Na derrota sofrida diante do Fluminense, no final do mês de novembro, no Maracanã, por 6 a 0, o volante Luiz Gustavo atacou a própria gestão do São Paulo pela má fase vivida dentro de campo. "Está na hora do São Paulo começar a colocar as caras quem tem que colocar, assumir responsabilidades. Todo mundo tem responsabilidade. Assumir de cima pra baixo, pra que esse clube possa realmente voltar a ser alguma coisa grande no futebol' '.
O resultado humilhante e a forte declaração escancararam a situação do Tricolor Paulista, que patina diante de dívidas e da má gestão. A fala do jogador redirecionou a insatisfação da torcida para a diretoria do São Paulo e antecipou o caos político que começaria a surgir. A partir daquele momento, denúncias começaram a aparecer sobre a administração do clube.
A reclamação das arquibancadas contra os mandatários tricolores já vinha ganhando corpo desde a eliminação da Copa Libertadores contra a LDU, do Equador. Com mais de 70 lesões no ano e sem poder gastar com contratações devido a um acordo de recuperação financeira (FIDC), o torcedor viu o time ruir durante a temporada.
Os principais alvos eram o presidente do clube, Júlio Casares, que entregou um défcit de quase 300 milhões de reais em 2024, e o diretor de futebol Carlos Belmonte .
Caos político, escândalos e investigações
No dia seguinte a goleada, Belmonte pediu demissão do cargo. Ele já vinha tendo desgaste político com Júlio Casares. Em função dos acontecimentos, o presidente do clube convocou uma entrevista coletiva em que dividiu as responsabilidades sobre o momento ruim e descartou deixar o comando do time. Foi a última aparição de Casares em público.
No começo de dezembro, a oposição do São Paulo já pedia a saída do mandatário. No dia 9 do mesmo mês, o clube respondeu um pedido do Ministério Público, que cobrava explicações sobre uma denúncia anônima. A administração estava sendo acusada de gestão temerária e favorecimento ao filho de Casares em supostas comissões em vendas de atletas da base.
Dias depois, veio à tona uma reportagem do UOL sobre os desmandos no Departamento Médico. A publicação trazia também a informação de que o São Paulo utilizada canetas emagrecedoras em atletas.
Diante da repercussão negativa sobre o método praticado dentro do Centro de Treinamento, o clube encerrou o contrato com o médico responsável pela prescrição do medicamento.
Como se não bastasse a polêmica sobre o Mounjaro, um novo escândalo abalou as estruturas do Morumbis. Áudio revelado pelo Ge mostrou uma negociação clandestina de ingressos no camarote presidencial do estádio para o show da cantora Shakira.
Os envolvidos no suposto esquema eram nomes de confiança de Casares na estrutura da gestão. Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto das categorias de base, e Mara Casares, ex-esposa de Júlio Casares e diretora feminina do clube, foram flagrados em uma gravação tentando convencer uma intermediária a retirar um processo que tornaria público o delito cometido dentro do Morumbis.
Após a revelação da reportagem, ambos pediram licença do cargo, mas continuaram atuando como conselheiros . Em função da denúncia, o grupo de oposição protocolou um novo pedido de afastamento do presidente.
O caso foi parar no Ministério Público de São Paulo (MPSP). O órgão pediu a abertura de um inquérito policial para investigar possíveis crimes de corrupção privada no esporte e coação no curso do processo.
No final do mês de dezembro, a Polícia Civil confirmou que trabalha em outro inquérito envolvendo o São Paulo. Os investigadores apuram suposto desvio de dinheiro em vendas de jogadores.
Com um cenário repleto de denúncias graves e polêmicas, um processo de impeachment de Júlio Casares foi apresentado ao presidente do Conselho Deliberativo. O mandatário tricolor ainda não se manifestou sobre as acusações.