Jorge Mauá, o CR7 da Várzea
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Jorge Mauá, o CR7 da Várzea

Em 2025, foram 166 gols em 140 jogos e 16 títulos em 20 disputados. Parecem números de um astro do futebol mundial, mas foram conquistados por  Jorge Mauá. Um ex-jogador profissional que se tornou um ícone dos torneios da várzea paulista e explodiu nas redes sociais com o apelido de Cristiano Ronaldo, o "CR7 da várzea". Em conversa com a reportagem do iG Esportes, o atacante, de 39 anos, comentou sobre o sucesso na internet e explicou o motivo pelo qual não seguiu a carreira como atleta profissional. 

Formado em educação física, Jorge Mauá, hoje, é praticamente um influenciador digital. Os vídeos que mostram a habilidade e faro de gol do atacante viram febre. Com mais de 35 mil seguidores, ele compartilha sua rotina e seus lances plásticos nas peladas ao redor do país.

O apelido de CR7 não veio por acaso. Com o foco em treinamentos semelhantes ao do português, Jorge sempre teve Cristiano Ronaldo como referência. Mas a alcunha só "pegou" após a participação dele em um campeonato na várzea. Um vídeo com os gols do artilheiro da camisa 7 viralizou e, naquele momento, ele se tornou o "CR7 da várzea" na seção de comentários. 

Jorge Mauá com troféus conquistados em 2025
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Jorge Mauá com troféus conquistados em 2025


"(Cristiano Ronaldo) é um cara que tem 40 anos, que treina muito, se dedica muito, e está colhendo os frutos de tudo que ele fez. Então ele é o que é hoje por conta do treinamento dele. E aí eu comecei a me espelhar nele justamente por isso. Meu foco, minha dedicação, meu empenho. Às vezes, deixar de viajar para poder jogar no final de semana, para poder treinar. É várzea, mas eu vejo como um profissional, eu me dedico como um profissional". 

Profissional? "Nunca mais"

Antes de fazer sucesso nos campos de várzea, Jorge Mauá atuou em palcos do futebol profissional. Foram 6 anos de carreira, de 2013 até 2018. Ele começou no Grêmio Esportivo Mauense, passou também pelo Nacional de São Paulo, Taubaté, São Caetano, Juventus da Mooca e Noroeste de Bauru. 

No entanto, Mauá não escondeu a frustração com a profissão. "O futebol profissional não me deu quase nada, ou nada, mas me abriu muitas portas. Até hoje, eu recebo mensagem pra voltar a jogar profissional. Tenho um carinho muito grande por muitos clubes e sei que sou querido por onde passei"

Além disso, ele explicou porque não retorna aos gramados. "A gente sabe que o profissional, ele não tem 30 dias. Não tem. Se você tá bem, vai ter 30 dias. Se o clube tá bem, tá lá em cima na tabela, você vai receber no mês. Mas se tá capengando... Eu mesmo já fiquei dois meses sem receber salário. E eu que analiso tudo, eu que negocio os meus jogos, os meus treinos, as minhas contas. Eu não sei quanto que eu ganho por mês. Então, assim, janeiro, não sei quanto que eu ganho. Tem que jogar pra saber, só no final do mês que eu vou saber quanto que eu tenho, entendeu?Por isso que eu tento treinar, me dedicar, me empenhar pra eu ser valorizado", ponderou. 

Jorge Mauá durante passagem pela Juventus da Mooca, em 2017
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Jorge Mauá durante passagem pela Juventus da Mooca, em 2017

Como explicar o faro de artilheiro do "CR7 da várzea"? 

Jorge descobriu o dom em balançar as redes por acaso. Ele nem sempre foi a referência ofensiva de seus clubes. 

"Comecei na zaga nas categorias de base. Eu sempre joguei de salão, dos meus 6 aos meus 18. E ali, eu jogava de fixo. A mudança para o ataque foi acontecendo quando fui para o futebol de campo". 

