Federação Paulista de Futebol parece não enxergar atual realidade do país
Rodrigo Corsi/FPF
Federação Paulista de Futebol parece não enxergar atual realidade do país

Na mesma semana em que Corinthians e Palmeiras saíram do Estado de São Paulo para jogar o Campeonato Paulista em Volta Redonda, no Rio de Janeiro, o Brasil atinge a marca de 300 mil mortes por conta do novo coronavírus. Mas parece que essas vidas ficaram em segundo plano, pois a questão era: onde vai ser jogado o Paulistão?


A Federação Paulista de Futebol (FPF) agiu na surdina – ou nem tanto – para que a competição não fosse paralisada. O que se parecia uma decisão tomada de acatar a ordem do Governo de São Paulo, de não serem realizados jogos no estado, se tornou uma grande reviravolta nessa semana. A desorganização foi evidente. Jogos marcados e depois desmarcados, partidas realocadas para outros estádios, locomoções de delegações dos clubes, quantas pessoas foram expostas à essa confusão toda?

O time do Mirassol, por exemplo, teve que pegar um voo fretado ao Rio de Janeiro, e depois mais uma hora e meia de ônibus até chegar a Volta Redonda para jogar contra o Corinthians na terça-feira (23). Protocolo? Que nada...

E a CBF? Mesmo com o crescimento exponencial de casos de Covid no país, deu continuidade a Copa do Brasil, onde equipes precisam percorrer milhares de quilômetros para enfrentar seus adversários. Como foi o caso do Marília, por exemplo. Foram confirmados 16 casos positivos de Covid-19 em testes de rotina após viagem por três estados diferentes, mais de 2 mil quilômetros e quase 40 horas de ônibus para jogar contra o Criciúma, na última semana, pela Copa do Brasil.

Com os leitos de UTI com capacidade máxima, onde pessoas estão morrendo nas filas à espera de uma intervenção médica, onde por acaso os times de menor investimento vão colocar seus jogadores caso eles se lesionem gravemente durante uma partida? Não há espaço nos hospitais.

Também é compreensível os relatos desesperados de jogadores que atuam nessas equipes. Não recebem o tanto quanto os jogadores de elite e precisam alimentar suas famílias, como a maioria do povo brasileiro que vêm sofrendo. Mas a desorganização de instituições políticas e federações corroboram para que tudo se amplifique negativamente, não dando o suporte necessário para os que mais precisam. E as vidas? Ah, ficam em segundo plano...

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