram Douglas Schwartzmann, ex-diretor adjunto das categorias de base; Mara Casares, esposa de Julio Casares, presidente afastado do cargo, que responde ao processo de impeachment no São Paulo; e empresária Rita de Cassia Adriana Prado, que teria sido a intermediária da negociação ilegal e pivô do escândalo.

Entenda o caso
O caso foi revelado em dezembro do ano passado pelo Ge. A reportagem teve acesso a uma gravação que mostra uma conversa entre os três citados na investigação sobre um impasse ocorrido após um show da cantora Shakira no estádio.
Mara e Douglas tentam dissuadir Rita de Cássia Adriana Prado a encerrar uma ação judicial que movia contra uma promotora de eventos que ajudou no suposto esquema clandestino. No áudio de aproximadamente 40 minutos, Douglas Schwartzmann reforça que o processo iria expôr os envolvidos e cita o CEO do clube Márcio Carlomagno. “Teve negócio aí que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou, mas foi feito tudo na confiança”, diz o ex-diretor da base para Adriana.
Diante da denúncia, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu a abertura de um inquérito policial. Segundo o MPSP, estão sendo apurados possíveis crimes de corrupção privada no esporte e coação no curso do processo.
Na véspera da votação que afastou Júlio Casares da presidência do São Paulo, o assunto do camarote voltou à tona. A pivô do escândalo revelou que vendeu o áudio obtido sobre o suposto esquema para membros da oposição do clube.
A reportagem do Portal iG entrou em contato com a defesa de Mara Casares e Douglas Schwartzmann, mas ainda não teve retorno. Os advogados de Rita de Cássia Adriana Prado não foram localizados.

Força-tarefa
Além do caso do camarote, o São Paulo é alvo de outras investigações no âmbito criminal e civil. O Ministério Público precisou estabelecer uma força-tarefa para apurar todos os possíveis delitos.
Além dos conselheiros e ex-diretores do clube, o presidente afastado Júlio Casares também é alvo de investigações da Polícia Civil. Ele responde por um caso que apura depósitos de até R$ 1,5 milhão nas contas do mandatário Tricolor durante a sua gestão. A defesa de Casares informou que a origem dos valores seria relacionada aos ganhos do presidente enquanto trabalha em atividades profissionais anteriores ao cargo.
A polícia também apura o suposto desvio de R$ 11 milhões dos cofres do Tricolor no período entre 2023 e 2025.