"Nós estávamos perdendo o jogo de 3x0. Eu jogando de fixo, e a gente só perdendo, perdendo. Fui para o pivô. Girei três bolas, fiz três gols. E aí o técnico foi para substituir um fixo. Falei 'vai me tirar, né', porque eu sou fixo. Ele tirou o pivô que estava e falou: 'a partir de hoje você só joga de pivô'. E aí no campo, me tornei centroavante. E aí eu comecei a aprimorar, a treinar". 

1000 gols? 

Jorge Mauá - CR7 da Várzea
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Jorge Mauá - CR7 da Várzea

Assim como o ídolo Cristiano Ronaldo, a obsessão por balançar as redes é algo que move Jorge Mauá.  Os números expressivos da temporada de 2025 (166 gols em 140 jogos) aconteceram por conta de sua fome em superar as suas próprias metas. Em 2024, por exemplo, o artilheiro relatou ter feito 150 tentos nas peladas que disputou. Em 2026, o desafio será ainda maior. 

"Esse ano, em 2026, o objetivo é de 167 gols. Eu tenho que correr atrás, eu tenho bastante jogos, bastante competições, e todas as oportunidades que tiver eu não posso deixar escapar. 'Ah o jogo está 5x0 para nós', eu vou buscar como se tivesse 0x0. Quando eu coloco essa meta na minha vida, de gols, títulos, conquistas individuais, eu preciso chegar". 

Por isso, a fome de gol fez com que o atacante fizesse questão de anotar os tentos que tem ao longo da carreira. 

"Eu tenho um caderninho onde faço as anotações. Se eu joguei cinco jogos no final de semana, eu coloco lá cinco jogos, aí se fiz 10 gols, escrevo 10 gols. Hoje, já passou de uns 800. Já deve ter 1.000 aí na conta. Se eu tivesse começado a contar esses gols desde, 2016 mais ou menos...". 

Bicicleta à la CR7

Uma das publicações com maior engajamento no perfil de Jorge Mauá se trata de um vídeo onde o craque faz um gol de bicicleta à la Cristiano Ronaldo. 

"Esse jogo foi em um final de semana. Eu joguei uma final na quinta, que foi o feriado. Eu joguei uma semifinal no sábado de manhã, joguei uma final à tarde. Esse jogo aí que eu fiz esse gol de bicicleta foi o quarto jogo da semana.

Nós precisávamos ganhar esse jogo de 5x0 para classificar, e ali, naquela luta, a bola não entrava. E aí o cara rolou, outro cabeceou e saiu a bicicleta. Minhas costas doeram tanto esse dia, doeram tanto, porque assim, eu subi muito alto. A bola estava passando. Falei 'mano, vou ter que me jogar'. E aí fiz o gol e o jogo foi 3x1 pra nós. E aí não deu para classificar. E dali, eu saí e fui jogar outra final ainda. Foi um final de semana que eu ganhei três títulos de quatro possíveis", comentou. 

Sem pós-jogo

Outra semelhança com o português é o cuidado com os excessos extracampo. O "CR7 da várzea" evita as celebrações "pós-jogo" e dá prioridade à família. 

"Acabou o jogo, vou para a minha casa. Eu fico o final de semana todo fora de casa. Minha esposa, às vezes, nem a vejo, porque saio no domingo de manhã e vou chegar no domingo à noite. E aí como que eu vou ficar? Eu sou evangélico, não bebo, não fumo, e não tenho nada contra ninguém que fuma, que bebe, eu não importo. A questão é que eu fui contratado para jogar, não para ir para o pós. 

Então, assim, eu tenho foco, porque eu tenho um objetivo. Eu quero ir para casa, eu quero ficar com minha familía. Já fico o final de semana inteiro sem a minha família. Então, eu quero voltar para a minha casa, voltar para a minha família. 

'Ah, porque você não vai lá conversar com a torcida?' Por isso que eu sou o primeiro a chegar e o último a sair dos jogos. A torcida quer conversar comigo, ela pode entrar no campo, a gente vai tirar foto, a gente vai resenhar, vai trocar ideia, eles vão me conhecer melhor", ressaltou. 

Jorge Mauá celebra gol marcado na várzea
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Jorge Mauá celebra gol marcado na várzea



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