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Dono de uma personalidade forte, maior ídolo do futebol búlgaro chega aos 50 anos com uma história de muitas glórias

Histro Stoitchkov é um dos maiores ídolos da história do Barcelona com 336 jogos e 162 gols marcados
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Histro Stoitchkov é um dos maiores ídolos da história do Barcelona com 336 jogos e 162 gols marcados

Durante os anos 90 você juntar as combinações de um herói, ídolo e polêmico em um jogador de futebol era quase um clichê. Romário, Maradona, Neto, Renato Gaúcho, Redondo, Edmundo, Paul Gascoigne e Eric Cantona são só alguns exemplos de jogadores que iam do besta ao bestial dentro de 90 minutos de uma partida ou que permitiam que sua personalidade fora de campo fosse tão presente quanto sua genialidade dentro de campo. Porém, poucos foram tão unanimes e tão intensos em sua trajetória quanto Histro Stoitchkov, maior jogador da história da seleção búlgara.

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Habilidoso e veloz, Histro demonstrou um temperamento forte desde muito jovem, arrumando confusão na escola e nas ruas da cidade de Plovdiv, segunda maior da Bulgária. Começou sua trajetória futebolistica no Maritsa Plovdiv, da segunda divisão do futebol local. Rodou por vários clubes do país, sempre arrumando encantando pelo seu futebol e assustando pela sua personalidade. Temeroso pelo futuro do filho, o pai do jogador, Stoitchko Stoitchkov, que trabalhava no Ministério da Defesa Búlgara, conseguiu uma vaga para Histro no CSKA Sófia, um dos times mais populares do país e que pertencia ao exército local, na esperança que a disciplina militar pudesse colocar o filho nos eixos e permitisse uma carreira brilhante ao jogador.

O plano de Stoitchko funcionou de forma parcial, uma vez que no clube da capital Histro se destacou como um jogador brilhante que levou a equipe à diversas conquistas ao mesmo tempo que aguçou seu lado polêmico e temperamental. Em 1985, logo em seu primeiro ano no CSKA, Stoichkov fez um dos gols da vitória por 2 a 1 sobre o Levski Sofia, pela final da Copa da Bulgária, e arrumou uma grande confusão ao trocar socos com jogadores do time rival. A confusão causou severas punições para os clubes e para Stoichkov, sendo o CSKA e o Levski banidos do futebol búlgaro, sendo obrigados a mudar de nome e Histro também foi banido. Um ano depois, tanto o jogador quanto os times conseguiram a anistia dos líderes comunistas do país e puderam voltar.

Depois de seis anos e sete títulos pela equipe búlgara, chegou a hora de Stoitchkov alçar voos mais altos no Barcelona .

Stoitchkov foi o grande nome do título do Barcelona na Liga dos Campeões de 1992
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Stoitchkov foi o grande nome do título do Barcelona na Liga dos Campeões de 1992

Na Espanha o jogador finalmente atingiu todo o seu potencial. Depois de um início complicado com contusões e seguidas suspensões, Histro ajudou o clube catalão, ainda uma segunda potência do país, a quebrar a série de cinco conquistas consecutivas do Real Madrid  e deu início, ao lado do técnico Yohann Cruyff, a primeira grande Era de conquistas da equipe.

Nas três primeiras temporadas, a parceria conquistou três vezes a Liga Espanhola, duas vezes a Supercopa da Espanha e uma Liga dos Campeões. Perderia o Mundial para o São Paulo  de Telê Santana, partida na qual o búlgaro abriu o placar para os espanhóis e depois viu Raí marcar duas vezes para definir o primeiro título de campeão do mundo da equipe brasileira.

Veja gols de Histro Stoitchkov:

"Romário é o melhor jogador do Brasil na história", diz Histro

Foi na temporada 1992-1993 que Histro deu início a uma parceria curta, mas intensa com o atacante brasileiro Romário. Depois de cinco temporadas de muito brilho atuando pelo PSV Eindhoven, o atacante se transferiu para o Barcelona a pedido do técnico holandês.

