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O STJD puniu o clube mineiro pelos cantos entoados por alguns torcedores no clássico contra o Cruzeiro, em 16 de setembro. Clube pode recorrer

Torcida do Atlético no jogo contra o Cruzeiro
Agência Estado
Torcida do Atlético no jogo contra o Cruzeiro

Na última sexta-feira (29), o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) multou o Atlético-MG em R$ 5 mil pelo canto homofóbico entoado pela torcida do clube no clássico contra o Cruzeiro, no dia 16 de setembro. O clube pode recorrer da decisão.

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A acusão do STJD contra o Atlético-MG teve como base o artigo 191 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata das infrações relativas à Administração Desportiva, às Competições e à Justiça Desportiva. Tendo multa prevista entre R$ 100 a R$ 100mil.  

Segundo a Procuradoria de Justiça Desportiva, “a torcida é parte indissociável dos clubes, sendo deste a responsabilidade pelas atitudes tipificáveis perpetradas por aquela”. O auditor José Nascimento, sugeriu o valor de R$ 5 mil como punição e sua decisão foi acatada.

O caso também está enquadrado no Capítulo IV do Estatuto do Torcedor que dispõe de segurança aos torcedores partícipes de evento esportivo, e que repudia o ato de entoar cânticos discriminatórios, racistas ou xenófobos.

Relembrando o caso: no intervalo do clássico mineiro, parte dos torcedores do Atlético entoaram cânticos discriminatórios contra o rival “ô cruzeirense, toma cuidado, o Bolsonaro vai matar veado”, dizia a música. O canto cita o candidato a presidente da república, Jair Bolsonaro, do PSL.

A diretoria do Atlético Mineiro repudiu o ano e publicou uma nota oficial com um pedido de desculpas em suas redes sociais.

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"O CAM lamenta profundamente as manifestações homofóbicas de parte dos torcedores, no jogo deste domingo, no Mineirão. Reiteramos nosso repúdio a quaisquer gestos de preconceito ou de incitação à violência. A maior torcida de Minas é composta por pessoas de todas as classes sociais, raças e gêneros, não cabendo qualquer tipo de discriminação. Isso não faz parte da nossa gloriosa história" dizia o comunicado.

Casos parecidos com o do Atlético-MG

Torcida do São Paulo entoou cantos homofóbicos em clássico contra Corinthians, assim como a torcida do Atlético
Reprodução/Youtube
Torcida do São Paulo entoou cantos homofóbicos em clássico contra Corinthians, assim como a torcida do Atlético

Em setembro de 2014, o clássico entre Corinthians e São Paulo também foi alvo da Procuradoria do STJD pelos cânticos da torcida visitante do tricolor paulista. Um inquérito foi aberto, mas não houve prosseguimento. Abaixo, o trecho da música entoada no estádio:

 "Gambá, me diz como se sente/ Por que você gosta de beijar?/ Ronaldo saiu com dois travecos/ O Sheik, selinho ele foi dar/ Vampeta posou para a G/ Dinei desmunhecou/ Na Fazenda de calcinha ele dançou/ Não adianta argumentar/ Todo o mundo já falou/ Que o gavião virou um beija-flor”.

Em julho de 2017, o  Paysandu foi julgado pelo STJD porque alguns integrantes da organizada Terror Bicolor, agrediram torcedores do Luverdense, do grupo Banda Alma Celeste, ala favorável à causa LGBT. O clube do Paysandu foi absolvido na ocasião e pagou apenas uma multa de R$ 5 mil pela confusão na arquibancada.

A Fifa já puniu financeiramente a Confederação Brasileira de Futebol seguidas vezes pelas atitudes homofóbicas de torcedores em jogos da Seleção Brasileira, semelhantes ao ato da torcida do Atlético-MG . O mesmo critério foi usado para torcidas da Argentina, Panamá, Chile, Hungria, Equador e México.

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