Treinador do Fluminense contou sobre o acidente que matou seu filho mais novo e de onde tirou forças para voltar a trabalhar com a equipe do clube

Abel Braga
LUCAS MERÇON/FLUMINENSE F.C.
Abel Braga

O filho mais novo de Abel Braga morreu em 29 de julho, vítima de um acidente doméstico no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro. João Pedro, de 19 anos de idade, era diagnosticado com epilepsia e caiu da janela panorâmica do banheiro do apartamento da família na Rua General Artigas. Em entrevista ao "Fantástico", o treinador do Fluminense falou pela primeira vez sobre a morte de John John, apelido no qual o garoto era chamado pelos familiares.

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Questionado como vem encarando o difícil momento, Abel Braga afirmou que enfrenta "com verdade, com realidade. Em alguns momentos desabo, quando estou só", disse. "Toda noite, vem todo mundo. Você vai escutando histórias. No fundo, a gente pensava que ele era introvertido, que ele era retraído... A gente escuta as histórias e ele não era nada disso".

Quatro dias após a morte do filho, o técnico estava em Recife para o duelo contra o Sport. No estádio Adelmar da Costa Carvalho, Abel foi aplaudido pela torcida adversária mas neste último sábado (5), foi a vez de ser recebido pelos tricolores. " Abelão guerreiro ", gritavam os torcedores do Fluminense, que deixaram o treinador em lágrimas.

Sobre a decisão de ter voltado a trabalhar com a equipe do Flu poucos dias após o ocorrido, o treinador afirmou: "Eu sou pai , cara. No fundo, eu sou o segundo pai de toda aquela equipe. São garotos, são meninos", disse Abel Braga.

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Acidente

"Ele caiu nu. A gente não sabe se foi na crise, ou se foi pós crise. Depois daqueles dez, 15 segundos depois da crise, você fica apagado e quatro, cinco minutos você não sabe quem é quem. O que você está fazendo, onde você está", explicou o técnico.

As crises epilépticas são manifestadas pela perda de consciência e podem ou não, ser acompanhadas de convulsões. No caso de João Pedro, a doença era controlada com remédios nos quais ele mesmo era o responsável em tomar. "Eram dois remédios de manhã, dois remédios a noite. Tomando o remédio, não teria crise", disse o pai.

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Os amigos e o filho mais velho, o ex-volante da Ponte Preta Fábio Braga, homenagearam John John . "Presente em pensamento", tatuaram no braço a última frase enviada por João, um dia antes do acidente. "A gente potencializa muito pequenos danos. Tudo o que eu vivi na minha vida hoje eu vi que foram pequenos danos. O pior drama, a pior dor, eu estou de pé", finalizou Abel Braga.

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