'Professor' de Alonso na F1, Marques vê automobilismo acabado no Brasil

Por Pedro Taveira - iG São Paulo |

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Piloto, que dividiu cockpit da Minardi com espanhol em 2001, critica categoria e atuação da CBA e fala sobre caso de doping na Stock Car

Duda Bairros
Tarso Marques foi piloto da Minardi

Tarso Marques é o “professor” de Fernando Alonso na Fórmula 1. Apesar de ter feito apenas 26 corridas na mais nobre categoria do automobilismo, o brasileiro diz ser o único piloto respeitado pelo bicampeão do mundo. Isso por terem dividido o cockpit da Minardi em 2001, ano em que o espanhol estreava na categoria, ainda como piloto pagante.

Doze anos após deixar a F1, Marques se dedica a cuidar da “Tarso Marques Concept”, empresa criada por ele para estilizar e customizar carros, motos e até helicópteros de luxo. E o brasileiro fala tranquilo a respeito de suas disputas nas pistas com Alonso e como zombava de Mark Webber, hoje na Red Bull e considerado “muito lento”.

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Mas o curitibano de 37 anos não esconde a frustração com a categoria e com o automobilismo brasileiro, que define como “acabado” por culpa da CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo). Em entrevista ao iG Esporte, o piloto relembra sua passagem pelo circo de Bernie Ecclestone e fala sobre sua quase ida para a Ferrari – e como a Minardi, equipe que lhe abriu as portas, atrapalhou tudo.

Ex-piloto de F1 Tarso Marques estiliza motos e carros desde 1999. Foto: Pedro Taveira/iG São PauloEx-piloto de Fórmula 1, Tarso Marques agora se dedica a customizar motos, carros e barcos de luxos. Foto: Tarso Marques ConceptEx-piloto de Fórmula 1, Tarso Marques agora se dedica a customizar motos, carros e barcos de luxos. Foto: Tarso Marques ConceptEx-piloto de Fórmula 1, Tarso Marques agora se dedica a customizar motos, carros e barcos de luxos. Foto: Tarso Marques ConceptEx-piloto de Fórmula 1, Tarso Marques agora se dedica a customizar motos, carros e barcos de luxos. Foto: Tarso Marques ConceptEx-piloto de Fórmula 1, Tarso Marques agora se dedica a customizar motos, carros e barcos de luxos. Foto: Tarso Marques ConceptEx-piloto de Fórmula 1, Tarso Marques agora se dedica a customizar motos, carros e barcos de luxos. Foto: Tarso Marques ConceptEx-piloto de Fórmula 1, Tarso Marques agora se dedica a customizar motos, carros e barcos de luxos. Foto: Tarso Marques ConceptEx-piloto de Fórmula 1, Tarso Marques agora se dedica a customizar motos, carros e barcos de luxos. Foto: Tarso Marques ConceptEx-piloto de Fórmula 1, Tarso Marques agora se dedica a customizar motos, carros e barcos de luxos. Foto: Tarso Marques ConceptEx-piloto de Fórmula 1, Tarso Marques agora se dedica a customizar motos, carros e barcos de luxos. Foto: Tarso Marques ConceptEx-piloto de Fórmula 1, Tarso Marques agora se dedica a customizar motos, carros e barcos de luxos. Foto: Tarso Marques ConceptEx-piloto de Fórmula 1, Tarso Marques agora se dedica a customizar motos, carros e barcos de luxos. Foto: Tarso Marques Concept

Marques conta ainda sobre a ida para a Stock Car, algo que considera chato, e o caso de doping revelado pela revista Warm Up há dois anos (a revista contesta o ex-piloto). Confira a entrevista completa:

iG Esporte - Você ainda está correndo?
Tarso Marques - Estou, mas nenhum campeonato fixo. Devo fazer, a gente está negociando, três ou quatro corridas no Mundial de protótipo. Devo fazer provavelmente corridas no Brasil, Estados Unidos e Itália. Mas, assim, faço três ou quatro corridas por ano. Corridas especiais. Não estou fazendo campeonato inteiro. Correr é trabalho. Então eu só vou se for viável. Eu gosto de correr, mas não vou correr por correr.

