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Em tentativa de aproximação com a Fifa, CBF esbarra no próprio presidente

Marco Polo Del Nero, atual presidente da CBF
Rafael Ribeiro / CBF
Marco Polo Del Nero, atual presidente da CBF

O secretário-geral da CBF, Walter Feldman, confirmou ao Estadão um encontro com a secretária-geral da Fifa, a senegalesa Fatma Diouf Samoura. "Desde que a secretaria Fatma assumiu, nós combinamos um encontro para conhecimento mútuo", disse o dirigente, que afirma que a reunião foi apenas protocolar.

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No entanto, segundo fontes ligadas à Fifa, o encontro na verdade teria sido mais uma tentativa da CBF em conseguir os R$ 327 milhões pertencentes ao fundo de legado da Copa do Mundo.

O fundo de legado da Copa do Mundo brasileira foi assinado em 2014 em acordo entre a Fifa e a Confederação Brasileira de Futebol. Na época, encontraram-se Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, ex-presidente e atual presidente da CBF, respectivamente.

O ex-presidente José Maria Marin está envolvido em esquema de corrupção na Fifa, chegou a ficar 160 dias detido em Zurique, na Suiça e agora se encontra em prisão domiciliar em Nova York. O atual dirigente também é suspeito de corrupção e vem sendo investigado pela polícia americana.

Tendo em acordo R$ 327 milhões, este montante deveria ser investido no futebol de categorias de base e no futebol feminino. O contrato defende que os programas sociais e instalações de infraestrutura devem ser construídos em cidades brasileiras que não sediaram jogos da Copa.

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Barreira

No entanto, essa tentativa de aproximação da CBF com a entidade máxima do futebol fica bloqueada pelo atual presidente brasileiro, Marco Polo Del Nero, que vem sendo investigado de corrupção pelo FBI.

Mais uma vez a Fifa disse "não" sobre a liberação da verba, justificando que só entregará os R$ 327 milhões quando Del Nero sair da presidência da CBF.

Também membro da Conmebol, Marco Polo Del Nero, de 75 anos, é acusado de lavagem de dinheiro, conspiração nos Estados Unidos, além de fraude eletrônica por suposto recebimento de propina em contratos da CBF com a Copa do Brasil, Copa América e Libertadores.

O dirigente não deixa o Brasil há quase dois anos, já que pode ser preso se pisar em solo americano ou qualquer outro país que tenha acordo de extradição com os Estados Unidos. Del Nero ainda é investigado por corrupção desde novembro de 2015 pelo Comitê de Ética da Fifa.

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No Brasil, a CPI do Futebol investigou o presidente da CBF por má gestão da entidade privada e também corrupção.

Walter Feldman não confirmou o pedido da verba e desconversou à negação da Fifa. “Tudo foi perfeito. Vamos encerrar o ano neste clima”, disse o secretário-geral da CBF.

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