Lewis Hamilton largará na décima quarta colocação em Ímola
Reprodução/Twitter - 23.04.22
Lewis Hamilton largará na décima quarta colocação em Ímola

De volta à Fórmula 1, Mariana Becker (confira galeria de fotos abaixo) recebeu o apoio de diversos fãs enquanto esteve longe dos autódromos. Em meio a diversas mensagens, a jornalista foi lembrada pelo heptacampeão mundial Lewis Hamilton , que logo na primeira corrida da temporada desejou uma boa recuperação à brasileira.


Em entrevista exclusiva ao iG Esporte , Mariana Becker comentou sobre a relação com Lewis Hamilton, sobre como o convívio entre pilotos e jornalistas foi mudando ao longo dos anos no grid, e falou também sobre as grandes dificuldades encontradas pela Mercedes neste início de temporada.

LEWIS HAMILTON
"O Hamilton começou a vida profissional dele na Fórmula 1 no mesmo tempo que eu comecei a minha vida profissional na Fórmula 1. Eu já era uma repórter experiente em outras áreas, mas o desafio da F1 começou meio que junto com ele. A primeira temporada foi a minha primeira pré-temporada também."

"Então eu pude acompanhar, assim como eu, vários outros repórteres, mas eu estava ali sempre, e aí imagina que durante 15 anos você entrevista o cara e quase todos os grandes prêmios ele te vê quando está feliz, quando está triste, te vê quando tem uma grande conquista ou quando tem uma grande derrota. Ou não sei… quando tem um problema familiar grave e precisa se superar para ter um bom rendimento ou quando ele está brigando pau a pau com companheiro de equipe dele dentro de casa ou quando ele tá namorando… em todos os tipos de estado de espírito eu estou ali para entrevistar o cara." 

"Acho que você acaba fazendo alguma alguma conexão, claro que tem algumas pessoas que é uma coisa meio natural se você simplesmente gosta da pessoa e pronto, tem uma empatia maior. Então eu acho que foi isso, foi o tempo e eu acho também ele deve ter ficado mais aberto para me ouvir ao longo das entrevistas porque ele gosta muito do Brasil, é um fã do Ayrton (Senna), e como a gente era um representante da imprensa brasileira, acho que ele tinha um cuidado na hora de dar entrevista e com isso acabei fazendo entrevistas mais longas e a gente acabou se conhecendo melhor, talvez daí que venha uma empatia ali com ele."

CONVÍVIO NO GRID
"Hoje em dia a proximidade que um repórter tem de uma maneira geral o piloto é bem diferente da proximidade que se tinha quando não tinha tanto assessor de imprensa, tanto marketing, talvez tanto dinheiro rolando em volta."

"As coisas se profissionalizaram muito, você não tem mais aquele acesso de passar pelo cara e tomar um café, ou cara te chamar para dentro do boxe te mostrar: 'olha aqui mudou isso, mudou aquilo'."

"Tudo ficou muito mais complicado, a imprensa ficou muito mais abrangente em vários níveis. Quer dizer, hoje em dia todo mundo pega o celular dá uma olhada ficar sabendo de tudo e de formas das formas torcidas ou não torcidas, tudo isso contribuiu para que houvesse um distanciamento entre o piloto e o repórter, e uma profissionalização que se por um lado organiza melhor a vida do cara e escolhe para quem que ele vai dar entrevista para que seja importante para ele, por outro lado artificializa muito as relações."

"Então você imagina, eu tenho que fazer uma entrevista com Lando Norris, por exemplo, já é difícil para conseguir marcar entrevista, aí marca, você tem 10 minutos, aí você escolhe as perguntas que você acha que vai dar mais ou menos 10 minutos resposta. Algumas vezes me pedem “manda as perguntas”, aí você tem que mandar para o assessor de imprensa, ele vê as perguntas, vai falar com o cara que vai responder e às vezes ainda acontece você sair daquelas perguntas já pré-organizadas (comigo acontece sempre), e o assessor já te cutuca no ombro “isso aí não estava na pauta isso aí não sei o que…”. Você fica sem liberdade para conversar, você tem que poder conversar para conhecer o cara e ele te conhecer também, tem tudo isso que dificulta muito."

"Você tem que conseguir superar todas essas coisas com a tua convivência e mostrando para o cara nas entrevistas ou em alguns momentos que você consiga estar com cara sem ser entrevistando (eu tive a sorte de acontecer isso comigo algumas vezes), de que tipo de pessoa que você é, que tipo de profissional que você é. E aí o cara começa a sentir um pouco mais a vontade."

RESPOSTAS 'ATRAVESSADAS' SÃO NORMAIS?
"Mas ainda assim, todo piloto quando faz alguma bobagem na pista, algum erro dele mesmo ou da equipe, mas principalmente se for dele, ele dificilmente vai te responder numa boa. Porque ele está bravo e você vai falar justamente do que ele não está afim de falar. Ele está irritado e você vai perguntar exatamente daquilo ali."

"Eu estou fazendo minha função, tenho que perguntar porque o cara foi tão lento, porque rodou três vezes, tenho que perguntar. Para que as pessoas em casa possam saber o quê está acontecendo no esporte que elas gostam eu tenho que perguntar. Ele sabe que eu tenho que perguntar."

