06/07 - 16:57
Diário de piloto: Interlagos
Quase não dormi de sábado para domingo. A ansiedade não deixou. E foi ela, ao lado de uma largada ruim do Fabio Fogaça – que estava em segundo, na minha frente -, que me fizeram perder uma porrada de posições na prova
Adriano Griecco
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O final de semana começou razoável. No primeiro treino da Jr., com a pista ainda molhada, fui apenas o 11º colocado. As freadas do Bico de Pato e da Junção ainda estavam escorregando demais. Quem acertou, virou. No segundo, já com a pista seca, melhorei. Cravei o sétimo tempo entre os 19 carros inscritos. Saí de lá satisfeito, porque estava andando próximo dos ponteiros e junto do piloto que havia vencido a prova de Brasília.
Sábado, pista seca de novo. Mais uma vez, andando na referência de outros pilotos – e pegando o vácuo, o que nos “economiza” um segundo por volta –, virei o sexto tempo. Tentei andar sozinho também, afinal a classificação são duas voltas lançadas, com a cara pro vento.
Ao final deste treino, o João Marcelo, líder do campeonato, veio falar comigo. Disse que meu Laranjinha estava ruim demais e que meu S do Senna também estava lento. No Laranjinha, ele falou que eu freava demais e esperava muito antes de acelerar. E que não confiava na capacidade de contorno de curva do Jr. A culpa era do tempo em que eu corria de carro antigo em Interlagos. Vai fazer o Laranjinha de pé cravado com um Puma 1969 pra você ver o que acontece! No S do Senna, a questão era mais simples, eles freavam mais dentro e faziam a primeira perna em segunda marcha, utilizando a reduzida para segurar mais o carro. Eu fazia ele inteiro em terceira.
Na classificação, resolvi seguir as orientações do João, mesmo não tendo feito nenhuma volta assim antes. Funcionou: fiz o quarto tempo e larguei ao lado dele.
Quase não dormi de sábado para domingo. A ansiedade não deixou. E foi ela, ao lado de uma largada ruim do Fabio Fogaça – que estava em segundo, na minha frente -, que me fizeram perder uma porrada de posições na prova. Já na curva do Lago, logo ali, no final da reta oposta, passei um concorrente, mas dei de cara com outro, rodado, na minha frente. Freei, mas não consegui parar. Bati, caí para último, e danifiquei parte da minha carenagem. Mas segui em frente.
A parte que danifiquei do carro era justamente a que levava ar fresco para os carburadores do Jr. Com isso, o carro começou a perder de rendimento nas retas. Segui, ganhando posições até a entrada do Safety Car, na metade da prova. A essa altura, eu estava em décimo na classificação geral.
Dada a relargada, consegui mais uma posição e, ao tentar passar outro rival, tive um leve toque. Leve mesmo, mas suficiente para terminar de quebrar a tal peça que havia se soltado. Aí, a desgraçada resolveu se alojar entre a roda dianteira esquerda e o chassi, impossibilitando qualquer movimento no volante. Encostei, a 3 voltas do final. Fim de prova.
Adriano Griecco é jornalista, escreve para a revista "Car & Driver" e já fez as vezes de mecânico na extinta Spyker e na Force India na F1. Neste ano, Griecco vai competir na Stock Jr. e vai compartilhar a experiência aqui no Grande Prêmio, sempre após as etapas da categoria.
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