Tamanho do texto

Em entrevista ao iG, a brasiliense de 33 anos contou o que tem feito após deixar as piscinas e ainda opinou sobre a crise no esporte olímpico brasileiro

Aposentada desde 2008 da carreira como nadadora , Rebeca Gusmão viveu, quando atleta, como se estivesse em uma montanha russa. Foi campeã dos Jogos Pan-Americanos em 2007, no Rio de Janeiro, e logo depois punida por testar positivo em exames antidoping. Hoje, aos 33 anos, ela se dedica ao filho, que tem pouco mais de 1, e às novas funções profissionais: Personal trainer e palestrante.

Leia também: Joanna Maranhão comenta polêmica em museu e relembra abuso na infância

A ex-nadadora profissional Rebeca Gusmão quando conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio
Divulgação
A ex-nadadora profissional Rebeca Gusmão quando conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio

"Meu filho foi o meu maior presente, minha 'medalha' mais preciosa e querida, mas eu vou ficar só com essa (medalha) mesmo. Risos. Pretendo continuar ajudando as pessoas a alcançarem seus objetivos, alcançarem suas metas e ver a felicidade de ter feito parte daquilo. Não existe sentimento melhor que gratidão", afirma Rebeca Gusmão em entrevista ao iG Esporte .

A brasiliense começou a nadar aos seis anos por influência do pai e por indicação médica, já que tinha bronquite, asma e sinusite, doenças respiratórias. Aos 12 anos, tornou-se federada e aos 14 foi convocada para defender a seleção brasileira adulta e fez parte dos Jogos Pan-Americanos de 1999, em Winipeg, onde conquistou o bronze. Medalhou também no Pan de Santo Domingo, em 2003 e participou das Olimpíadas de Atenas, em 2004. O auge foi três anos depois, nos Jogos Pan-Americanos do Rio, onde conquistou três medalhas, sendo uma de ouro.

"Sempre fui uma pessoa bastante competitiva em tudo e muito dedicada nas minhas escolhas. Quando decidi ser atleta eu sabia que o caminho não seria fácil, mas as consequências seriam as mais maravilhosas do mundo, então traçar suas metas baseada em resultados e isso depender somente da sua dedicação é maravilhoso. Participar de uma Olimpíada e ganhar uma medalha é uma sensação única, difícil de descrever. São vários sentimentos envolvidos, mas, principalmente, o de missão cumprida", acrescenta.

Leia também: Vice-campeãs olímpicas de polo aquático salvam banhistas em praia da Itália

As conquistas, no entanto, foram ofuscadas após a ex-nadadora testar positivo em um exame antidoping. Meses depois do Pan de 2007, ela recebeu a notícia de que poderia perder as medalhas, os recordes sul-americanos e ainda ser banida do esporte em definitivo. Rebeca foi suspensa pela Federação Internacional de Natação (Fina) e, posteriormente, o Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) confirmou que ela estava proibida de competir novamente, isto é, a atleta viveu, literalmente, como se estivesse em uma montanha russa.

"Foi muito difícil, eu era muito nova e ver seus sonhos e uma vida de dedicação sendo acabada por pessoas vaidosas realmente nao foi fácil. Mas sempre acreditei na justiça de Deus e ver onde as pessoas que fizeram o que fizeram estão, me traz uma certa 'satisfação'", desabafa a atleta, que explica porque não persistiu na carreira de jogadora de futebol.

"Porque além de sempre ter alguém me perseguindo, querendo testar minha paciência, não entendendo que aquilo tudo era muito mais uma terapia que qualquer outra coisa, eu cansei de ver certas coisas dentro do esporte, principalmente quando você não pode fazer nada", diz Rebeca.

Corrupção e livro

Quando perguntada sobre a crise no esporte olímpico brasileiro, que culminou com a prisão do ex-presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, Rebeca foi enfática. "Foi o que disse, acredito na justiça divina. Essa não falha nunca", disse, sem explicar o motivo da frase. "O poder e o dinheiro transformam as pessoas em criaturas desprezíveis", continua. Gusmão explicou também o motivo dos atletas não se pronunciarem em casos de corrupção esportiva, como o que acontece no COB.

Rebeca Gusmão com seu filho Zeus:
Reprodução/Instagram
Rebeca Gusmão com seu filho Zeus: "Minha maior medalha"

"Porque sabem que é muito difícil as coisas mudarem. Educar as pessoas não é nada fácil. O Brasil precisa de uma grande faxina, essa é a grande verdade", opina Gusmão. A atleta contou ainda o que a motivou a escrever o livro "Virada Olímpica", autobiografia lançada em 2016.

Leia também: Medalhista olímpica busca namorado e fica peladona em reality show

"Os períodos difíceis que vivi fizeram com que eu começasse a escrever, porque eu sabia que uma hora tudo aquilo iria passar e sem dúvida eu seria uma pessoa mais forte, mas eu só poderia terminar o livro se meu final fosse feliz e Deus foi tão perfeito que não poderia ter me dado final melhor, a chegada do meu filho Zeus", finaliza Rebeca Gusmão.