Diretor do Flamengo fala sobre metas para 2026 e cutuca Palmeiras
Paula Reis / Flamengo
Diretor do Flamengo fala sobre metas para 2026 e cutuca Palmeiras

O Flamengo viveu um ano mágico em 2025, especialmente com as conquistas do Campeonato Brasileiro e da Libertadores, além dos títulos do Cariocão e da Supercopa do Brasil. Ainda assim, o Rubro-Negro já traça metas ambiciosas para a próxima temporada, mesmo sob a pressão por novos sucessos, como destacou o diretor de futebol do clube, José Boto. 

Em entrevista concedida ao podcast No Princípio Era a Bola, do jornal Tribuna Expresso, de Portugal, o dirigente detalhou os objetivos do Fla para 2026, falando sobre novas conquistas, reforços no horizonte, o estilo de Filipe Luís e até mesmo as categorias de base da equipe, além de cutucar o rival Palmeiras. 

"Acho que a temporada vai ser mais difícil porque não é fácil repetirmos o que fizemos. Conhecendo eu, a imprensa e a torcida, eles vão exigir o mesmo e mais ainda, mesmo que não exista mais para ganhar. É bom porque o presidente tem a noção, nós vamos entrar para ganhar, mas não são todos os anos que se repete isso. Existem as duas competições que são fundamentais para nós, o Brasileirão e a Libertadores. Sabendo que a Libertadores, como toda competição eliminatória, é mais difícil de prever, por isso nosso objetivo sempre é sermos campeões do Brasileirão", destacou Boto.

José Boto com Alex Sandro na comemoração do título da Libertadores
Adriano Fontes / Flamengo
José Boto com Alex Sandro na comemoração do título da Libertadores



"A grande preocupação que tenho é a quantidade de férias que os jogadores vão ter para que eles limpem a cabeça. Temos tudo planejado para que o elenco seja melhor. Nunca existe um plantel perfeito, há sempre coisas a ajustar, mesmo quando achamos que está ótimo. Temos tudo isso planejado, mas não vai ser fácil repetir uma temporada como essa. (Elenco) É importante nós irmos ao longo deste percurso vendo que tipo de rendimento alguns jogadores são capazes de dar ou não, e irmos ajustando com calma, sem grandes revoluções. Porque há essa parte emocional que tem um peso enorme no Brasil e não tem tanto aqui na Europa", complementou. 

José Boto também foi questionado sobre o uso dos jovens atletas vindos da categoria de base. Ele fez uma comparação com a transição que faz o Palmeiras, ao exemplificar com o caso do jovem zagueiro João Victor, que, apesar de promovido ao time profissional do Rubro-Negro neste ano, foi pouco utilizado.

"Nisso o Palmeiras está mais à frente. Não em termos melhores jogadores na formação, é na transição que faz para o nível profissional. Nós vamos tentar caminhar nesse sentido. Uma das coisas que fizemos foi com o Alfredo (Almeida), para ter ligação direta conosco. Sabendo que são contextos completamente diferentes. O Palmeiras, apesar da grandeza que tem, não tem a grandeza do Flamengo. Vou dar um exemplo: nós tivemos que fazer dois jogos com um sub-17 (João Victor) de defesa central, que não esteve mal, mas teve ali um deslize que mataram. Vai ser um zagueiro top, de Europa, em cinco, seis anos. Mas ali mataram, vai ser muito difícil voltar a jogar ali com o nível de confiança que um menino daquela idade precisa", iniciou o dirigente, que seguiu: 

"Nós temos que levar isso em conta, e se calhar perceber o mais correto não é ir buscar outro defesa central, porque aquele tem um potencial enorme. Mas se calhar o mais correto naquele contexto é irmos comprar outro central e vendê-lo, deixando uma porcentagem grande para nós deste jogador. A pressão no Palmeiras é diferente do Flamengo. Não estamos a falar de o jogador não estar pronto para jogar. Estamos a falar de irem à rede social do miúdo, da mãe, darem cabo dele, dizerem que fez de propósito. Coisas completamente loucas que não estamos habituados na Europa". 

