Mariana Becker chegou à Band em 2020
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Mariana Becker chegou à Band em 2020

Além dos olhares voltados para as grandes disputas na pista do Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, na Ítalia, os fãs da Fórmula 1 também notaram uma novidade nas transmissões da Band. Pela primeira vez nesta temporada, Mariana Becker (confira galeria de fotos abaixo)  está realizando a cobertura 'in loco'.


A jornalista passou por cirurgia após sofrer um acidente de esqui durante as férias, onde rompeu os ligamentos do tornozelo esquerdo. Em entrevista exclusiva ao iG Esporte , Mariana Becker revelou como tem lidado com os desafios da recuperação, falou sobre expectativa pelo retorno e para a temporada, e muito mais. Confira:

COMO ESTÁ SENDO A RECUPERAÇÃO?
"Estou bem! Apesar do pé quebrado eu estou bem. Pois é, engraçado que as pessoas falam para mim: “ah, feriazinhas né?! Vai fazer umas férias forçadas, mais longas”. Mas está longe de ser férias isso, muito longe de ser férias. Porque tudo bem tem a dor, mas tem toda aquela coisa a ansiedade de querer voltar a trabalhar logo porque eu sou uma pessoa muito ativa."

"E aí a dificuldade do dia a dia né a guri, vai pegar uma água aí levanta com a muleta vai pulando até lá chegar lá, não consegue segurar o copo, tem que pedir para alguém… tudo é demorado, tudo tem que ficar pensando estrategicamente antes de ir para a pista, faz quinhentos mil cálculos só para fazer uma coisinha."

APRENDIZAGEM NO TEMPO LONGE DOS AUTÓDROMOS
"Então isso tudo é muito cansativo, e mais uma coisa que eu estou aprendendo nessa temporada assim longe da Fórmula 1 é ter paciência, ter calma, é uma coisa que eu não tenho e que acaba me atrapalhando porque eu fico muito ansiosa de ter calma e esperar o tempo passar, então é isso que eu tô fazendo mas agora já tá terminando, ainda bem.

PROJEÇÃO PARA O RETORNO
"Tenho ainda, até eu ficar zerada, mais dois meses, mas eu vou voltar agora, volto de muletas. Vou voltar ainda com todos os meus pinos e placas dentro da perna, de muleta, mas em Ímola eu começo a minha temporada de 2022. Estou super entusiasmada, fico um pouco dividida porque estava na casa da minha mãe, e dá vontade de ficar mais tempo com ela, né. Mas eu tenho que trabalhar e é um trabalho que me dá muito prazer também, estou ansiosa para voltar logo para o batente e Ímola para mim vai ser o Bahrein de vocês. Vocês todos começaram tudo lá no Bahrein a mil e eu comecei no Bahrein com pé atrás, quebrado, pendurado, operado", conta a jornalista.

"Então é diferente o ânimo, agora eu vou ver todo mundo pela primeira vez, rever os pilotos pela primeira vez, vou me inteirar do que tá acontecendo, descobrir também como é que meu pé quebrado vai funcionar, se eu vou conseguir, porque eu vou ficar de muleta de um lado para o outro então vamos ver como é que a coisa vai funcionar, se eu vou aguentar firme lá, (espero que sim)."

"Estou curiosa para contar desse campeonato, assim estou super curiosa para contar desse campeonato. Nesse primeiro grande prêmio a gente vai fazer uma dupla provavelmente o Kieling e eu. Porque eu com o pé assim e o Kieling a mil. Ele está com todas as marchas funcionando e eu ainda acho que só vou até a quarta, (brincou)", completa.

NOVIDADES NA FÓRMULA 1: COM CARROS MAIS BAIXOS, ZEBRAS SE TORNAM UM PROBLEMA?
"Principalmente com toda essa ideia nova de um assoalho não só mais baixo, mas um assoalho que faz com que a consequência do o ar que bate embaixo do carro reverbere de uma forma que não se esperava, que dá aquele “kick”, o carro cachoalha muito mais. O que a gente tá vendo hoje, esse ano, são os primeiros carros depois de uma grande revolução, da Fórmula 1, então isso ainda vai mudar muito ao longo dos próximos anos."

"São os primeiros, são os testes, esses guris todos são pilotos de testes, na verdade, agora, né?! (risos). São aqueles ‘Porquinhos da Índia’ que estão ali no laboratório. Então acho que sim, você vê alguns autódromos baixando as zebras e também as equipes tentando achar o balanço ideal entre o que eles podem mexer em termos de aerodinâmica e o “efeito solo”, que causa essa nova filosofia nos carros de Fórmula 1, mais baixinhos."

COMO EXPLICAR O SUCESSO DA FERRARI?
"O que aconteceu é que a Ferrari viveu o ‘inferno astral’ depois de 2019, aí ela começou a se dedicar a esse novo projeto e ao mesmo tempo, acredito, não sei… estou aqui chutando, que o Binotto ficasse prestando atenção nesses últimos dois anos em tudo que estava dando errado em termos de funcionamento dentro da equipe. Pit Stops errados, erros de cálculos… e parece que a coisa está mais azeitada, está mais organizada dentro da Ferrari."

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"Eles abriram mão, claramente, do campeonato do ano passado, embora a gente visse com sofrência, né. Mas eu acho que eu totalmente natural e emocionante como uma pessoa que que retrata a história de um esporte, você ver o renascimento de uma categoria, e é renascimento mesmo, porque de repente você pega a Mercedes super rica, com toda estrutura, que tudo bem tem o teto orçamentário, mas a gente não pode esquecer que foi uma equipe que gastou mundos e fundos, tem uma estrutura… uma quantidade de pesquisa dentro da Mercedes competição, imensa. Eles têm uma base muito poderosa. Não que eu fique feliz com a Mercedes nascer esse ano ‘não-poderosa’, mas é interessante você ver como tudo pode mudar de uma hora para outra com os novos propósitos."