Arquivo pessoal/Tarso Marques
Tarso Marques com o carro da Minardi em 2001

iG Esporte - Como foi sua chegada na Fórmula 1?
Tarso Marques - Foi bacana porque eu fui o mais novo. Eu acho que fui o mais do mundo a andar em um Fórmula 1 até hoje. Eu tinha 17 anos. E foi bem legal, passei lá três anos, acabei pedindo para sair porque corria em uma equipe pequena e você não tem chance de ganhar. Você vem de todas as outras categorias, ganha em tudo e chega lá não consegue fazer nada. Lembro que no último ano corria eu e o Alonso, a gente se matava lá atrás pra andar. No ano seguinte ele mudou, foi para uma equipe boa e foi campeão do mundo. Então não tem muito o que fazer. Ou você está num carro bom ou... Não tem bobo lá. Todo piloto que está lá é bom. Você depende muito de carro. Tem o lado legal de estar na Fórmula 1, mas tem o lado frustrante porque você fica 100% preso ao equipamento.

iG Esporte - Como você essa questão dos pilotos pagantes?
Tarso Marques - Sempre teve. Acho que são raras as exceções que entraram sem pagar. Eu corri em uma equipe pequena por isso. Ganhei teste num Fórmula 1 porque eu corria na Fórmula 3000 e ganhei uma corrida preliminar. Aí o dono da Minardi me ofereceu um teste, eu andei mais rápido que o piloto oficial e eles me deram um contrato de cinco anos. Entrei na Fórmula 1 ganhando para correr. Só que eu assinei um contrato de cinco anos numa equipe pequena e aí foi o que bagunçou minha carreira. Tive proposta da Ferrari, a gente chegou a fazer um pré-contrato com a Ferrari e não pude ir porque minha equipe não liberou. Ao mesmo tempo que eles me puseram na Fórmula 1, e talvez eu nunca tivesse entrado se não fosse pela oportunidade porque eu não tinha patrocinadores, foi por eles que acabou tudo.

iG Esporte - Não valia a pena ficar na Fórmula 1 em uma equipe pequena como a Minardi?
Tarso Marques - Eu sempre corri porque gostava de correr. A motivação é ganhar. Você vem de todas as categorias e ganha, é competitivo. Aí você chegar lá só para dizer que corre de Fórmula 1 não adianta. Você quer ir pra ganhar ou pelo menos ser competitivo e você não tem o que fazer. Você se mata, faz tudo, está sempre no risco e não tem como, é muita diferença de um carro para o outro.

iG Esporte - Qual o melhor piloto que você viu?
Tarso Marques - Alonso. Hoje é o melhor, sem dúvida. Disparado.

Arquivo pessoal/Tarso Marques
Marques e Alonso no lançamento do carro da Minardi em 2001

iG Esporte - O Alonso se refere a você como professor dele na Minardi. Como era a relação de vocês?
Tarso Marques - Eu me dou muito bem com ele. Ele sempre falou que o único piloto que ele respeita sou eu. Já corri com vários pilotos e eu te falo que ele é o melhor porque é o mais completo. Já corri na mesma equipe com Couthard, Fisichella, Trulli, Webber. Todos caras que ganharam corridas na Fórmula 1 e quando a gente andava juntos eles eram muito lentos. Quando corremos eu e o Alonso de titulares, o Webber, que hoje vice-campeão do mundo e ganha corrida, era piloto de testes e a gente ficava rindo nos treinos. A gente saía do carro, ele andava e a gente ficava tirando sarro, brincando, porque era muito mais lento. Daí é aquela história: tem a oportunidade numa equipe boa, vai e ganha. O Alonso é o único cara que a gente andava no mesmo carro e andava igual. Corridas que os dois estavam atrás, muita gente não vê porque só aparecem os três primeiros. Mas a gente teve muita corrida boa, disputando, se batendo. Coisa que não aparece na televisão. Mas um tem muito respeito pelo outro porque a gente sabe o que aconteceu.

