Um animado vídeo de uma roda de samba dos jogadores do Flamengo marcou a confraternização de despedida do técnico Jorge Jesus. Mas não eram apenas atletas que estavam presentes no Ninho do Urubu. De avental e touca, uma funcionária chamou a atenção pela qualidade com que tocava seu instrumento no pagode. Ela é Tia Cuti , cozinheira do elenco profissional e uma das pessoas mais carismáticas do clube.

mulher
Reprodução
Mulher viralizou em vídeo


Elenir de Souza, 55, está em sua segunda passagem pelo Flamengo . Moradora de uma comunidade em Padre Miguel, Zona Oeste do Rio, ela entrou no clube pela primeira vez em 2010, através de uma empresa terceirizada. Posteriormente, foi indicada por uma nutricionista e foi contratada para ser cozinheira, em 2016. Tia Cuti é mãe de seis filhos, mas cria 12 pois casou com o marido que também era pai de outros seis. A maioria, claro, é Flamengo.

Cuti recebeu dois convites para estar na celebração. Primeiramente, o de Rafinha, que se tornou um amigo pessoal da cozinheira graças ao samba. Semanas antes, ao saber que ela gostava do ritmo, o lateral-direito prometeu convidá-la para a próxima roda. Assim como Betinho, o preparador físico do clube, que foi o responsável por chamá-la durante o serviço. Ela ficou amiga até mesmo do ex-técnico Jorge Jesus.

— Jorge Jesus sempre falou com a gente. Chamava a gente para tirar foto e tudo. Ele sempre queria o que estava lá, nunca quis dar trabalho para a gente. Passava a mão no nosso ombro, desejava uma boa apetite. Ele não gosta de carne, então sempre pensávamos em outra opção. Estamos realmente sentindo a saída — conta Tia Cuti.

Inicialmente, a cozinheira recebeu um reco-reco em suas mãos. Tocou, mas não era a sua especialidade. Disse a Betinho que se dava melhor com um afoxé e foi prontamente atendida. Minutos depois, o vídeo que viralizou nas redes sociais estava publicado.

— A minha familia gosta muito de cantar e de samba. Todo final de ano, nossa reunião acaba em pagode. Minha irmã caçula, Viviane, e o irmão, Guto, também chegam junto — conta ela, que aprendeu a tocar instrumentos sozinha, sem escola ou cursos, apenas com a ajuda dos familiares.

O gosto por samba não é exagero. Tia Cuti é uma das compositoras da Unidos do Padre Miguel, escola que disputa o grupo de acesso do carnaval do Rio. Através de seus filhos, passou a frequentar a quadra e foi convidada para entrar na equipe. Ela ajuda a compôr os sambas que concorrem para estar na avenida, mas infelizmente nunca venceu uma votação — seu melhor resultado foi um segundo lugar.

Cuti também participa do bloco 'Chega Junto', que acontece três meses antes do carnaval na comunidade onde mora. Assim como na escola de samba, ela ajuda a escrever as canções ao lado da irmão, de um sobrinho e de um amigo, que também são intérpretes. No samba ou no Flamengo, Elenir é querida por onde passa.

— Até o final do ano estou aprendendo a tocar pandeiro. Minha família morava toda dentro de um único apartamento. Minha mãe tinha cinco filhos. Então, você se acostuma a cozinhar para muita gente. Cuidava de 12 crianças, cozinhar é festa — completa.

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