Bola voltou a rolar em Portugal
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Bola voltou a rolar em Portugal

A retoma do Campeonato Português revelou-se uma caixinha de surpresas. Houve um pouco de tudo. Frango, um golaço monumental, deslizes dos candidatos ao título, um filme de terror e o nascimento de uma estrela.

A Liga não podia ter recomeçado em melhor estilo. Logo no jogo inaugural, Portimonense X Gil Vicente, foi pintada uma obra de arte. Lucas Fernandes pegou a bola do meio da rua e com o pé direito acertou o arco, num desenho que Picasso invejaria, com a bola entrando lá onde a coruja mora. Nada como este golaço para dar as boas-vindas ao futebol!

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Para as 10 jornadas finais esperava-se do Porto e do Benfica , os grandes do campeonato, em uma luta acirrada pelo título, um mata-mata em que cada deslize era fatal. Surpreendentemente, ambos deslizaram.

O Porto jogou antes do Benfica, contra o Famalicão. O Dragão entrou na 1ª parte com enorme vontade de vencer, teve mais posse de bola, oportunidades flagrantes e fez uma pressão sufocante no adversário, mas, talvez por falta de eficácia, ou por falta de sorte, não conseguiu meter a redonda lá dentro. E, como dita o mundo do futebol, “quem não faz, toma”. Bem no começo da 2ª parte, o goleiro Marchesín, num frango, ofereceu a bola ao avançado do Famalicão, Fábio Martins, que com sangue frio marcou o gol.

O Porto não atirou a toalha ao chão, e aos 74 empatou com o mexicano Corona. Pairava no ar um cheirinho a reviravolta, mas os famalicenses logo mataram a esperança com um golaço de Pedro Gonçalves, que serpenteou pela esquerda e de fora da área chutou uma bola tensa e traiçoeira para junto do poste de Marchesín. Fim de jogo, 2-1 para o Famalicão.

O Benfica entrou em campo no dia seguinte, com aquele friozinho gostoso na barriga. Se ganhasse ao Tondela, conquistaria o 1º lugar com 62 pontos - mas nem isso pareceu entusiasmar a equipe. É verdade que dominaram o jogo, o Tondela mal beliscou a baliza, mas a posse de bola de nada serviu. O time jogou de forma previsível e sonolenta, como se a equipa estivesse anestesiada. O jogo acabou 0 a 0, e os encarnados deixaram a liderança escapar por entre os dedos.

Quem não perdoou foram os torcedores, que atiraram pedras no ônibus da equipe, ferindo ligeiramente Weigl e Zivkovic. Além disso, vandalizaram as casas de Pizzi, Grimaldo, Rafa e do técnico Bruno Lage. Não é a primeira vez que esta barbárie assombra o futebol português, sendo que já houve situações semelhantes no Sporting e no Porto em anos recentes. É como um filme de terror que a gente tenta desligar, mas ele continua rodando, e rodando, e rodando...

Se para alguns os jogos foram para esquecer, o Guimarães X Sporting foi uma partida que um jovem leão guardará no coração com muito carinho. A partida mostrou um grande jogador, Eduardo Quaresma. Com 18 anos, bastou-lhe a estreia para conquistar o universo leonino. Jogou ao lado dos experientes Mathieu e Coates, e não se notou diferença alguma.

Revelou-se um central sereno e com o controle de espaço de um veterano. Um diamante bruto com um futuro brilhante. Pode-se dizer que nasceu uma estrela. No mesmo jogo, houve espaço também para dois frangos, um de cada goleiro, e ainda uma exibição angelical de João Carlos Teixeira , médio do Guimarães, que fez relembrar que ainda existem puros camisas 10 neste futebol cada vez mais robotizado.

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