Histro e Romário formaram uma das melhores duplas de ataque da história do Barcelona
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Histro e Romário formaram uma das melhores duplas de ataque da história do Barcelona

No início, a imprensa chamou a atenção para o temperamento dos dois jogadores, afirmando que dois jogadores tão polêmicos não poderiam atuar juntos, sendo concorrentes a uma vaga no ataque. Mas o tempo mostrou que todos estavam errados e Histro e Romário formaram uma duplas letal que levaram o Barcelona aos 91 gols eo quarto título seguido na Liga Espanhola. Não levariam a Liga dos Campeões por conta de um "apagão" na final contra o Milan , que gerou uma derrota por 4 a 0.

Uma parceria improvável entre dois baixinhos "bad boys" gerou uma grande amizade e admiração. Em entrevista exclusiva ao iG Esportes em 2009 , o ex-atacante búlgaro colocou o ex-companheiro a frente de Ronaldo, com quem também atuou no Barcelona, e até de Pelé, considerando o atacante o melhor da história do Brasil.

"(Romário) foi o melhor jogador do Brasil na história", disse Histro, "Jogamos dois anos juntos no Barcelona. Pra mim ele era o melhor dentro da área. E também sempre tive uma boa relação com ele, com os filhos, com a ex-mulher Mônica. Então, pra mim o Romário era o melhor amigo, o melhor profissional, o melhor camisa 9 na área. Muito melhor que qualquer outro. Joguei com Rivaldo, Ronaldo, Giovanni, Sonny Anderson e outros jogadores. Mas tudo é diferente. Rivaldo era um dos melhores meias do mundo. Ronaldo, duas vezes o melhor jogador do mundo. Romário, campeão do mundo. Depois do Pelé foi quem mais marcou gols na história do Brasil. Sonny Anderson, um dos melhores atacantes do futebol francês, também jogou alguns anos no Barcelona. E Giovanni... Então, muitos brasileiros fizeram parte da minha história no Barcelona, mas o top dos tops foi Romário.", completou o ex-camisa 8 catalão.

A parceria durou pouco mais de um ano, depois da Copa do Mundo de 1994, Romário, já eleito melhor jogador do Mundo, decidiu voltar ao Brasil para jogar no Flamengo . Deixou para trás uma história brilhante e uma amizade com o búlgaro, que seguiria na equipe.

A Copa dos Estados Unidos e a consagração definitiva

Stoitchkov teve uma história de mais de 10 anos com a camisa da seleção búlgara, mas ficou marcado pelo brilhantismo que conduziu a equipe à semifinal da Copa do Mundo de 1994, disputada nos Estados Unidos.

Apesar de muitos compararem a daquele ano Búlgaria ao Brasil campeão, no qual um time esforçado se juntava a um craque que iria carregar o time nas costas, Histro considera aquela a melhor geração de todos os tempos no seu país e que era, inclusive, melhor que Argentina e Alemanha, seleções que ficaram para trás durante a campanha búlgara.

Stoitchkov foi o artilheiro e conduziu a Búlgaria ao quarto lugar na Copa do Mundoo 1994
Rick Stewart/Getty Images
Stoitchkov foi o artilheiro e conduziu a Búlgaria ao quarto lugar na Copa do Mundoo 1994

A façanha poderia ser maior se não fosse uma desastrosa atuação do árbitro francês Joel Quiniou durante a partida da semifinal contra a Itália. Durante a derrota por 2 a 1, Joel deixou de marcar duas penalidades para a equipe de Histro que poderiam ter mudado a história do confronto. No duelo entre Roberto Baggio e Histro Stoitchkov, o então melhor do mundo levou a melhor com dois gols marcados contra apenas um do búlgaro, que acabaria, ao lado de Oleg Salenko, artilheiro da Copa de 1994 com seis gols marcados na campanha que culminou com o quarto lugar. No final da temporada, o jogador foi eleito o Bola de Ouro de melhor jogador da Europa.