iG Esporte - Se você tivesse tido uma oportunidade em uma equipe média ou grande, ganharia corridas?
Tarso Marques - Acho que sim. Vendo pelo lado de que os cinco que eu corri junto. O ano que eu corri com o Alonso, os três melhores resultados do ano foram meus. Não estou dizendo ‘ah, eu sou melhor que o Alonso’. Ele é o melhor que tem hoje. Mas com certeza poderia [ter vencido]. Ele, quando ganhou o campeonato no Brasil no primeiro ano, me abraçou chorando depois que saiu do carro e falou ‘era pra ser você, a chance era tua’. Ele assinou um contrato com o Briatore de dez anos que eu não quis assinar porque não dava garantia nenhuma de Fórmula 1. Eu acabei não assinando porque na época tinha uma opção da Ferrari e acabou que não deu nada.

iG Esporte - Essa opção da Ferrari o que era?
Tarso Marques - Antes do Rubinho entrar na Ferrari, era no lugar do Irvine. Eu ia correr um ano de Sauber, que era motor Ferrari, e depois ia para a Ferrari. Só que eu tinha esse contrato com a Minardi. A Ferrari se propôs a pagar uma multa para me liberar, mas a Minardi não queria. Queria a multa mais os motores Ferrari para colocar na Minardi. E a Ferrari aluga os motores para a Sauber. Eles brigaram e eu fiquei na mão.

iG Esporte - E aí você saiu da Fórmula 1...
Tarso Marques - Saí. Fui para a Indy. Entrei na Justiça contra a Minardi para tentar quebrar meu contrato e mudar de equipe. Fiz duas temporadas lá e me chamaram de novo, a Minardi (risos). Voltei para a Fórmula 1 e depois para a Indy de novo. No último ano de Minardi eu ainda tinha dois anos de contrato e pedi pra sair porque não aguentava mais a situação que era.

iG Esporte - Quando foi que você veio para o Brasil correr de Stock?
Tarso Marques - Eu voltei ao Brasil na verdade porque não queria mais correr. Eu parei a Fórmula 1, saí mesmo tendo contrato e voltei para o Brasil para cuidar das minhas coisas, meu negócios. Não vim para correr de Stock, não queria, não gosto. Não tem graça nenhuma, o carro é lento. Eu corri porque, na época, meu manager cuidava de uma equipe de Stock, equipe do Terra, e corria lá o Cristian Fittipaldi. E aí o Cristian tinha uma corrida fora, não ia poder fazer e eles me convenceram. Eu ia fazer duas ou três corridas no lugar do Cristian porque eles precisavam de um piloto de Fórmula 1. O Terra exigia um piloto de Fórmula 1. E a equipe era relativamente pequena na Stock e eu ganhei corrida. Eles fizeram uma proposta muito boa e eu fiquei mais um ano. Mas não foi porque eu voltei para o Brasil para correr de Stock. Aconteceu por acaso.

iG Esporte - Faz uns dois anos que surgiu a história sobre o doping...
Tarso Marques - História, né? Na verdade foi um jornalista mal informado... O negócio do doping no automobilismo é muito ingrato e, no Brasil, mal julgado. Eu corri 20 anos fora e nunca tive problema. Uma coisa que nada influencia no doping no automobilismo... Doping é mais pra atletismo, a pessoa toma uma coisa que aumenta a força e pode tirar vantagem. Corrida é o contrário: se o piloto fica mais forte, fica mais pesado e mais lento. Não tem nada que melhore. E qualquer coisa é doping. Se você tomar um Red Bull e meio é doping. Se passa uma pomada cicatrizante é doping. Se toma um Resfenol é doping. Então, se levado à risca, o que eles fazem: todos os esportes eles têm considerações. Na Fórmula 1, o Rubinho mesmo foi pego umas três vezes com aquele Aturgil. É doping, mas falavam ‘pô, o cara está com problema, está gripado, com o nariz entupido e tomou. Não tem nada a ver. O doping, no automobilismo, eles avaliam ‘ah, é droga, altera a cabeça do cara, coloca em risco ele e os outros? No meu caso, não tem nada. O que aconteceu foi que a gente fez os exames, eu tinha tomado uns remédios antes, declarei para o médico da categoria antes de tomar e foram três pilotos que fizeram o exame. Os outros pilotos também tinham medicações que não podiam, só que demora muito para sair o resultado. Daí esse jornalista, que é polêmico e sempre gosta de fazer confusão, ficou me pressionando ‘pô, me fala o que é, me fala quem que pegaram’, porque um já tinha o resultado e os outros dois, eu e mais um outro, ainda não tinha saído. Falei ‘não sei, ainda não tem o resultado, tem que esperar, vai ter julgamento’. Ele disse ‘se você não me falar eu vou colocar que você foi pego e está escondendo. Aí pegou e fez a capa da revista com uma seringa enfiada num capacete como se fosse... Enfim, saiu essa notícia e uma semana depois ele teve que se retratar, desmentir, porque eu nunca fui punido, nunca deixei de correr, mas até que se prove o contrário... Saiu o negócio que eu tinha sido punido só que não tinha havido nem julgamento, nem resultado. Não existiu nada, na verdade, só fofoca.

