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Basquete
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Time de Jordan flerta com a pior campanha da história da NBA

Charlotte Bobcats é o saco de pancadas da atual temporada, com aproveitamento de apenas 12,5%

Giancarlo Giampietro, especial para o iG |

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Michael Jordan, lenda da NBA, é o proprietário do Charlotte Bobcats
Durante a complicada negociação do locaute da NBA, Michael Jeffrey Jordan, proprietário do Charlotte Bobcats, foi identificado como um dos líderes da facção linha-dura entre os donos dos clubes. Um grupo que, em prol de mudanças drásticas no sistema que rege a liga e de uma redução nos ganhos dos atletas, parecia disposto a sacrificar toda a temporada 2011-2012, não importando as graves consequências desta medida.

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No fim, os grupos se apaziguaram na última hora e a bola subiu. Com sua equipe afundada na última colocação do campeonato, porém, talvez a opção pelo cancelamento nunca tenha feito tanto sentido para Jordan - por mais que isso possa parecer um sacrilégio quando se fala do maior jogador de todos os tempos. Daquele que brigou com os diretores do Chicago Bulls para entrar em quadra, embora mal tivesse se recuperado de uma fratura no pé, e nunca os perdoou por ter seu desejo negado. Ou de quem superava um dia inteiro abalado por febre de mais de 38ºC para colocar o time perto de seu sexto título.

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Das 37 partidas que disputou, o Bobcats perdeu 31, com um aproveitamento de apenas 13,5%, flertando perigosamente com a pior marca da história da NBA, os 11% do Philadelphia 76ers de 1972-73 – com nove vitórias numa campanha completa de 82 partidas. Neste ano, devido ao locaute, os times vão disputar apenas 66 jogos. “Todo mundo quer fazer história, mas não deste modo. Ninguém quer ser esse pior time”, afirmou o ala Matt Carroll, em sua sétima temporada no clube.

O resultado obtido pelo Bobcats nesta temporada está muito abaixo daquilo a que o atleta Jordan se habituou ao longo de sua carreira pelo Chicago Bulls descontando aqui os últimos dois anos pelo Washington Wizards, quando voltou por uma segunda vez da aposentadoria, aos 40, longe de sua melhor forma. Em 13 anos pelo Bulls, o ala acumulou 695 vitórias em 1.066 partidas, aproveitamento de 65,1%. Como esse multicampeão, então, pode suportar agora tantos reveses?

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O Bobcats faz campanha irregular na NBA, o que desaponta Michael Jordan

“Michael Jordan é o homem mais competitivo com quem já convivi em toda a minha vida, e de longe. Diante disso, sei o quão difícil é, para ele, aguentar isso”, afirma o técnico Doug Collins, do atual time do 76ers, que trabalhou com Jordan no início de sua jornada pelo Bulls, entre 1986 e 89, e também em sua passagem tardia pelo Wizards, de 2001 a 2003. “Perder tantos jogos... Não consigo nem entender o que seja isso. Se você já perde dois ou três jogos nesta liga, você começa a sentir que não vai vencer nunca mais”.

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Desconstrução
Com um elenco muito jovem e de pouco brilho – nenhum de seus atletas foi jamais convocado para um All-Star Game ou para a seleção norte-americana –, o Charlotte Bobcats não tem apenas a pior campanha da temporada. Entre os 30 clubes inscritos, ele apresenta o pior ataque e a quarta pior defesa, numa combinação que também rende, claro, o pior saldo de pontos do campeonato: 14,3 negativos, bem atrás dos 8,9 negativos do Washington. É o maior déficit de um time desde a temporada 1970-71.

E ainda fica pior: a equipe dirigida pelo técnico Paul Silas, tricampeão da NBA nos tempos de ala-pivô nos anos 70, chegou a perder 16 partidas seguidas em um mês, entre 16 de janeiro e 15 de fevereiro, e soma 11 derrotas por mais de 20 pontos - a pior delas uma sacolada de 112 a 68 contra o Portland Trail Blazers.

