
Em final de Copa do Mundo, em jogo decisivo de eliminatórias do maior torneio do futebol, ou em partida que vai tirar um grande time da Copa do Brasil e o rival vai seguir adiante. Em todas essas situações, podem acontecer - ou melhor, aconteceram - lances parecidos com o de Calleri, na estreia do São Paulo no Campeonato Brasileiro, neste sábado (30), quando, aos 2 minutos de partida, o atacante ''isolou'' a bola, em uma cobrança de pênalti . A chance desperdiçada - para bem longe - fez toda diferença no placar: 0 a 0.
Pênalti isolado, tetra garantido
Em 1994, não havia lances viralizando nas redes sociais, muito menos memes. Se a internet estivesse presente nas nossas vidas, como hoje, o pênalti batido pelo italiano Roberto Baggio contra o Brasil, na final da Copa do Mundo, nos Estados Unidos, ocuparia os top trends facilmente. E a exemplo de Calleri, o craque da Azzurra também tentou deslocar o goleiro num chute alto. Mas mais alto do que o necessário.
Depois de um zero a zero no tempo normal, a decisão foi para as batidas da marca da cal. Além do calor de quase 40 graus e da pressão de uma final, havia outro fator para o jogador que poderia desequilibrar as coisas a favor da Itália. Baggio vinha de problemas físicos e por pouco não ficou de fora da final. Chegou à decisão de pênaltis visivelmente cansado.
Romário, Branco e Dunga não desperdiçaram pelo Brasil, enquanto Taffarel pegou a cobrança de Massaro. O título aguardado desde 1970 veio dos pés de Baggio. Foi Taffarel para um lado, bola para ''muito outro''. Não acertou nem a trave.
Em entrevistas anos depois, o jogador revelou classificar o chute como o maior erro da carreira e que tinha dificuldades para aceitar. Em uma das oportunidades em que comentou o lance, afirmou para a Sportsweek ter sido "algo que não se apaga". E admitiu que o senho de criança de ganhar uma Copa terminou da única forma que não imaginava. ''Não sabem quanto sonhei em disputar a final, fazer gol e vencer. E o trem do desejo passou ao contrário".
Mais alto ainda
Considerando a altura que a bola alcançou, um dos pênaltis mais ''isolados'' que se tem notícia foi o de Neymar, também nos Estados Unidos, 18 anos depois, em um jogo bem menos importante.
Era um amistoso da Seleção Brasileira contra a Colômbia. Comandada por Mano Menezes, a seleção tinha Oscar, Kaká e Daniel Alves no elenco.
Neymar havia empatado a partida em 1 a 1, com um golaço. Daniel Alves sofreu o pênalti que gerou a oportunidade do desempate, mas Neymar bateu muito fora da meta, bem distante do travessão.
Laser e isolamento
Craque por craque, guardadas as proporções, o egípcio Salah também carregava o peso de ser o principal nome da seleção de seu país. E ainda carregava a responsabilidade de tentar levar o Egito para a Copa do Mundo de 2022.
O jogo decisivo contra Senegal também foi para as cobranças entre jogador, goleiro e mais ninguém. E o que viria a ser outro chute distante do gol, de novo protagonizado por um jogador importante, contou com um ingrediente a mais, segundos antes.
Enquanto se preparava para a batida, Salah teve o rosto todo coberto por feixes de laser vindos da torcida. O atacante do Liverpool respirou fundo, não demonstrando incômodo com as luzes, mas calibrou errado o chute e não conseguiu acertar nem o gol.
Os lasers resultaram em punição da Fifa contra Senegal, mas o que ficou mais marcado desse jogo foi o chute de Salah e a eliminação do Egito.
Veiga x pênaltis
Segundo o site oficial do Palmeiras, Raphael Veiga é o maior artilheiro do clube no século e o que mais fez gols no Allianz Parque (52), figurando no top 20 de maiores artilheiros da história do time.
Sobre pênaltis cobrados por Veiga, o portal informa que ele ''é o jogador que mais fez gols de pênalti no tempo regulamentar pelo Verdão neste século: 37 no total''.
Ainda que as estatísticas impressionem, em alguns momentos cruciais, por terem sido contra dois grandes rivais, Veiga não converteu a penalidade. E em uma delas, ''copiou'' Calleri, Baggio, Salah e Neymar.
Mais recentemente, na decisão do Campeonato Paulista de 2025, contra o Corinthians, o goleiro Hugo fez a parte dele.
Na semifinal da Copa do Brasil de 2022, Rafael, goleiro do São Paulo, não precisou nem se preocupar em tentar tocar na bola. A partida eliminatória estava em 2 a 0 para o Palmeiras, quando o pênalti marcado contra o tricolor poderia praticamente decidir o confronto, se Veiga convertesse.
O jogador, no entanto, chutou muito para o alto, ainda viu o adversário diminuir o placar pouco depois e ganhar na decisão das penalidades, que ele, Veiga, também não conseguiu concluir após a defesa de Rafael.
Veja os pênaltis perdidos: