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Surfista conta ao iG sobre sua recuperação, expectativas para as futuras etapas da WSL e a influência dos atletas nas próximas gerações do esporte

Adriano de Souza
Cauê Lira/iG Esporte
Adriano de Souza retornou aos mares na etapa de Saquarema, no Rio de Janeiro

Campeão mundial da WSL (World Surf League) e um dos principais nomes da Brazilian Storm , Adriano de Souza acaba de se recuperar da lesão que o tirou dos mares nas quatro primeiras etapas do torneio mundial em 2019. O atleta nascido no Guarujá participou de um evento realizado pela Mitsubishi, uma de suas principais patrocinadoras, na noite de ontem (27), e contou à nossa reportagem sobre recuperação, Jogos Olímpicos e as próximas etapas da WSL.

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iG Esporte - Antes de tudo, parabéns pela sua recuperação. Você acabou perdendo as primeiras etapas da WSL e isso prejudicou bastante o seu processo para os jogos olímpicos. Como foi o tratamento da lesão no joelho e como isso te afetou física e mentalmente?

Adriano de Souza - É um processo longo, foram oito meses de muita dedicação. É difícil ficar longe do trabalho e das pessoas que você tanto vê ao longo dos anos. Do nada, essa união se quebra... Foi um período de muita dor. O joelho é um local frágil e complicado para o tratamento de lesões. Você sente na hora, tanto para caminhar, levantar e correr. Tive bons fisioterapeutas e médicos que me aconselharam e colocaram no eixo para que eu voltasse 100%. Hoje, graças a Deus, estou de volta!

iG Esporte - O que é mais complicado: voltar da lesão ou - logo na sua segunda etapa de 2019 - ter que enfrentar um mar cheio de tubarões na África do Sul? Sabemos que você tem muito medo, mas que já foi muito vitorioso em J-Bay.

Adriano de Souza - Quem não tem medo de tubarão (risos)? No próximo sábado vou para a África do Sul iniciar os treinamentos. É uma etapa da qual tenho boas recordações, já fui bem pra caramba por lá. Agora é tentar resgatar isso e trazer um bom resultado.

iG Esporte - Como você vê os jogos de Tóquio 2020 ? A lesão te atrapalhou na classificação, mas ainda existem chances?

Adriano de Souza - Não tenho chances de ir para a Olimpíada. Perdi muitas etapas e já não tenho mais condições de buscar essa vaga, mas tenho certeza de que os outros atletas brasileiros irão representar o surfe nacional muito bem.

Adriano de Souza
Divulgação
Após perder quatro etapas da WSL por conta da lesão, Adriano de Souza ocupa a trigésima nona posição no campeonato

iG Esporte - Com as mídias digitais, muitos atletas acabaram se tornando celebridades. Você, por outro lado, sempre foi discreto e focado no seu trabalho. De alguma forma, já se sentiu desprestigiado?

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Adriano de Souza - Cada pessoa tem sua personalidade, cada um age da sua forma. Respeito todos os perfis e tento trilhar o meu caminho. Quero sempre passar uma boa imagem para a garotada que me vê como exemplo, mostrando uma atitude profissional. O meu papel está sendo construído, e tenho fé de que toda essa influência que os ídolos exercem nos dias de hoje ainda irá formar grandes atletas. Ser lembrado como um bom exemplo para as crianças, este é o meu legado.

iG Esporte - Qual foi a sua playlist nesta fase de recuperação?

Adriano de Souza - Ah, gosto muito de Raul Seixas e Zé Ramalho. Também curto rap, como Racionais e MV Bill, sou bem eclético (risos). É sempre bom para colocar a cabeça no lugar. São músicos brasileiros, é o meu mundo e dou muito valor a eles.

iG Esporte - Recomendaria algum filme ou documentário para os seus fãs?

Adriano de Souza - Gosto muito de “O Mecanismo”, da Netflix. Demonstra um pouco da realidade do nosso Brasil. Nós vemos e percebemos, mas nem sempre temos a real consciência do que está acontecendo. Acho que a série traz um pouco de firmeza sobre onde estamos pisando.

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