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Falta de interesse do público na categoria foi gerando um desconcerto entre os custos e o real retorno que seus lutadores davam à companhia

Henry Cejudo e Demetrious Johnson
UFC
Henry Cejudo e Demetrious Johnson são do peso-mosca do UFC

Os pesos-moscas (57 kg) do UFC vivem um fim melancólico. As primeiras notícias sobre o encerramento da divisão, publicadas em novembro do ano passado, foram se confirmando sem nenhum posicionamento oficial da organização e, seis meses depois das primeiras matérias sobre o assunto, ninguém mais tem coragem de negar o óbvio: o Ultimate deixou a categoria definhar e está desligando seus lutadores pouco a pouco.

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Na mais recente atualização do ranking da liga, a situação ficou ainda mais escancarada. A contagem, que originalmente era um top-15, agora vai somente até o número 12. E 12 é, evidentemente, o número de atletas até 57 kg contratados pelo UFC . Para se ter uma ideia, categorias populosas como a dos leves (70 kg) chegam a ter cerca de 90 lutadores sob vínculo.

Embora os executivos do Ultimate nunca tenham se permitido a comentar mais longamente a razão dos cortes, os motivos foram lançados aqui e ali pelos lutadores desligados da liga. A falta de interesse do público na categoria foi gerando um desconcerto entre os custos do Ultimate e o real retorno que seus lutadores davam à companhia.

Assim, sem muito alarde, foi traçado o plano de acabar com os moscas.

A divisão não parece ser a única a ter seu fim definido. Como recentemente abordamos aqui na coluna, o peso-pena (66 kg) feminino também tem os dias contados. Não à toa, embora tenha algumas lutadoras contratadas — e algumas até estreando, como a brasileira 'Duda Cowboyzinha' neste fim de semana, em Estocolmo (SUE) —, a categoria está tão arrasada que sequer há um ranking para ela.

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Com os moscas em iminente fim e os penas respirando por aparelhos, há também um prejuízo para o MMA brasileiro. As duas mais recentes campeãs da categoria feminina são do país — Cris 'Cyborg' e, agora, Amanda Nunes —, e a divisão masculina era a que tinha mais potenciais desafiantes nacionais: Jussier 'Formiga' é o primeiro do ranking, Alexandre Pantoja, o terceiro e Deiveson Figueiredo, o quarto.

Amanda Nunes com os dois cinturões do UFC
Divulgação
Amanda Nunes com os dois cinturões do UFC

O questionamento ainda sem resposta diz respeito ao que o UFC vai fazer quando eliminar de vez as duas classes de lutadores. Existe uma pressão muito grande dos lutadores das categorias leve (70 kg) e meio-médio (77 kg) para a criação da divisão dos superleves (74,8 kg), o que permitiria desidratações menos desgastantes e uma fluidez maior na transição de um peso para o outro.

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O Ultimate, porém, tem se mostrado veementemente contra esta nova categoria — inclusive com pronunciamentos públicos de Dana White, presidente do Ultimate. O posicionamento negativo dá a entender que o movimento é de realmente enxugar o quadro de divisões, apesar de as jogadas internacionais da organização apontarem para uma expansão ainda maior pelo mundo.

Como o UFC vai resolver esse quebra-cabeça, ainda é uma incógnita.

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