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Equipes ignoram profissionalização do futebol e impedem cores de times rivais em patrocínios

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Logotipo do Banrisul é azul, mas virou vermelho e branco no Inter
O Botafogo aceitou que a empresa de bebidas patrocinadora do estádio Engenhão trocasse as cadeiras azuis pela vermelha , a mesma da marca de um de seus produtos e que, para a oposição do clube, remete ao arquirrival Flamengo . A diretoria retrucou, dizendo que a ação permite faturamento para montar um time forte.

Porém, em outros clubes do país e do mundo, a medida não teria nem discussão. Mesmo com as mudanças econômicas e a crescente profissionalização do futebol, algumas equipes mantêm o tradicionalismo acima de qualquer acordo, inclusive proibindo em estatuto qualquer exposição de cores rivais.

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No estádio do Boca Juniors, vermelho da Coca-Cola virou preto
Divulgação
No estádio do Boca Juniors, vermelho da Coca-Cola virou preto

No Brasil, o maior exemplo desta intolerância pode ser encontrado em Porto Alegre. Vermelho não entra no estádio Olímpico e azul não atravessa os portões do Beira-Rio. Até mesmo jogadores de Inter e Grêmio são orientados a não usarem roupas ou carros nas cores do rival. O banco Banrisul, atual patrocinador das duas equipes, possui o logo azul. Porém, no uniforme do Inter e em banners presentes no clube, a marca é estampada em vermelho ou branco.

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Segundo o dirigente Paulo César Verardi, diretor de marketing do Grêmio, não existe valor capaz de quebrar essa regra. “Acho que isso é significativo e mais forte aqui no Rio Grande do Sul pela própria característica do povo gaúcho, pela dicotomia muito grande existente na nossa população. A presença de torcedores de Grêmio ou Inter fora do estado é muito pequena. Por isso é preciso preservar essas tradições, reservar esse direito do torcedor para que a cor do rival não seja usada”, disse Verardi.

Durante oito anos, a Coca-Cola patrocinou a camisa do Grêmio. O tradicional vermelho da marca foi substituído pelo preto e branco no uniforme e nos banners. Até hoje a empresa tem contrato com o clube, mas com publicidade no estádio Olímpico. Para Verardi, interromper essa tradição poderia causar uma "guerra civil" na capital do Rio Grande do Sul.

No estádio do Boca Juniors, vermelho da Coca-Cola virou preto
Divulgação
No estádio do Boca Juniors, vermelho da Coca-Cola virou preto
“Isso é algo contratual, inclusive. Segurado no estatuto do clube. No passado, houve tentativas de se discutir isso, propostas de empresas, mas é algo arraigado na cultura. Além disso, a vantagem é que são apenas duas cores, vermelho e azul, que são cores praticamente contrárias, então não limita tanto. Mas é totalmente impensável, seria um caos, capaz de criarmos uma guerra civil com isso”, disse Paulo César Verardi.

Boca Juniors
No estádio do Boca Juniors, ‘La Bombonera’, os outdoors da Coca-Cola também são pintados de preto e branco. O vermelho é uma das cores do River Plate, principal rival da equipe argentina. A medida foi a solução que diretores da empresa encontraram para poder patrocinar o time que carrega o azul e o amarelo no emblema.

Besiktas
Na Turquia, a rivalidade obrigou até mesmo uma empresa mudar as cores de seu restaurante, mesmo sem patrocinar a equipe em questão. Como o McDonald's possui as mesmas cores do Galatasaray, nos arredores do estádio do Besiktas a rede resolveu mudar as tradicionais cores em vermelho e amarelo para branco e preto, evitando confusões com os torcedores do Besiktas ou um possível boicote.

Cruzeiro
O Banco BMG, que patrocina o Cruzeiro e outros grandes clubes do futebol brasileiro, tem a logomarca laranja, em um tom forte. Na camisa do Cruzeiro, a publicidade sobre o azul escuro ficou com um aspecto estranho. O departamento de marketing do time tentou com o banco usar a mesma logomarca em branco, mas a instituição financeira não topou e bateu o pé para permanecer com seu padrão.

Atlético-MG
No livro “Atlético Mineiro: raça e amor”, o jornalista Ricardo Galuppo conta duas histórias sobre o fanatismo de presidentes da equipe mineira. O atual presidente, Alexandre Kalil, mandou pintar de preto o orelhão da operadora Telemar, azul, instalado no CT do clube, em Vespasiano.

Outro episódio ainda mais impressionante aconteceu no mandato do ex-presidente Nélio Brant, que mandou pintar o manto azul da imagem de Nossa Senhora das Graças, que protegia a sede do clube. Depois de muitos protestos, até da Igreja Católica, voltaram atrás e pintaram a santa de azul novamente. Segundo alguns atleticanos mais fanáticos, essa ofensa com a imagem da santa seria a responsável pela seca de títulos que o time mineiro atravessa.

Racing
Ao patrocinar um clube, a empresa quer dar mais visibilidade para sua marca. Certo? Nem sempre. Na Argentina, o banco Hipotecário Nacional fechou acordo com o Racing pela parte ‘nobre’ da camisa. Ao invés de lotar o uniforme com seu logo, o banco, decidiu manter a camisa limpa, sem nenhum sinal de patrocinador. “Nós devolvemos a camisa à torcida” é o lema do banco.

Palmeiras
A parceria do time paulista com a empresa italiana Parmalat não foi inovadora apenas no ponto de vista de administração, já que a multinacional contratou jogadores e pagou salários, algo hoje feito em outros clubes. Com o patrocínio, o Palmeiras sofreu uma das maiores mudanças em sua camisa, passando do verde-esmeralda, famoso nos tempos da "Academia", para um verde num tom claro e com listras verticais brancas, incluídas pela primeira vez naquele período.