
Na última semana, a Mancha Alviverde, por meio de seu presidente, André Guerra Ribeiro, firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público de Mairiporã (SP), assumindo a responsabilidade civil pela emboscada contra cruzeirenses e pelo dever de indenizar as vítimas do caso ocorrido na Rodovia Fernão Dias, em 2024. Informação confirmada pelo Portal iG.
Segundo o jornalista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, o valor total da compensação é de R$ 2 milhões, parcelados ao longo de 60 meses, cinco anos, distribuídos da seguinte maneira:
R$ 1 milhão aos herdeiros de José Victor Miranda, torcedor cruzeirense morto na emboscada; R$ 200 mil à empresa dona do ônibus incendiado; e R$ 250 mil para o Fundo Municipal de Segurança de Mairiporã. O valor restante será destinado às demais vítimas da emboscada: as que sofreram lesões graves e gravíssimas receberão até R$ 80 mil, e aquelas com lesões leves terão direito a até R$ 20 mil.
Além disso, a Mancha Alviverde se comprometeu a manter uma lista de todos os associados, com cadastro contendo identificação nominal, nome completo, CPF, telefone celular e registro fotográfico de cada membro/associado, atualizada e enviada semestralmente à FPF e à Promotoria de Mairiporã.
Também deverá informar a Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal sobre todos os deslocamentos e comboios organizados pela agremiação para jogos e atividades da torcida. Por fim, a Mancha não poderá mais se envolver em episódios de violência e deverá punir e coibir que seus membros participem de atividades ilícitas envolvendo torcidas de times de futebol.
Assim, assumindo a autoria do ato, a organizada está liberada para retornar aos estádios, mas terá que cumprir as obrigações impostas pelo TAC. Além disso, o termo não impede que o MPSP processe os culpados na esfera criminal.
No final de setembro, a Justiça de Mairiporã, na Grande São Paulo, decidiu levar a júri popular 20 acusados pelos crimes de homicídio, sendo 15 também por tentativas de homicídio, incêndio e promoção de tumulto esportivo, pelo ocorrido. Dos 20 denunciados, 16 permanecem presos e quatro seguem foragidos. Ainda não há data para o julgamento.
Relembre o caso
Em outubro de 2024, torcedores organizados do Palmeiras armaram uma emboscada contra integrantes de uma torcida do Cruzeiro na Rodovia Fernão Dias, em Mairiporã, na Grande São Paulo. Os palmeirenses utilizaram pedaços de pau, pedras, barras de ferro e rojões no ataque. A investigação aponta que a Mancha Alviverde buscava vingança contra a Máfia Azul por uma briga perdida em 2022, em Minas Gerais.
O episódio ocorreu quando os cruzeirenses retornavam a Belo Horizonte (MG) após um jogo contra o Athletico Paranaense, em Curitiba (PR). Durante a emboscada, um dos ônibus da torcida foi incendiado e outro depredado. Além de 17 torcedores feridos, a ação resultou na morte do motoboy José Victor Miranda, de 30 anos, morador de Sete Lagoas (MG).