"O cara que chega na Fórmula 1 não é um piloto inexperiente que não conhece a imprensa, ele conhece desde as categorias de base, então ele sabe que aquilo ali é a função dele, responder para mim, mas ele está bravo. Então muitas vezes os caras vão ser monossilábicos, vão responder sim ou não, o mínimo necessário, se ele estiver irritado pode ser grosseiro. Essa é uma coisa que você, como profissional de jornalismo tem que estar preparado para que isso aconteça… agradável não é, mas acontece."

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CASOS RECENTES
"Já aconteceu comigo várias vezes. As mais recentes foram aquelas com o Mazepin que me respondeu de uma maneira muito curta, acho que ele foi garoto, meio inexperiente."

"Ele estava meio irritado, e perguntei o que que tinha acontecido acho que foi uma ultrapassagem com o Russel, não me lembro exatamente agora, mas foi um dos primeiros grandes prêmios dele eu falei “o que aconteceu ali?” e ele respondeu “eu ultrapassei”. Pensei, então tá bom (risos), se não está afim de dar entrevista eu também não vou ficar… mas assim, o cara dá a cara a tapa, foi um pouco inexperiente dele."

"E com Alonso foi uma outra questão. Foi na volta dele para a Fórmula 1, era um grande prêmio de Portugal, estava ventando para caramba, um asfalto que ele não estava entendendo, um carro que ele não estava entendendo. A uma certa altura estava todo mundo sofrendo para controlar o carro e obviamente todo mundo começou a perguntar o que tinha acontecido com ele, e eu fui perguntar."

"Estava também com muito barulho de carro, também tem minha culpa porque eu acho que o meu espanhol não estava muito bem polido, era início de temporada e eu não falei como eu deveria, me fiz entender mas eu deveria ter falado um espanhol melhor. De qualquer forma, perguntei para ele um "troço” e ele perguntou 'o que que foi?', perguntei de novo e ele respondeu 'não'.  E aí você já entende, você até pode tentar mais uma vez, que foi o que eu fiz, mas quando vi que ele estava assim só agradeci e deixei. Ninguém gosta, mas faz parte, né?!"

"Como repórter, eu ia continuar entrevistando ele todos os dias até o fim do ano, então não podia ter essa coisa de ‘ficou bravo, agora não entrevisto mais’. Como eu sabia que ele era um cara muito experiente, não era um garoto, eu brinquei com ele."

"Eu sabia que eu tinha que me referir aquilo, que não ia passar como se nada tivesse acontecido, porque ele me conhece. Ele foi chegando para me dar entrevista e falei: 'Está tudo bem? Posso te entrevistar hoje? Está mais calmo?'. Aí ele brincou, riu e me disse: 'Me desculpa, realmente eu ontem não estava entendendo o que tu estava querendo dizer, estava uma barulheira, eu tinha me ferrado... desculpa'. Aí me deu uma resposta super boa, uma baita entrevista e depois se desculpou novamente."

"Acho que acontece dos dois lados, a gente tem que relevar. Às vezes a gente não está num bom dia e não faz uma pergunta muito clara ou como tem que ser, acontece. Assim como acontece com um cara que não dirige bem… acontece em qualquer profissão que tem aquele dia que você não está rendendo o que tem que render."

"Nunca tive um problema de alguém que não quisesse mais falar comigo, mas pode acontecer faz parte. É o que é o que a gente diz, você é amigo mas aquela hora ali é uma hora profissional, então se eu tiver que perguntar alguma coisa mais dura eu vou ter que perguntar."

MERCEDES PODE DAR A VOLTA POR CIMA NESTA TEMPORADA?
"Acho que a Mercedes tem total capacidade de voltar, total, só que o problema da Mercedes é que o buraco ali é mais embaixo, não é o cabelo que os cara tem que botar atrás da orelha, vão ter que se vestir tudo de novo. Está tudo torto ali, botou a calça de trás para frente."

"O assoalho é o grande problema. Então é o conceito inteiro do carro que muda, não é uma asa que funciona, é tudo que tem que mudar. Eles tem condição, agora vão vir lá de trás, tem piloto para isso. O Hamilton tem contado com o braço e com sorte também, se você vir as últimas corridas ele também teve sorte."

"Acho que é possível, mas vai ter que ter muito braço, vai ser um campeonato interessante se a Mercedes conseguir acertar os trilhos a gente vai ver aí a Red Bull brigando o Ferrari e uma Mercedes subindo para entrar no páreo."

A vida da Mercedes não vem sendo fácil na temporada 2022. Neste final de semana está acontecendo o GP de Emilia Romagna, na Itália, após a dura eliminação dos dois carros ainda no Q2, na sexta-feira, a equipe sofreu mais uma vez na corrida Sprint, que definiu o grid de largada para a corrida. George Russell largará em 11º, enquanto Lewis Hamilton ficou com o 14º lugar.


** Lucas Barreiros é graduando em jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes. No iG, escreve para o iG Esportes. Coleciona passagens pelas Web Rádios Rede Contínua e Bate Fundo Esportivo. Além das transmissões esportivas, tem conhecimento na criação de conteúdos audiovisuais. Apaixonado por esportes, Lucas não se limita ao futebol brasileiro e é fã da Premier League. Além das quatro linhas, acompanha as emoções da NBA, a velocidade da Fórmula 1 e o mundo dos e-sports. Fora do âmbito esportivo, tem forte ligação com a música e o cinema.

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