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iG Esporte - Mas qual era a substância?
Tarso Marques - Eram todas as coisas que eu tinha declarado, coisa de remédio. Remédio! Um porque eu estava com a costela trincada, nem lembro o nome. O exame vem o nome que ninguém sabe o que é, não sei nem ler o nome...

iG Esporte - Não tem nada de anabolizante?
Tarso Marques - Não, não. O cara colocou uma seringa na cabeça e faz parecer droga, o Warm Up. E daí foi isso. Tanto que ficou ruim para a CBA. Tinha saído que eu já estava punido, mas eu estava correndo. Ou seja, nunca fui punido. Eles falaram ‘então vamos amenizar, dar uma pena retroativa de seis meses’. Só que a pena foi durante seis meses que eu corri. Não tem nem lógica. Fizeram só para ficar politicamente correto. Tanto que tiveram vários outros casos já. Porque, assim, fez exame antidoping, pega. Foi o que eu te disse: a Red Bull é patrocinador da equipe, o cara toma uma lata e meia e é doping. Todos os outros exames que fazem, pegam. Só que daí não vão punir. Pegaram dois ou três pilotos lá que foram casos de maconha, parece, sei lá o que foi. Acho que puniram por um ou dois anos, outro não puniram, não sei. Mas nada justificável. Ele pegou meu nome para fazer barulho. Tanto que os outros dois pilotos que foram pegos no mesmo dia, e também eram medicamentos, nem tocaram no nome. Ficaram só falando no meu nome e eu falei que não ia dar entrevista enquanto não saísse o resultado.

iG Esporte - Talvez por você ter sido da Fórmula 1?
Tarso Marques - É barulho, né. Quando eu entrei na Fórmula 1, ele não colocou uma frase no site. Mas aconteceu um problema e ele me deixa três semanas de capa do site, coloca em capa de revista. É audiência, notícia que dá barulho, visualização no site... Sensacionalista.

iG Esporte - Mudando para o assunto da CBA, como você avalia o nível do automobilismo no Brasil hoje?
Tarso Marques - O automobilismo brasileiro, hoje, está acabado. Na Fórmula 1 a gente tem um piloto brasileiro que passou por muitos problemas no ano passado. Acho que só continuou por relacionamentos. O Felipe [Massa] não teve um bom ano, é um piloto de talento, não para fazer o que fez no ano passado. Mas é difícil, eu não vejo futuro nos próximos. Hoje está inviável, os pilotos brasileiros que estavam correndo levavam um caminhão de dinheiro, o que não tem lógica. O Brasil não apoia ninguém. Eu acho que é muito crítica a situação. No futuro eu não vejo nenhum piloto na Fórmula 1. Esses que ficaram falando que iam entrar eu acho muito difícil, porque o dinheiro que eles têm que levar é irreal. O próprio caso do Razia, coitado, menino super gente boa, talentoso, mas o dinheiro que falaram que ele ia levar não sei onde que arrumaram. E no final acabou que não arrumaram e ele não está correndo. Então é difícil, é bem crítica a situação pro futuro.

