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Acosta, ex-jogador do Corinthians

O ex-atacante do Corinthians, o uruguaio Beto Acosta , que também teve uma boa passagem pelo Náutico e atuou com a camisa do Peñarol, lembrou ontem, durante uma entrevista a uma rádio do Uruguai, momentos marcantes da sua passagem pela equipe do Parque São Jorge.

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Contratado como protagonista e com um dos maiores salários do elenco, em 2008, o jogador não conseguiu repetir as boas partidas pela equipe alvinegra, mesmo assim, marcou gols importantes na Copa do Brasil daquele ano, quando formou a dupla com o argentino Herrera. No Brasileirão, pela segunda divisão, sofreu uma fratura na perna, mas, estava no elenco campeão. Por fim, também foi campeão paulista de 2009, mas, com pouco espaço - graças à chegada dos atacantes Ronaldo, Souza e Jorge Henrique -, não foi mais utilizado por Mano Menezes e pediu para ser liberado.

Questionado sobre sua passagem no Corinthians , o jogador assumiu que a chegada ao time paulista como protagonista o atrapalhou. “O Corinthians é um mundo. São 30 milhões de torcedores. Você joga em casa em todos os estádios, já que tem torcedores em todo o Brasil. São mais de 70 jornalistas todos os dias e mais de 1.500 pessoas nos treinamentos. Fui contratado como a figura principal e, nos primeiros meses, isso me custou muito”, afirmou.

Ao mesmo tempo que elogia a grandeza do clube, o jogador, que hoje está com 43 anos, lembra do encontro com a torcida após o Corinthians perder a final da Copa do Brasil para o Sport. Vale lembrar que, depois de vencer a primeira partida por 3 a 1, no Morumbi, a equipe paulista foi derrotada por 2 a 0 na Ilha do Retiro e viu o título escapar entre os dedos. O atacante, aliás, teve nos seus pés a chance de garantir a taça, mas, perdeu um gol na cara do goleiro. “A torcida parou todos os jogadores e ameaçou. Me falaram onde eu morava, onde meus filhos estudavam, onde minha esposa trabalhava. Me caguei todo e disse ao presidente que iria sair. Passei duas semanas treinando com medo. Você não pode viver assim”, lembrou ele, que já tinha escolhido o que faria com a premiação, em casa de título: “compraria dois apartamentos em Montevideo”.

Mas, a passagem pelo clube também ficou marcada por conhecer nomes importantes, como o atacante Ronaldo , o lateral-esquerdo, Roberto Carlos, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva . “Jogar com Ronaldo foi um sonho. Vocês têm que ver o respeito que eles têm por ele no Brasil. É como se fosse um presidente. É muito ídolo. Tivemos uma boa relação. Ele foi na minha casa, no aniversário da minha filha. Parou o quarteirão inteiro, tirou fotos com todo mundo. Minha filha chorou e disse: ‘o gordo veio, parou a festa e eu nem sabia quem ele era’”, brincou Acosta, completando: “Tínhamos (os jogadores) uma vida normal, mas, o Ronaldo não tinha. Ele não podia fazer nada. É uma vida muito louca. Agora, não falo muito com ele, mas tivemos um relacionamento muito bom”.

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Sobre o encontro com o ex-presidente do Brasil, Lula,  Acosta lembra que ele ocorreu após um título do Corinthians. “O conheci quando fomos campeão. Ele foi ao treinamento. Lula é muito parecido com Mujica (Pepe Mujica, ex-presidente e senador uruguaio), conversa com todo mundo. No encontro, troquei algumas palavras com ele e tirei fotos”, comenta.

O jogador, que vive um presente mais humilde e sem o glamour que tinha nos tempos de Corinthians, também confessou durante a entrevista que não soube cuidar do dinheiro que ganhou nos campos. “Ganhei muito (dinheiro) e perdi muito. São lições da vida, você tem que viver. 90% dos jogadores são pobres, conseguem o dinheiro, mas, muitos não estão preparados para isso. Eu não estava preparado. Às vezes, o jogador reclama de muitas coisas. Eu adorava concentrar. Lá comia e dormia bem. Alguns esquecem de onde vem, eu não. Tentei seguir os passos ensinados por ‘minha velha’ e o resto da minha família”, aponta.

Acosta atua hoje pelo Taguatinga, time de Brasília, sua 18ª equipe no futebol. Além de Corinthians e Náutico, o jogador conta com um extenso currículo, incluindo passagem pela seleção uruguaia e times como Brasiliense, Santos do Amapá, Taboão da Serra (SP), Sabugy (PB) e Atlético Carioca (RJ).

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