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Defensor brasileiro passou fome durante ascensão no futebol e vingou a mais de dois mil quilômetros de distância de Diadema, cidade onde nasceu

David Luiz
Divulgação / Chelsea
David Luiz

Aos 30 anos, David Luiz está à beira de conquistar seu primeiro título da Premier League . Mas para chegar onde está hoje, o brasileiro do Chelsea precisou superar alguns obstáculos no início da carreira. E as dificuldades foram relembradas durante uma entrevista ao jornal inglês "Daily Mail".

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"Eu treinava no São Paulo, que era muito longe de onde morávamos e eu não voltava para casa até as 16h. Quando meu pai percebeu que eu poderia me tornar um atleta, ele foi até a Justiça e pediu autorização para eu estudar à noite. Esse foi o meu primeiro choque porque só haviam pessoas mais velkhas que não tiveram a chance de estudar, e eu tinha 12 anos. Então, todos os meus amigos da escola eram de 25, 35 anos. Tinha até uma mulher de 65 anos", disse David Luiz . Hoje, além da língua portuguesa, o brasileiro fala inglês, espanhol e francês fluente e ainda arrisca o italiano. 

Sem sucesso no time paulistano, o jogador teve uma passagem pelo América-MG e confessou as dificuldades enfrentadas no clube mineiro. "A única vez da minha vida que eu passei fome, eu comi feijão batido no liquidificador duas vezes ao dia durante 10 dias. Eles queriam que eu assinasse contrato, mas não voltei", revelou. 

Então, sem contrato assinado em Minas Gerais, foi convidado para um teste no Vitória. "Pedi à minha mãe para que pagasse o voo. Era longe demais de ônibus. Tivemos de pagar em parcelas, porque só ricos voavam de avião", contou o brasileiro. "Eu jogava com um camisa 10 e estava no banco e usámos três defensores, como no Chelsea . Fomos para uma competição em Santiago, no Rio Grande do Sul. Foram 75 horas de ônibus de Salvador. Dois dos nossos defensores se machucaram durante a viagem, mas o nosso treinador não quis mudar o sistema de jogo". 

"O treinador então perguntou quem poderia jogar e eu me coloquei. Ele disse: “Mas você nunca foi um defensor”. Então disse: “Agora eu sou”. Ele treinou comigo duas vezes assim, joguei e fui eleito o melhor da competição. Assumi o risco e isso mudou a minha vida e a vida da minha família", relembrou o nascido em Diadema.

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Origem e humildade 

"Eu me lembro da primeira vez que falei um palavrão na frente da minha irmã. Meu pai se sentou na mesa e me perguntou 'O que você quer para a sua vida?'. E eu respondi que queria jogar futebol. Então ele me disse: 'Não. Primeiro você deve se tornar um bom humano. Eu também quero que você se torne um jogador de futebol, mas primeiro você deve ser um bom ser humano, com honestidade, caráter, dignidade'. Foi uma conversa difícil, mas mudou a minha vida", relembra.

"Meus pais foram o meu exemplo. Eram as pessoas que me escutavam, tinham os pés no chão, eram humildes e com uma vida simples. Minha vida mudou muito, mas às vezes eu paro e olho para a minha mãe e meu pai e vejo que ele ainda são as mesmas pessoas", disse o filho de Ladislau Marinho e Regina Célia. 

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"O sonho do meu pai era se tornar um jogador de futebol profissional. Ele chegou perto de se juntar à equipe principal do Atlético-MG, mas estava sem dinheiro e precisou arrumar outro emprego. Ele costumava me dizer: 'Isto é para você, não era para mim. Vou viver isto com você", finalizou David Luiz. 

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