
Durante o primeiro dia de atividades no Autódromo de Interlagos, a Fórmula 1 foi palco de uma experiência marcante para 30 jovens brasileiras selecionadas para a quarta edição do FIA Girls on Track Brasil: Experiência para Estudantes. Promovida pela Comissão Nacional Feminina de Automobilismo (CFA) da CBA, a ação colocou meninas dos ensinos médio e superior nos bastidores do GP de São Paulo.
As participantes foram escolhidas entre mais de duas mil inscritas e representaram a diversidade do país, com estudantes brancas, pretas, indígenas e asiáticas, vindas do Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. A jornada contou com uma programação de atividades, com direito a encontros com nomes de peso do automobilismo.
Palestras e encontros
Logo pela manhã, as garotas participaram de palestras com figuras importantes do setor, como Giovanni Guerra, presidente da CBA e criador da CFA; Fabiana Ecclestone, vice-presidente da FIA para a América do Sul; e Luanda Guerra, da Associação Automobilística do Brasil. O foco dos encontros foi mostrar que a paixão pelo automobilismo pode ultrapassar barreiras de formação, já que, entre os convidados, havia desde advogados até cirurgiões vasculares.

Além disso, elas tiveram contato direto com profissionais que atuam no universo da F1, como engenheiros da Mercedes, membros da Oracle e jornalistas esportivas como Mariana Becker, Nathalia De Vivo e Erica Hideshima. “Eles compartilharam suas experiências e mostraram caminhos possíveis dentro do esporte, mesmo para quem está fora das pistas”, comentou Rachel Loh, integrante da CFA e uma das coordenadoras do projeto.

Pit lane, pódio e encontro com ídolo
Após as conversas, o grupo seguiu para um tour pelos bastidores do circuito, incluindo passagens pela pit lane, boxes do safety car e medical car, além das áreas das equipes Mercedes e Visa Cash App Racing Bulls.
O ponto alto, no entanto, veio no paddock, quando Gabriel Bortoleto, piloto brasileiro da Fórmula 1, surgiu de surpresa para uma foto com as participantes.
“O dia superou nossas expectativas. As meninas aprenderam muito e tiveram uma vivência real da estrutura por trás de uma corrida de Fórmula 1”, celebrou Rachel. A organização também contou com o trabalho voluntário de mulheres ligadas à CFA, que ajudaram a viabilizar a experiência.
Sonhos e representatividade
Entre as participantes, o sentimento era de realização. Ana Gabriely, de São Paulo, que cursa psicologia, revelou seu desejo de trabalhar com esportes: “Tenho interesse em atuar na área dentro do automobilismo”. Luiza Sato, do Recife, destacou a importância da diversidade: “Quero focar em acessibilidade no esporte”. Já Rafaela Mayumi, do interior de São Paulo, mencionou o sonho de trabalhar com mídia nos bastidores da F1.

Segundo a presidente da CFA, Bia Figueiredo, a iniciativa é um passo concreto para abrir portas às mulheres no automobilismo: “Mais uma vez realizamos o sonho de meninas que querem fazer parte desse universo. A cada edição, mostramos que esse futuro é possível.”