"Estou achando super interessante a Ferrari se revelar assim, poder ver finalmente o Leclerc com um carro competitivo e podendo vencer. Porque aí também tem outra história, não é só o carro, mas você começa a ver a chance que os caras que prometem se podem realmente realizar ou não. “Ah, o Leclerc é páreo para o Verstappen?”, se perguntava muito isso. Como o carro ia mal, a Ferrari ia mal, já diziam que não, que era outro nível. Agora que você já começam a dizer “será?”, começam a se questionar. E o Sainz vai realmente mostrar qual a capacidade dele? Porque você tem na F1 tantos pilotos que você vê que é um bom piloto mas o carro dele é ruim."

"Você vê então os caras podendo se revelar, vê a Mercedes pensando como é que vão entender o erro e como sair dessa sinuca de bico com o teto orçamentário, com as limitações de aerodinâmica, como é que eles vão fazer, e aí você vê o Hamilton tirando leite de pedra, a McLaren também. Enfim, você começa a ver uma porção de coisas interessantes, e obviamente a Red Bull, não estou citando porque é uma questão meio óbvia, teve aí problemas de confiabilidade."

"Então é interessante ver uma história novinha sendo contada, não precisa ir muito para trás do ano passado para “ah, como sempre…”, não. Não tem mais o ‘como sempre ’agora , passa a régua, fecha a conta, e vamos abrir uma nova conta. Começa a pedir os petiscos porque a história vai ser diferente esse ano. Isso é super interessante para mim, que sou uma contadora de histórias, um monte de elementos diferentes que aparecem para a gente contar."

LECLERC X VERSTAPPEN, RIVALIDADE NAS PISTAS DESDE OS TEMPOS DO KART
"Na verdade, esses guris todos se encontram desde o tempo do Kart, não só eles, essa geração toda se encontra desde lá então desde aquela época tem brigas e rusgas. As pessoas falam muito que o Leclerc e o Verstappen tem uma briga antiga, que não se gostam. Acredito que não, não acho que eles não se gostam, eles têm uma briga antiga como todo mundo tem, estão ali desde pequenos e cabeça a cabeça."

"É uma ‘batalha’ antiga, mas que ele teve também com outros caras. Então é bem legal ver, mais interessante ainda para você ver como eles se conhecem. Imagina, pensa aí no seu colega de escola, os guris competem desde os cinco, quatro (anos), estão competindo um contra o outro desde os sete, oito, vamos dizer assim. Pensa no seu colega de escola, já viu ele chorar, já viu ele fazer xixi nas calças, já viu dar bronca ou levar bronca. Esses caras se conhecem intimamente e disputam intimamente desde cedo, então é muito legal você ver essa relação."

A ATUAL TEMPORADA PODE 'PRENDER' O ESPECTADOR ASSIM COMO FOI EM 2021?
"Claro! Acho que sim, são outros personagens com outros pesos. Antes tinha o sete vezes campeão mundial, que aliás não está morto (risos), vamos ficar espertos. E um novato monstruoso de quem se esperava há muito tempo, desde que o guri entrou na Fórmula 1, com 17 anos todo mundo dizia que ele ia ser o próximo campeão mundial."

"Então aí tinha um peso ‘x’, né. A coisa foi esquentando, e por que também tinham estilos muito diferentes de vida e de tudo, os chefes também com estilos diferentes a coisa 'prendeu', assim como você bem disse, de uma outra maneira."

"Mas eu acho que o fato do Leclerc e do Verstappen disputarem pau a pau pode prender igual são só outros personagens, outra história tem outra questão ali entre eles. O Leclerc com a chance de finalmente a Ferrari ser campeã de novo, depois de não sei quantos mil anos. Estou na expectativa agora de ver Ímola, como é que vai ser receber a Ferrari com o guri como líder do mundial, e o Verstappen para defender o título dele e um título que foi assim tão questionado. Que perguntavam 'será que mereceu, será que não mereceu'."

POLÊMICAS NA CORRIDA DO TÍTULO EM 2021
"Particularmente acho que tanto um quanto o outro mereciam (o título mundial) porque eles foram espetaculares durante o ano todo, acho que foi um fim muito ruim para o esporte, para eles,  para tudo. Mereciam ter tido um fim de campeonato mais claro, mais justo, menos controvertido, mais bonito como foi o ano todo."

"Mas os dois são dois baita pilotos, não foi assim um acidente. Porque tem uns pilotos que tu olha assim, não vou nem citar nomes, mas tem campeões mundiais que tu fala assim “foi uma vez e nunca mais”, porque não vai dar para ser de novo. Os dois não, o Verstappen tu sabe que é um cara que é para ser multicampeão mundial assim como o Hamilton", completou Mariana Becker.

Neste sábado, às 11h30 (horário de Brasília), ocorre a corrida Sprint no circuito de Ímola, na Ítalia. Com Max Verstappen na pole position, Charles Leclerc na segunda colocação, e Lando Norris largando na terceira posição. 

** Lucas Barreiros é graduando em jornalismo pela Universidade de Mogi das Cruzes. No iG, escreve para o iG Esportes. Coleciona passagens pelas Web Rádios Rede Contínua e Bate Fundo Esportivo. Além das transmissões esportivas, tem conhecimento na criação de conteúdos audiovisuais. Apaixonado por esportes, Lucas não se limita ao futebol brasileiro e é fã da Premier League. Além das quatro linhas, acompanha as emoções da NBA, a velocidade da Fórmula 1 e o mundo dos e-sports. Fora do âmbito esportivo, tem forte ligação com a música e o cinema.

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