Tamanho do texto

Genaro Ledesma afirma que Argentina aceitou receber presos políticos em troca da vitória na Copa de 1978

Um político sobrevivente da Operação Condor (união de países sul-americanos sob regime ditatorial nos anos 60 e 70 para caça de opositores) afirmou que a polêmica vitória por 6 a 0 dos argentinos diante do Peru que eliminou o Brasil na Copa do Mundo de 1978, realizada na Argentina, foi um acordo entre as ditaduras dos dois países para melhorar a imagem do regime.

Deixe o seu recado e comente a notícia com outros torcedores

O ex-senador Genaro Ledesma, agora com 80 anos, era um dos opositores do ditador peruano Francisco Morales Bermúdez e, segundo sua versão, dada ao jornal Tiempo Argentino , fora sequestrado e seria enviado, junto com outros 12 presos políticos à Argentina. O ditador Jorge Videla, da Argentina, no entanto, não os aceitou gratuitamente. Em troca, teria pedido que a seleção peruana entregasse o jogo para os argentinos.

Leia também: Ao iG, Kempes nega manipulação e afirma que "não fazia política, fazia gols"

Segundo Ledesma, seleção argentina, da qual Kempes foi artilheiro, chegou à final com trapaça
Getty Images
Segundo Ledesma, seleção argentina, da qual Kempes foi artilheiro, chegou à final com trapaça

As acusações foram feitas diante do juiz Norberto Oyarbide, de Buenos Aires, que na semana passada havia pedido a prisão de Bermúdez pelos crimes cometidos enquanto governava o Peru, entre 1975 e 1980. O ex-ditador, hoje com 90 anos, no entanto, nega que tenha feito parte da Operação Condor, e que não tem nada a acertar com a Justiça da Argentina.

Na ocasião, Brasil, Argentina e Peru, juntamente com a Polônia formavam o Grupo B da segunda fase da competição. Na última rodada do quadrangular o Brasil enfrentou os poloneses, com vitória brasileira por 3 a 1. Com isso, seria necessária uma vitória de ao menos quatro gols de diferença do time argentino, que jogaria logo em seguida, sobre os peruanos para superar os brasileiros pelo saldo de gols. A vitória veio, mas só após, segundo o ex-senador, os dois países combinarem o resultado.