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Documento enviado às autoridades da Suíça e dos Estados Unidos envolve nomes como Marco Polo del Nero, José Maria Marin e Ricardo Teixeira

Fifa pretende atestar não fazer parte do esquema de corrupção
Divulgação
Fifa pretende atestar não fazer parte do esquema de corrupção

A Federação Internacional de Futebol (Fifa), entregou nesta sexta-feira (31) a conclusão do inquérito interno diante do escândalo de corrupção que envolveu o organismo regulador mundial do esporte. O documento de mais de 1.300 páginas foram encaminhados para a Justiça dos Estados Unidos e da Suíça, na intenção de atestar não ser uma organização criminosa.

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"A Fifa se comprometeu a realizar uma investigação completa e abrangente dos fatos, para que pudéssemos responsabilizar os malfeitores do futebol e cooperar com as autoridades", afirmou o presidente da entidade, Gianni Infantino. "Agora concluímos essa investigação e entregamos as provas às autoridades, que continuarão a perseguir aqueles que se enriqueceram e abusaram de suas posições de confiança no futebol. A Fifa vai agora voltar o seu foco para o jogo, para os torcedores e jogadores em todo o mundo".

Aberta em junho de 2015, as investigações teriam se iniciado logo após alguns cartolas da Federação terem sido presos e a Fifa ter sido cogitada no esquema de corrupção. A investigação durou 22 meses, tendo utilizado mais de dois milhões de documentos e centenas de entrevistados como testemunhas.

Da mesma forma, após quase dois anos de investigações internas, o objetivo dos documentos liderados pelo americano Quinn Emanuel eram de comprovar de que a Fifa teria sido vítima de fraudes por dirigentes como Joseph Blatter e Jerome Valcke.

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Cartolas brasileiros

De acordo com o jornal "O Estado de S.Paulo", os documentos entregues incluem detalhes sobre a Copa do Mundo realizada no Brasil, em 2014, e o papel de ex-dirigentes brasileiros esportivos.

Segundo a publicação, Joseph Blatter, o então presidente da entidade, e seus dois assistentes, teriam contrato para receber cerca de R$ 100 milhões em bônus pela realização do Mundial no Brasil. Caso o fato seja comprovado, os pagamentos seriam ilegais e se configurariam como propinas.

O ex-presidente, Jerome Valcke e Markus Kattner teriam recebido da Fifa cerca de R$ 284 milhões em cinco anos. As suspeitas vieram à tona quando os contratos revelaram que a quantia foi garantida ainda em 2010 e previa ser distriubuída até 2019, mesmo se ambos fossem demitidos por causa justa.

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A Copa do Mundo no Brasil ainda gerou uma renda recorde para a entidade. Em 2014, a Fifa embolsou R$ 17,9 bilhões. Da mesma forma, a empresa responsável pelo relatório acusou o atual presidente da CBF Marco Polo Del Nero e os dirigentes do Comitê Organizador do Mundial de 2014 José Maria Marin e Ricardo Teixeira. Os cartolas foram denunciados por "corrupção" e por terem prejudicado a "reputação" da Fifa, que pediu à Justiça norte-americana que fosse reembolsada em R$ 16,7 milhões pelos danos causados pelos brasileiros.

Ambos ocuparam "posições de confiança na Fifa e em organizações nacionais". Del Nero e Teixeira chegaram a ser membros do Comitê Executivo da entidade, absorvendo R$ 5,2 milhões e R$ 11 milhões dos cofres da Fifa, respectivamente. José Maria Marin consumiu R$ 359 mil. Os gastos teriam sido utilizados para pagamentos de viagens, hotéis e salários.

"Ao longo dos anos, eles abusaram de suas posições para se enriquecer, enquanto causavam danos significativos para a Fifa", declarou o documento oficial entregue à Justiça. No final de abril, a entidade irá emitir um relatório detalhado e resumido sobre as mudanças resultados deste relatório.