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Empresa, no entanto, alega que não reassumiu por conta de cláusulas do Termo de Autorização de Uso; multa por dia pode ser de R$ 200 mil

Liminar determina que a concessionária reassuma imediatamente o contrato de gestão do Maracanã
Arquivo iG
Liminar determina que a concessionária reassuma imediatamente o contrato de gestão do Maracanã

Uma liminar do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) determinou que a Odebrecht, concessionária que lidera o consórcio Maracanã, a “reassumir imediatamente” a manutenção e operação do estádio, que se encontra abandonado e vem sendo dilapidado por moradores de rua.

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A liminar foi concedida nessa sexta-feira (13) pela juíza Fernanda Louzada, da 4ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. A magistrada acatou ação impetrada pela Procuradoria Geral do Estado (PGE). A liminar determina que o consórcio reassuma imediatamente o contrato de gestão, operação e manutenção do Complexo Maracanã . Em caso de descumprimento da decisão judicial, a concessionária estará sujeita à multa de R$ 200 mil por dia.

Na decisão, a juíza afirmou que “a conduta (da concessionária de recusar a reassumir a administração do complexo esportivo) parece incompatível com a finalidade do contrato de concessão, como já mencionado o princípio da continuidade do serviço público e com as próprias cláusulas do Termo de Autorização de Uso”.

Na petição inicial, assinada pelo procurador-geral Leonardo Espíndola e pelo procurador do Estado, Joaquim Rohr, a PGE argumentou que “não há qualquer justificativa juridicamente plausível para que a concessionária deixe de cumprir o contrato”.

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Leonardo Espíndola acrescentou que a empresa se recusa a reassumir a administração do complexo esportivo, alegando que o Comitê Rio 2016 não concluiu algumas obras necessárias para devolução do estádio depois dos Jogos Olímpicos.

Segundo a PGE, a não conclusão dessas obras não impede que a concessionária reassuma a administração do complexo. A PGE argumentou ainda, segundo nota divulgada pelo Palácio Guanabara, que o estado de abandono do Maracanã se agrava a cada dia, “podendo vir a gerar um sério problema de comprometimento da própria função pública dos estádios, que é servir de palco para grandes eventos esportivos e culturais”.

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Conforme a petição da PGE, o descaso da concessionária com o patrimônio público vem ocasionando “um grave prejuízo ao Erário e à população, que se vê privada de seu principal estádio, às vésperas do início do Campeonato Carioca, no qual os grandes clubes pretendem realizar seus principais jogos no maior estádio de futebol do Rio de Janeiro”.

A petição da PGE também faz referência aos constantes furtos de mobiliários que o Maracanã vem sendo alvo, “em razão da falta de manutenção e de vigilância, em flagrante descumprimento das obrigações contratuais assumidas pela concessionária”.

OUTRO LADO

A concessionária Complexo Maracanã Entretenimento S.A alega, no entanto, que "só não reassumiu o Complexo Maracanã por conta das cláusulas do Termo de Autorização de Uso (TAU - em anexo), documento que disciplinou o uso do estádio e do ginásio pelo Comitê Rio 2016 durante os Jogos Olímpicos". Confira a nota completa abaixo. 

"A Concessionária que administra o Maracanã analisa qual decisão tomar frente à liminar obtida pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. Independentemente da decisão, a empresa reitera que só não reassumiu o Complexo Maracanã por conta das cláusulas do Termo de Autorização de Uso (TAU - em anexo), documento que disciplinou o uso do estádio e do ginásio pelo Comitê Rio 2016 durante os Jogos Olímpicos.

De acordo com o contrato firmado entre a Casa Civil e o Comitê, o Maracanã e o Maracanãzinho só deveriam sair da administração da Rio 2016 depois de feitos todos os reparos. O próprio Comitê Rio 2016 admite que deixou várias pendencias nas instalações. 

Entre as pendências apontadas pela vistoria da concessionária estão: a falta de um laudo que ateste que a cobertura não tenha sofrido danos mesmo após uma carga de 189 toneladas usada pelo Rio 2016, quando o Manual de Uso da construção prevê limite de 81 toneladas; falta de cadeiras nas arquibancadas, sumiço das catracas eletrônicas, publicidade do Comitê espalhada por todo o estádio, fechaduras quebradas, lixo espalhado e gramado em más condições."​

De qualquer forma, o Maracanã, estádio lendário, que já recebeu duas finais de Copa do Mundo, viu Pelé marcar o milésimo gol e tantos outros eventos importantes do mundo esportivo e cultural, segue sem manutenção. Reunião na próxima semana entre a federação carioca de futebol (Ferj) e os clubes pode definir quem irá assumir a responsabilidade. *Com informações da Agência Brasil.

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