iG Esporte - Por quê?
Tarso Marques - Falta de apoio do país. Fora a economia, que acho que a gente vive uma ilusão, mas todos os outros países têm apoio. França forma pilotos desde o kart, a Europa em geral, no Japão... É o país inteiro levando o cara. No Brasil todo mundo puxa para baixo, quer ver o cara se estrepar, parece. É difícil, né. O próprio Felipe, o cara tá passando por um momento difícil e parece que não tem carisma. Ganhou o Grande Prêmio do Brasil duas vezes. É um cara que era para ser herói e todo mundo só fala mal. O Rubinho não foi campeão do mundo, mas tem os méritos dele. E no Brasil vira piada. O povo ficou muito mal acostumado com Piquet e Senna, então se não é campeão do mundo não serve.

iG Esporte - A CBA poderia fazer alguma coisa para reverter?
Tarso Marques - A CBA não faz nada, não apoia. Eu nunca tive apoio da CBA para nada. Sempre dificultaram tudo. Nesse caso do doping eles foram coerentes, mas é uma coisa que em todos os países as Confederações apoiam os pilotos e buscam recursos, maneiras de tentar ajudar e formar pilotos. Aqui não. Aqui querem acabar com tudo, parece. Mais ou menos assim: se eu fosse japonês eu acho que estaria correndo em uma equipe grande (risos) Eu e mais uns três ou quatro pilotos brasileiros. A gente tem tanto piloto que fez milagre para chegar. Não é fácil chegar na Fórmula 1. Chegar sem dinheiro, então, impossível. Hoje brasileiro não é conhecido por talento, mas por um bando de índios que chega com um caminhão de dinheiro e compra uma vaga. Aí o cara corre de Fórmula 1 num ano, gasta muito dinheiro e no ano seguinte não tem onde correr. A realidade é essa.

iG Esporte - De certa forma você tem uma decepção com o automobilismo?
Tarso Marques - Total. De Fórmula 1 eu tenho porque é uma coisa que sempre foi meu sonho desde pequeno. Eu fiz tudo na minha vida focado na Fórmula 1. Era uma coisa que era muito longe porque eu não tinha patrocinador. Ralei muito para conseguir. Eu nunca estava nos melhores esquemas, mas foi dando certo até chegar. Entrar em uma condição boa, recebendo. Mas ao mesmo tempo você chega lá e vê que não é nada daquilo que está na televisão. Fórmula 1 na verdade não é um esporte. É um esporte em que todo mundo está preocupado em como vai ganhar mais dinheiro e tem os carrinhos de corrida no domingo pra fachada, parece. Na verdade, é um grande negócio. A corrida é só pra incrementar o negócio todo. Envolve muito dinheiro e é natural que seja 100% interesse. Tem o lado da realização e o lado da frustração.

iG Esporte - O que achou da polêmica em torno do Grande Prêmio da Malásia?
Tarso Marques - O Vettel é o piloto número 1, indiscutível. O Webber está lá pra cumprir o papel, já não é um piloto novo. Todo mundo fica puto com essa história de troca de posição, mas o piloto, queira ou não queira, é um funcionário. Então não tem essa de ‘não vou’. Como na Minardi: eu era contratado e o Alonso levava dinheiro para a equipe. Então todas as coisas, evolução do carro, eram diferentes do meu. O carro dele sempre era melhor. E tinha corrida que falavam ‘deixa passar’ e eu não deixava. Com ele (Alonso) eu nunca tive problema. A gente já disputou, tocou, bateu e depois da corrida deu risada e falou ‘pô, foi legal’. Os caras (chefes) ficavam loucos. Na terceira vez falaram que eu se eu fizesse de novo eles iam ter que me tirar. Você tem que obedecer. Eu sou um funcionário, estou ganhando para correr. Igual um engenheiro. O piloto é o astro pra quem está vendo na televisão. O piloto na verdade é um funcionário recebendo e seu trabalho é dirigir, da mesma forma que o mecânico aperta um parafuso. Claro que o piloto pode falar que não ouviu o rádio, mas isso não cola mais. O Vettel é o protegido da equipe. Fica um mal estar, mas passa e todo mundo aceita. Quando o piloto já está consagrado, tudo que ele faz, por maior que seja a besteira, tipo o Schumacher na época que ganhava tudo, podia errar uma freada, bater em outro carro, uma idiotice qualquer e era lindo, ‘ele está arriscando’. Aí você pega um cara novo, que tem que fazer isso toda volta, aí ele é inconsequente e não sabe dirigir.

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