Após a façanha na Copa, Histro se sentia consolidado e pronto para ser um dos melhores da história do futebol.

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"Existem dois Histros (Em búlgaro, o nome Histro significa Cristo), um no céu e outro na terra...ambos fazem milagres", declarou meses depois da campanha histórica no mundial.

No total, foram 83 jogos pela sua seleção, com 37 gols marcados.

A decadência e o fim de carreira na Major League Soccer

Porém, o atacante estava errado e depois da Copa de 1994, o rendimento do atacante, ainda com 28 anos, começou a cair. Deixou o Barcelona em 1995 depois de constantes brigas com Cruyff e se transferiu para o Parma, da Itália. Voltou ao Barcelona após a saída do holandês e, já sem o mesmo brilho, atuou ao lado Ronaldo e Rivaldo.Apesar da falta de protagonismo, venceu uma Supercopa da Espanha e e uma Copa do Rei.

Deixou a equipe em 1998 para voltar ao CSKA Sófia. Sem brilho se transferiu no mesmo ano para o Al-Nassr e Kashiwa Reysol. Depois de uma rápida aposentadoria para ser auxiliar-técnico na seleção búlgara.

No final da sua carreira, Histro se tornou um dos primeiros astros da MLS
Jonathan Daniel/Getty Images
No final da sua carreira, Histro se tornou um dos primeiros astros da MLS

Seduzido pelo dinheiro americano, Stoitchkov se tornou um dos primeiros grandes nomes do futebol europeu a jogar a MLS. Chegou em 2000 ao Chicago Fire, pelo qual ganhou o US Open, e seguiu, em 2003 para o DC United, pelo qual conquistou a MLS Cup e encerrou a carreira em 2004, aos 38 anos.

Se aventurou, também sem sucesso como técnico, passando pela seleção da Búlgaria, pelo Celta de Vigo e pelo CSKA Sófia.

Apesar da trajetória de um apíce curto e marcado pelas suas polêmicas, Histro Stoitchkov teve o seu nome cravado na história do futebol, sendo considerado um dos melhores jogadores de todos os tempos, o maior da Búlgaria e o comandante de uma vitoriosa era no Barcelona.

Ficha técnica:

Histro Stoitchkov foi eleito o Bola de Ouro do futebol europeu em 1994
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Histro Stoitchkov foi eleito o Bola de Ouro do futebol europeu em 1994

Nome: Histro Stoitchkov Stoitchkov ("São dois Stoitchkov, pois um só era pouco para tanto talento", declarou certa vez.)

Nascimento: 08 de Fevereiro de 1966, em Plovdiv, Bulgária.

Posição: Atacante

Clubes: Maritza Plovdiv-BUL (1982), Hebros-BUL (1982-1984), CSKA Sofia-BUL (1985-1990 e 1998), Barcelona-ESP (1990-1995 e 1996-1998), Parma-ITA (1995-1996), Al-Nassr-ARS (1998), Kashiwa Reysol-JAP (1998-1999), Chicago Fire-EUA (2000-2002) e DC United-EUA (2003-2004).

Títulos: 3 Campeonatos Búlgaro (1986-1987, 1988-1989 e 1989-1990), 3 Copas da Bulgária (1986-1986, 1987-1988 e 1988-1989) e 1 Supercopa da Bulgária (1989) pelo CSKA Sofia.

1 Liga dos Campeões da UEFA (1991-1992), 1 Recopa da UEFA (1996-1997), 2 Supercopas da UEFA (1992 e 1997), 5 Campeonatos Espanhol (1990-1991, 1991-1992, 1992-1993, 1993-1994, 1997-1998), 2 Copas do Rei (1996-1997 e 1997-1998) e 4 Supercopas da Espanha (1991, 1992, 1994 e 1996) pelo Barcelona.

1 Recopa da Ásia (1997-1998) pelo Al-Nassr.

1 US Open (2000) pelo Chicago Fire.

1 MLS Cup (2004) pelo DC United