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Projeto de construção de autódromo no Rio de Janeiro começa com negócios suspeitos e mobiliza o Ministério Público e a CVM

IstoÉ

Projeto do novo autódromo de Deodoro, no Rio de Janeiro
Divulgação
Projeto do novo autódromo de Deodoro, no Rio de Janeiro

O projeto de instalação do novo autódromo de Deodoro, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro – parte fundamental dos planos do presidente Jair Bolsonaro de tirar as corridas de Fórmula 1 de São Paulo – começou mal.

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Pelo jeito, na melhor das hipóteses, a implantação do autódromo de Deodoro , prevista até 2020, dificilmente será cumprida. Negócios pouco transparentes e falta de recursos próprios para realizar as obras colocaram a Rio Motorpark, empresa vencedora da licitação para construir a pista, sob suspeita.

Criada 11 dias antes da licitação, a Rio Motorpark tem um baixo capital, insuficiente para o projeto. O autódromo vai custar R$ 697 milhões e seu capital social é de R$ 100 mil. Além disso, o Ministério Público detectou que a licitação pode ter sido dirigida para favorecê-la.

Apenas ela participou do processo, sem qualquer concorrência, e sua proposta foi aprovada pela Prefeitura do Rio no mesmo dia da apresentação, 20 de maio. Para escolher a vencedora, a Prefeitura afirma que aceitou garantia de “banco de primeiro linha”, sem considerar que esse fiador, o Maxximus Bank, não está autorizado a operar pelo Banco Central como banco.

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Segundo a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a situação cadastral, patrimonial e física da Rio Motorpark não é compatível com o tamanho do projeto em Deodoro. A Rio Motorpark é uma holding que reúne várias empresas, entre elas a Golden Goal Sports Ventures, alvo da Polícia Federal na Operação Panatenaico, em 2017, que investiga superfaturamento de R$ 900 milhões nas obras do estádio Mané Garrincha, em Brasília.

A CVM decidiu abrir uma investigação sobre a Rio Motorpark depois que seu presidente, José Antônio Soares Pereira Junior, conhecido como JR Pereira, deu uma entrevista em que falou que fundos de investimentos bancariam os R$ 697 milhões previstos para a construção, sem especificar a origem dos recursos. A CVM pretende saber quais são os fundos que bancarão a construção.

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Em declarações à imprensa, JR Pereira disse que a alocação de recursos para a operação será feita no exterior, com fundos internacionais, e que a Rio Motorpark tem sido alvo de “caça às bruxas”.

Segundo ele, “a empresa respeitou todos os parâmetros do edital de licitação e não é um problema ter capital social de R$ 100 mil”. “Ainda não existe definição sobre a forma de captação de recursos e/ou obtenção de financiamento para a construção do novo autódromo de Deodoro ", afirmou. Agora resta saber de onde virá o dinheiro para o projeto.