Filipe Luís

José Boto e Filipe Luís antes de final da Libertadores
Divulgação/CRF
José Boto e Filipe Luís antes de final da Libertadores






Em meio ao futuro indefinido de Filipe Luís à frente do Flamengo, José Boto foi perguntado e avaliou as caracteristas do jovem comandante. 

"O Brasil tem vários países dentro, e ele é de uma zona Santa Catarina que tem muita influência alemã. Ele tem um perfil que tem pouco a ver com carioca, um perfil muito mais frio, mais racional. E também os anos de europa. E que os últimos seis, sete anos da carreira se preparou muito para ser treinador. (...) Ele aprendeu muita coisa com o Simeone, liderança, comportamentos defensivos, mas eu acho ele muito mais próximo de um Guardiola, de um Arteta, de um Maresca, de um De Zerbi. Acho muito mais próximo disso do que do Simeone ou mesmo do Jesus. Porque tem uma forma diferente de encarar o jogo. Também tem muito a ver com o assistente dele principal, que é um espanhol e tem toda a escola do Barcelona, do jogo posicional, e isso nota-se muito no que é o jogo do Flamengo hoje". 

Contratações

O Rubro-Negro está de olho no mercado da bola. Visando preencher ainda mais o estrelado elenco que tem, o diretor de futebol do clube carioca avaliou as possíveis contratações que serão feitas. 

"Claramente, o mercado sul-americano é neste momento pequeno para aquilo que é a realidade do Flamengo e a cultura do Flamengo. Não quer dizer que não haja no Brasil, na Argentina, no Equador, jogadores com muito potencial. Mas no Flamengo tem que trazer jogadores prontos para jogar, pela pressão que é. Isso é outra coisa que influencia muito: se não lidas bem com pressão, com Maracanã cheio, uma imprensa agressiva todos os dias... E é óbvio que jogadores com mais bagagem, mais experiência, suportam isso melhor do que outros. Além dessa ideia, há também uma ideia de trazer uma cultura mais europeia para dentro do clube. E tendo essas referências que temos hoje, Danilo, Jorginho, Alex Sandro, que são referências da forma como encaram a profissão, acaba por influenciar todos os outros. Essa é uma das ideias que tivemos e que fez parte do padrão de contratações. Não eram só jogadores que precisávamos em termos técnicos ou táticos, mas também a nível de mentalidade que trouxessem um plus ao clube", disse José Boto. 

O dirigente português complementou a questão, avaliando o tipo de atleta procurado pelo Flamengo:

"Se são jogadores que vão tremer no Maracanã, se tu chegas com uma imprensa negativa, dizendo que não é jogador para o Flamengo... Tem que ser muito forte mentalmente. Alguns deles (apostas no Shakhtar) eram capazes de vingar (no Flamengo) pela experiencia que já têm: Vitão, Maycon, Marcos Antônio, que são jogadores importantes nas equipes brasileiras onde jogam agora. Mas na altura que os levei para o Shakhtar, não vingariam com certeza neste Flamengo. Posso contar uma história: as razões que me fizeram não levar o Carrascal para o Shakhtar foram exatamente as mesmas que me fizeram levá-lo ao Flamengo. Eu estava no Benfica quando ele foi para o Sevilla. Depois quando vou para o Shakhtar, ele é emprestado ao Karpaty. Ele realmente jogava, um talento, jogador de rua, mas muito inteligente, que percebe o jogo facilmente. Era um pouco displicente porque gostava de adornar os lances todos, depois tinha uma vida fora das quatro linhas, já na Ucrânia, assim um pouco recomendável, não é? Mas tinha uma dose de loucura que fazia com que ele, dentro de campo não estava nem aí para a pressão de ninguém. Está mais maduro hoje, mas eu sabia que a pressão do Maracanã não ia afetar. Não está nem aí para a pressão das mídias, se calhar nem abria para ver o que estavam dizendo dele". 



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