
Em decisão unânime, a Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, do Governo Federal, concedeu, nesta terça-feira (2), perdão e uma indenização de R$ 100 mil ao ex-atacante José Reinaldo Lima, ídolo do Atlético-MG, que também teve passagem pela Seleção Brasileira.
Reinaldo foi perseguido pela ditadura militar entre os anos de 1978 e 1986, chegando a ser monitorado pelo Sistema Nacional de Informações (SNI), órgão que espionava e oprimia, com prisão e tortura, cidadãos contrários ao regime à época.
O ex-atleta era observado pelo Governo por conta de suas manifestações e também por sua clássica comemoração com o punho cerrado para o alto sempre que balançava as redes. O gesto de Reinaldo era comparado ao que faziam os militantes negros do movimento dos Panteras Negras , que protestava contra o racismo e a favor de mais direitos civis nos Estados Unidos naquele período.
"A sensação de estar sempre sobre a mira do estado era constante, isso gerou medo e insegurança que tiravam minha liberdade mais profunda, me fazendo sentir preso, mesmo estando solto", disse emocionado o ídolo do Galo durante a sessão desta terça.
"A campanha de difamação e a perseguição política me tiraram muitas oportunidades. Talvez, o exemplo mais evidente seja a não convocação para a Copa de 1982, onde, apesar de o treinador falar em questões físicas, todo mundo sabia que o motivo eram as restrições a meu suposto comportamento fora de campo", afirmou Reinaldo.

Ídolo do Galo
Lenda atleticana, Reinaldo chegou ao clube de Minas Gerais em 1973 e anotou 255 gols. Além disso, ele conqusitou sete campeonatos estaduais, a Copa dos Campeões do Brasil, em 1978, entre torneios da época.
Depois que pendurou as chuteiras, o antigo atacante se dedicou a vida política e foi eleito deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Ele também se tornou vereador em Belo Horizonte, em 2004.
Atualmente, aos 68 anos, Reinaldo atua como comentarista esportivo.