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Cinco meses foram suficientes para que a principal revelação brasileira dos penas passasse de provável desafiante ao cinturão a derrotado pelo 12º colocado do ranking

Renato 'Moicano', brasileiro do UFC
UFC/Divulgação
Renato 'Moicano', brasileiro do UFC

Há exatos cinco meses, Renato 'Moicano' chegava a Fortaleza com uma missão: derrotar José Aldo e, assim, credenciar-se como desafiante de Max Holloway, campeão peso-pena (66 kg) do UFC . Afinal, como Aldo já havia perdido duas vezes para Max, dificilmente o Ultimate daria uma terceira chance para o 'Campeão do Povo'.

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A bola da vez era Moicano . Na capital cearense, o clima era de 'troca de guarda': com o veterano falando em aposentadoria, Renato parecia em situação ideal para subir de patamar com uma vitória sobre uma lenda.

Mas ele perdeu: depois de ganhar o primeiro round, foi surpreendido por uma combinação do veterano, que motivou a interrupção do combate. O retorno de 'Moicano' foi no sábado (22), contra Chan Sung Jung, sul-coreano que, a despeito de sempre ser perigoso, parecia já ter passado do seu auge como lutador.

Mas o confronto não durou nem 1 minuto. No primeiro jab desferido por Renato, o ' Zumbi Coreano ' se esquivou e acertou dois golpes que levaram o brasileiro ao chão. Lá, foi só bater até que o juiz parasse a luta.

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Cinco meses foram suficientes para que a principal revelação brasileira dos penas passasse de provável desafiante ao cinturão a derrotado pelo 12º colocado do ranking. Agora, 'Moicano' certamente vai conhecer o que há de pior no torcedor brasileiro: o desdém com os que são derrotados. Como tantos outros atletas que ousaram flertar com o topo, será tratado como uma fraude, alguém que iludiu seus fãs ao fracassar na hora H.

Moicano perdeu do
Reprodução/Twitter
Moicano perdeu do "Zumbi Coreano" no UFC

Renato sentiu na pele uma das características mais marcantes do MMA como esporte: a imprevisibilidade. Em menos de dez minutos, somados os dois confrontos dele este ano, o lutador em ascensão entrou em vertiginosa queda de confiança e imagem perante o público.

Ao mesmo tempo cruel e mágica, a capacidade que a luta tem de elevar atletas ao céu ou relegá-los ao semiostracismo desafia a lógica. Mas outro detalhe muito importante nas artes marciais mistas é o timing. E se ele foi ruim agora, com dois reveses importantes e dolorosos seguidos, pode ser positivo em breve.

Renato tem 30 anos recém-completados. Dos 16 atletas que compõem o ranking dos penas — o campeão e mais 15 —, ele é o sétimo mais novo. Na listagem, há quem tenha 37 anos, como Frankie Edgar e Ricardo Lamas, 34, como Josh Emmett, e 33, como Jeremy Stephens.

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' Moicano ' é, portanto, um legítimo top-15 com muitos anos de atividade pela frente. E, se duas derrotas foram suficientes para tirar dele o selo de potencial desafiante ao título, duas ou três vitórias certamente o colocam novamente no bolo. O principal desafio do brasileiro é mental: retomar a consciência de seu potencial e, com calma reconstruir seu caminho rumo aos primeiros lugares do ranking.

Tempo ele tem.

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