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"Dizem por aí que o clube está preocupado em reintegrar a sociedade um cidadão. Incrível, mas porque só o Bruno?", diz especialista

O Boa Esporte anunciou a contratação do goleiro Bruno, acusado de assassinato, ocultação, sequestro e cárcere privado da sua ex-amante Eliza Samudio. O atleta estava preso desde junho 2010 e foi condenado a 22 anos de prisão em regime fechado. Ele ganhou o direito de liberdade em fevereiro de 2017 e já está de volta ao futebol profissional.

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O anúncio do acerto com o goleiro Bruno gerou muita repercussão - negativa, principalmente, - e, além do grande destaque na imprensa, tem sido assunto constante nas redes sociais. Nunca se falou tanto na equipe da cidade de Varginha, no interior de Minas Gerais, e isso é péssimo.

Goleiro Bruno acena para os torcedores no treino do Boa Esporte
Alexandre Guzanshe / EM DA PRESS / Superesportes
Goleiro Bruno acena para os torcedores no treino do Boa Esporte

Diante disso, o Relações Públicas Guilherme Alf, especializado em comunicação e empreendedorismo, deu seu parecer sobre o caso. Segundo ele, a corrida para ser notícia parece não ter vindo com as regras de sensatez e de exemplo para o Boa Esporte, que vai disputar a Série B do Campeonato Brasileiro.

"Aos olhos da lei a equipe não está cometendo nenhum tipo de crime. Mas e aos olhos da opinião pública? Que imagem quer passar uma instituição que contrata um condenado por assassinato amplamente conhecido? Dizem por aí que o clube está preocupado em reintegrar a sociedade um cidadão. Incrível, mas porque só o Bruno? Será que o Boa Esporte não poderia contratar para outras funções (que não tivessem mídia) ex-detentos?", diz Guilherme.

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"O futebol é um caso à parte em nosso país. Tudo que acontece no mundo da bola tem uma repercussão completamente diferente. Nossas crianças crescem admirando e idolatrando os heróis de chuteira. Fico pensando em um jogo da Série B, estádio lotado e 30 mil pessoas chamando o goleiro de assassino em um único coro. O que o pai das crianças vai explicar a elas? Que tipo de imagem a instituição Boa Esporte quer passar? E a responsabilidade social com a imagem do esporte, onde fica?", questionou o profissional de RP.

De acordo com Guilherme Alf, o caso parece de um egoísmo e egocentrismo sem tamanho, já que, custe o que custar, doa a quem doer, o clube mineiro estará nas manchetes. "A repercussão tem sido rápida e negativa. Todos, eu disse, todos os patrocinadores já anunciaram que não irão apoiar o clube. Este é o tipo de decisão tomada sem olhar o contexto, sem analisar o real impacto negativo, sem compreender que os danos à marca da instituição podem ser gigantescos", abordou.

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Princípios éticos

Guilherme ainda aproveitou o ensejo e ofereceu seus serviços ao Boa Esporte. "Eu quero ajudar vocês a sair dessa lama que estão se enfiando. Vocês precisam de um trabalho de um Relações Públicas e eu me proponho a não cobrar R$ 1,00 para tentar gerenciar a imagem de vocês. Só tenho uma exigência: assumam o erro, voltem atrás e vamos devolver a imagem que o Boa Esporte merece", comentou.

"Mas se vocês querem alguém para usar a imagem de uma pessoa condenado por sequestrar, assassinar e ocultar o cadáver da mão do seu filho, não contem com um RP. A gente tem princípios éticos e responsabilidades em harmonizar relações verdadeiras. E na boa? Este não é o caso de vocês", finalizou Guilherme.

O goleiro Bruno tem 32 anos de idade e, na sua apresentação ao clube mineiro, evitou falar sobre Eliza Samudio e seu período na prisão. Além disso, o arqueiro ex-Flamengo, Corinthians e Atlético-MG admitiu que sonha em jogar na seleção brasileira.

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