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Historiadora conta em livro como os imigrantes da Itália contribuíram para o desenvolvimento do esporte na cidade de São Paulo

Futebol de várzea de São Paulo é uma contribuição dos imigrantes italianos
Paulo Passos
Futebol de várzea de São Paulo é uma contribuição dos imigrantes italianos

Um fato é, o futebol brasileiro serviu de inspiração para diversos clubes italianos. Mas, milhares dos imigrantes do país da bota que vieram em busca de uma nova vida do Brasil também deram sua contribuição para desenvolver o futebol de várzea em território nacional.

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Até a década de 1950, mais de um milhão de italianos chegaram em terras brasileiras e muitos deles se deslocaram para a capital de São Paulo, onde estabeleceram grupos e organizações que estavam relacionadas à cultura que traziam na bagagem. Em busca por uma vida melhor, muitos clubes esportivos e recreativos foram criados para promover a integridade da comunidade italiana com a brasileira.

Dentre os clubes que são consequência desta interação das duas nações, está o time de várzea Associação Atlética Anhanguera. O clube, inclusive, foi objeto de estudo da historiadora Diana Mendes Machado da Silva, que lançará seu livro " Futebol de Várzea em São Paulo" no próximo dia 12 de maio.

Fundado por italianos e com uma forte ligação com o bairro da Barra Funda, o time foi um dos principais pontos de encontro dos imigrantes que chegavam ao Brasil. "Os imigrantes italianos não se viam como italianos ainda, porque vinham de várias regiões de uma Itália que tinha acabado de se unificar, que não tinha sua identidade nacional forte, e vinham aqui como calabreses, napolitanos, venezianos. E muitos deles ficavam na hospedaria da cidade, não só aqueles da península itálica, mas também espanhóis, portugueses", explica a historiadora.

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Mistura de nacionalidades

Esse agrupamento fazia então, com que os imigrantes se conhecessem e mudassem para a região dos conhecidos, replicando assim, o padrão de vida que possuíam na Itália. "O clube Anhanguera foi formado nessa mesma base. Muitos amigos de colônia e de família e o que acontecia, isso era muito comum naquela várzea e eles se reuniam para jogar futebol, para os bailes, etc.", ressalta a autora.

Assim, os clubes de várzea, abriam suas portas para pessoas das mais diversas nacionalidades, provocando uma troca cultural e esportiva. "Eles aceitavam pessoas de todas as nacionalidades e você encontra também nomes de brasileiros. E pelas fotografias, você vê uma pluralidade. Isso não quer dizer que essa integração não tivesse conflitos, que passavam pela cor, por uma questão de classe", ressalta Diana.

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No entanto, a autora explica que, por conta de seu foco em um "clube de integração", o Anhanguera não sofreu um taxamento de "clube de colônia", mas sim como um local de comunidade. Ao longo das décadas, o time estudado pela historiadora ainda fez com que alguns de seus jogadores fossem profissionalizados por clubes maiores como Corinthians, Juventus e Palmeiras.

Por conta da forte presença de italianos, o Palmeiras era o que mais pinçava esses jogadores e essas negociações prosseguem até atualmente. A estrela palmeirense Gabriel Jesus, que hoje atua no Manchester City da Inglaterra, foi descoberto, justamente, no Anhanguera.

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