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17/10 - 11:31

Walter Casagrande: "Sou dependente químico, um doente"

Comentarista concedeu entrevista ao programa Altas Horas e falou sobre a recuperação do vício

Gazeta Esportiva

Relembre o caso:


SÃO PAULO - Após um ano internado em uma clínica de reabilitação, Walter Casagrande Júnior rompeu o silêncio. Em entrevista ao programa Altas Horas, da TV Globo, ele se definiu como um “doente”, admitiu que usava drogas desde os tempos de jogador e revelou que teve uma overdose em frente ao filho de 13 anos.

“Casão” começou a se envolver com entorpecentes nos tempos de atleta, mas o problema se agravou com a aposentadoria dos gramados. ”Eu tinha curiosidade por droga desde garoto e, quando comecei, não foi com maconha. Já comecei com coisa mais pesada. Na minha época, não tinha exame antidoping para cocaína, só para anfetamina. Então eu fumava muita maconha, cheirava muita cocaína e jogava normalmente. Mas não usava para jogar. Usava por prazer na sexta-feira, no sábado, e jogava no domingo”, contou.

A ida para a Itália, onde jogou por oito anos, o afastou temporariamente das drogas, mas o fim da carreira fez com que o problema voltasse com força máxima. “Logo que cheguei na Itália, voltei a ter contato com a heroína. Usei, mas fiquei com medo e parei. Aí voltei para o Flamengo, depois fui para o Corinthians e continuei sem usar. Quando parei, comecei a jogar tênis e correr, mas havia um vazio em mim. Sentia necessidade daquela adrenalina, daquela euforia que era disputar um Corinthians e Palmeiras com 100 mil pessoas no estádio. Fiquei maluco”, disparou o ex-jogador.

“Eu nunca vivi o meio do futebol. Vivia o meio da música, do rock, do cinema, tinha envolvimento político. Gostava de viver no limite. Sou da geração em que os ídolos morreram de overdose. Quando parei de jogar aí caí de cabeça nas drogas”, completou.

Casagrande definiu como “o pior momento deste processo” a overdose que teve em frente ao filho de 13 anos. “Tenho um poder de autodestruição muito grande. Tive quatro overdoses, uma delas na frente do meu filho de 13 anos. Estávamos em casa e combinamos de sair para jantar. Ele foi tomar um banho e eu aproveitei para ir ao banheiro injetar heroína. Só que a quantidade foi grande demais, e eu tive uma convulsão. Meu filho batia na porta e eu estava me debatendo lá dentro. Fiquei um ano na clinica e ficaria o tempo que fosse preciso para não passar por isso de novo”, disparou.

Victor Casagrande, seu filho mais velho, de 22 anos, decidiu internar o pai no ano passado, depois de o ex-jogador sofrer um acidente automobilístico e ficar em estado de coma por um dia. “Quando cheguei ao hospital eu, que tenho 1,91m de altura, estava com 71 kg e várias marcas de drogas injetáveis no braço”, revelou.

O ex-jogador só teve consciência da amplitude do problema após longo período internado. ''Perdi o controle da minha vida, o contato com a família e os amigos. Só percebi depois de oito meses convivendo apenas com os internos da clínica e vou ter de controlar a dependência para o resto da vida”, disse. “Comecei a ter dificuldade para trabalhar, mas achava que estava tudo bem. Achei que a droga não me incomodava, que não era um doente”.

O ex-atacante saiu da clínica há duas semanas e diariamente passa cerca de quatro horas e meia em um hospital com outros pacientes fazendo terapia para evitar recaídas. Ele espera retomar a carreira de comentarista na TV, mas ainda não se sente preparado.

“De todo tempo que passei internado, não tive contato com ninguém de fora nos primeiros oito meses. Então estou acostumado com isso. Por enquanto, não posso nem pensar em entrar em um estádio, por exemplo. É muita gente”, explicou.

Casão, porém, mostrou que mantém a língua afiada que o fez se destacar na época em que comentava os jogos. Quando questionado se participaria de campanhas de prevenção, esbanjou sinceridade. “Sou dependente químico. Seria hipócrita dizer ‘não use drogas’”, afirmou, antes de se emocionar. “Todos os dias são uma emoção nova para mim a partir de agora. Mas tenho de tomar cuidado, porque eu sou doente”.

Casão ainda brincou ao analisar o momento do Corinthians, onde fez história quando jogador. “Quer falar de droga também?”, perguntou ele, arrancando risos da platéia. O ex-jogador assistiu a poucas partidas enquanto esteve internado, mas já notou deficiências na equipe do Timão. “Para a Série A, o time vai precisar de quatro ou cinco reforços de peso”, finalizou.


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Desabafo do ex-jogador
"Tive quatro overdoses, uma delas na frente do meu filho de 13 anos", afirmou Casa

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