José Luiz Rodrigues e Robinho
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José Luiz Rodrigues e Robinho

O prefeito de Aparecida (SP), José Luiz Rodrigues (PL), mencionou nesta semana a possibilidade de incluir o ex-jogador Robinho, preso em Tremembé (SP), em uma futura atividade de ressocialização no município. A fala ocorreu ao final de uma live no Instagram e gerou repercussão na cidade.

A prefeitura informou ao Portal iG neste sábado que não existe projeto, convênio ou negociação relacionada à participação do ex-atleta.

O que o prefeito disse na live

Durante a live, o prefeito afirmou que estudava a hipótese de incluir Robinho em atividades educativas ligadas ao esporte, caso houvesse autorização legal.

Ele citou convênios do município com a Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel”(Funap), que permite o trabalho de detentos em serviços públicos.

Rodrigues questionou, de forma aberta aos espectadores, os motivos que impediriam a participação do ex-jogador em ações do tipo. "Tem vários trabalhando aqui em Aparecida [...] e nas cidades vizinhas. É um trabalho de ressocialização".

Ele mencionou episódios de preconceito e racismo ao vivo como um possível motivo para criticarem a possibilidade, relacionando o debate ao período próximo ao Dia da Consciência Negra.

"Por que não pode o Robinho? Por que o preconceito? Por que o racismo?"

Ao falar sobre o tema, o prefeito argumentou que Robinho poderia ensinar futebol a crianças e atrair público às atividades esportivas citadas por ele.

A transmissão foi encerrada logo após o trecho sobre o assunto, embora a live não tivesse sido criada com esse tema como foco principal.

Condenação e situação jurídica de Robinho

Robson de Souza, o Robinho, cumpre pena na Penitenciária 2 de Tremembé, no interior de São Paulo, desde março de 2024.

Ele foi condenado na Itália por participação em estupro coletivo ocorrido em 2013, sentença confirmada definitivamente em 2022 e homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo a Lei de Execuções Penais, o ex-atacante pode obter remição por estudo ou trabalho.

Ele também pode solicitar progressão ao regime semiaberto após cumprir 40% da pena, o que deve ocorrer no segundo semestre de 2027, desde que mantenha bom comportamento.

Em fevereiro, Robinho pediu redução da punição alegando cursos realizados a distância. O Supremo Tribunal Federal (STF), porém, manteve a prisão ao rejeitar recurso da defesa. No início de setembro, o STJ também negou novo pedido para recálculo da pena.

Reação e posicionamento

A repercussão levou o Portal iG a solicitar esclarecimentos à administração municipal e à Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo.

A assessoria da prefeitura informou que “não há nenhum projeto ou tratativa em andamento”, indicando que a fala do prefeito se referiu apenas a uma possibilidade mencionada de forma espontânea na transmissão.

Não houve manifestação adicional da administração sobre eventuais estudos formais para eventual participação do ex-jogador em ações municipais.

O Portal iG ainda entrou em contato com a Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo para saber se houve algum pedido relacionado a Robinho, mas não teve retorno até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto.

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