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Confira uma análise detalhada sobre as lutas dos brasileiros no UFC 237, realizado no Rio de Janeiro

Anderson Silva é carregado
UFC
MMA brasileiro: Anderson Silva foi derrotado no UFC do Rio de Janeiro, neste ano de 2019

Quem, como eu, esteve na Jeunesse Arena para assistir ao UFC 237 pôde testemunhar um verdadeiro momento de troca de guarda: em uma noite, ficou claro que alguns dos mais influentes representantes de uma geração de lutadores ficaram para trás.

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Ainda no card preliminar, Rogério 'Minotouro' enfrentou Ryan Spann, 15 anos mais novo. Mesmo o americano não sendo nenhuma grande revelação do esporte, ficou clara a diferença de velocidade, desempenho e atleticismo entre os dois.

O vigor físico de 'Superman' contrastava com a aparência do brasileiro de 42 anos, profissional desde 2001, com um corpo maltratado por combates de boxe, jiu-jitsu, vale-tudo e MMA.

E em dois minutos a diferença ficou clara: primeiro, Spann derrubou com muita facilidade, em uma investida sem muita técnica. Depois de Rogério evitar uma finalização, novamente a desvantagem atlética ficou evidente: três socos e Minotouro estava na lona.

Uma rápida análise ao cartel de Ryan mostra que o nocaute tem mais a ver com a queda técnica do brasileiro do que com os recursos de Spann. Antes de derrotar Rogério, o americano só tinha três triunfos por nocaute na carreira, sempre contra atletas de nível baixo e queixo frágil.

Como Spann não melhorou muito de lá para cá, não é um absurdo pensar que foi Minotouro quem caiu brusca e vertiginosamente.

Análise parecida pode ser feita sobre Anderson Silva . Ok, ele perdeu por causa de uma lesão, que pode acontecer com qualquer um. Mas é fato que o 'Spider' tem apenas uma vitória no cartel nos últimos seis anos.

Além disso, viu casos de doping mancharem seu legado. Da perda do título mundial, em 2013, para cá, Anderson só tinha derrotas contra atletas de alto nível. De certa forma, era algo a se ponderar. Ninguém poderia discordar de quem dissesse: "Ele perde no topo, mas ainda pode dar muito trabalho a adversários que não sejam tão especiais quanto Daniel Cormier ou Israel Adesanya ou campeões como Michael Bisping".

Pois bem: queira ou não, Anderson Silva agora tem uma derrota para Jared Cannonier, um ex-peso-pesado sem qualquer qualidade que o diferencie dos demais pesos-médios.

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Por isso, é inegável que esta situação interfere na maneira com que o Spider será visto no futuro. Basta ver o exemplo de BJ Penn – outro veterano a perder no card carioca –, que teve a sequência de derrotas ponderada por algum tempo, já que insistia em se testar no topo do UFC mesmo estando em derrocada.

Penn, ex-campeão dos leves (70 kg) e meio-médios (77 kg), começou perdendo para craques como Rory MacDonald e Frankie Edgar e hoje tem sido superado por atletas ruins ou igualmente decadentes como Ryan Hall, Dennis Siver e Clay Guida.

Antes tido como um dos maiores da história, BJ vê sua "cotação" como atleta cair a cada dia. Como Anderson ainda tem três lutas em seu contrato, 44 anos e a vontade de continuar no octógono, não é impossível que o ocaso de sua carreira seja igualmente triste.

José Aldo agachado no octógono
UFC/Divulgação
José Aldo foi derrotado por Alexander Volkanovski no UFC 237

Para completar, a derrota de José Aldo para Alexander Volkanovski virou uma página importante na história de outro grande brasileiro da história do MMA. Melhor peso-pena (66 kg) de todos os tempos, o 'Campeão do Povo' buscava uma última jornada pelo título antes de se aposentar.

A intenção era justamente fazer o que outros grandes nomes não souberam fazer: pendurar as luvas ainda no topo. O sonho de Aldo era fechar a carreira no último evento do UFC no Brasil este ano, em novembro, disputando novamente o título. Assim, com o fim de seu contrato, pararia novamente no ápice.

Faltou combinar com Volkanovski. O australiano fez uma luta 'feia', com muito jogo de grade. Ele sabia que Aldo seria perigoso se pudesse avaliar distância e medir seus golpes. Sem encantar nem a plateia - carioca - nem os espectadores, Alexander fez um antijogo eficiente e frustrou o brasileiro.

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É certo que Aldo não sai do Rio com a imagem manchada. E, confirmando seu desejo de parar no fim do ano, terá tempo para esfriar a cabeça, encontrar um adversário de nome e buscar a motivação para dar show em seu último compromisso profissional.

Por outro lado, assim como Anderson Silva e Rogério Minotouro, José Aldo deu adeus à torcida carioca pela porta dos fundos da festa de Jéssica 'Bate-Estaca', nova campeã peso-palha (52 kg) e representante da nova geração do MMA brasileiro .

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