O Conselho do São Paulo
decidiu adiar em dois dias a votação que definirá o possível afastamento de Julio Casares
da presidência do clube. A reunião acontecerá presencialmente no Morumbis, na sexta-feira (16), às 18h30.
Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, comunicou também a alteração na contagem de votos para o possível impeachment de Casares.
Atendendo a um pedido da defesa do dirigente, agora serão necessários 75% de votos favoráveis para que ocorra o afastamento do mandatário. A mudança ocorre com base no Artigo 58 do Estatuto Social tricolor.
Com o novo requisito, para que Julio Casares seja retirado do comando do São Paulo, será necessário que 191 dos 255 conselheiros votem favoraveis à decisão.
Neste caso, Olten Ayres convocará uma nova Assembleia Geral em até 30 dias, enquanto o vice-presidente Harry Massis Junior, de 80 anos, dirigiria de maneira interina a presidência até a votação dos sócios do clube para o possível afastamento definitivo de Casares - que pode ser decidido por maioria simples, em nova reunião.
Nesta situação, Harry Massis Junior se tornaria o presidente do São Paulo até dezembro de 2026, quando nova eleição acontecerá para a sucessão do cargo.
Cabe ressaltar que Julio Casares lida com denuncias sobre má gestão orçamentária, venda de atletas abaixo do valor de mercado e uso ilegal de camarotes no Morumbis.
Denúncias graves
A reunião do Conselho estava prevista para acontecer na última terça-feira, antes mesmo da divulgação de uma reportagem do portal Uol, que revelou movimentações financeiras atípicas na conta de Júlio Casares e do próprio São Paulo entre os anos de 2023 e 2025.
De acordo com a publicação, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) , durante o período, depósitos na conta de Casares totalizaram o valor de R$ 1,5 milhão e aconteceram em valores pequenos. Segundo a investigação, foram registrados casos de até 12 operações fracionadas no mesmo dia, somando R$ 49 mil.
Tendo em vista que o limite para que o Coaf seja notificado automaticamente é de R$ 50 mil, a situação caracteriza o que o órgão chama de "smurfing", técnica usada para burlar sistemas de investigação.
Além das supostas irregularidades financeiras nas contas de Casares, também foram identificados 35 saques nas contas do clube, totalizando R$ 11 milhões. Por meio de uma nota divulgada nas redes sociais, o presidente do São Paulo negou a acusação.
Nas redes sociais, torcedores comuns e as principais organizadas pediram a renúncia do presidente ao longo do dia.