E mais: Atletas da NBA se sentem traídos por Michael Jordan, diz jornal

A despeito desses números atordoantes, a diretoria do Bobcats assegura que Silas está com seu cargo seguro e que não há motivos para alarme. Os cartolas se esforçam ao máximo para dizer que o projeto que conta para o clube é o de longo prazo. “A temporada está indo em uma direção que talvez muitos de nós não houvéssemos previsto. Uma decepção, dá para dizer”, disse o vice-presidente de basquete Rod Higgins e um dos apadrinhados de Michael Jordan na diretoria do Bobcats. “Mas não podemos virar a próxima curva à direita de uma hora para a outra e esquecer o que temos feito”.

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Kevin Durant já jogou pelo Seattle, mas atualmente atua pelo Oklahoma City Thunders
Sobre o que eles fizeram recentemente: resolveram desconstruir o único elenco da história da franquia caçula da liga, fundada em 2004, a se classificar para a fase de playoffs - em 2009-10, com 44 vitórias. Não era o bastante, aparentemente. “Não queremos ficar no sétimo ou oitavo lugar. Queremos concorrer ao título”, afirmou Higgins.

Do quinteto titular daquele ano, apenas o francês Boris Diaw não precisou arrumar as malas. Por enquanto... O armador Raymond Felton foi liberado no mercado de agentes livres, enquanto os alas Stephen Jackson e Gerald Wallace e o pivô Tyson Chandler acabaram trocados. Trata-se de uma tática recorrente na liga: limpar terreno e se reformular por meio do recrutamento de novatos e da redução de sua folha salarial. O problema, no caso do Bobcats, foram suas escolhas, que contrariam as regras básicas de qualquer manual desse processo de auto-implosão.

Veja também: Postura de Jordan no locaute gera críticas dos atletas da NBA

Quando Chandler foi negociado com o Dallas Mavericks, ao lado do francês Alexis Ajinca, o time despachou dois jogadores que estavam no último ano de seus contratos, valendo US$ 14,1 milhões. Em troca, receberam os alas Carroll e Eduardo Nájera e o pivô Erick Dampier, que foi dispensado em seguida com um desconto. A longo prazo, porém, os salários dos dois alas ainda custariam US$ 17,1 milhões aos cofres de Jordan. Na verdade, o clube assumiu mais custos do que economizou.

No campeonato seguinte, Chandler reforçou a defesa da franquia texana de tal modo que, após seguidos anos de frustração nos mata-matas, o Mavs derrubou o poderoso e superfavorito Miami Heat nas finais e ganhou seu primeiro título. Por outro lado, os salários de Carroll e Nájera, que juntos não entram em quadra nem 20 minutos por partida, impedem uma reformulação mais acelerada em Charlotte.

Perder para crescer?
A gestão que o Bobcats decidiu adotar se espelha praticamente em tudo o que o Oklahoma City Thunder fez a partir de 2007, com a chegada de Sam Presti, um aprendiz de Gregg Popovich em San Antonio, para comandar a diretoria da equipe. A laureada franquia, ex-Seattle Supersonics, teve de tolerar dois anos de muitas derrotas até se reestruturar com jovens atletas vindos do “draft” – o processo de recrutamento de novatos da liga –, como o ala Kevin Durant e o armador Russell Westbrook, que tiveram tempo para se desenvolver e hoje estão no topo da Conferência Oeste.

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Tyson Chandler já foi reforço importante dos Bobcats

Não por acaso, no ano passado Jordan contratou Rick Cho, que era braço direito de Presti, como seu gerente geral, para auxiliar Higgins nas operações do clube. “Havíamos trocado Ray Allen e selecionado Durant e Jeff Green. As pessoas esquecem que vencemos apenas 20 jogos naquele ano. Tivemos uma sequência de 14 derrotas e uma de 11 derrotas. No ano seguinte, selecionamos Westbrook e vencemos só três dos primeiros 32 jogos. Terminamos com 23 vitórias e 59 derrotas. Aí voltamos ao ‘draft’ e selecionamos James Harden. Tem um processo inteiro, e não é um processo fácil”, afirmou Cho sobre a experiência em Oklahoma City. “Pânico é algo que não existe para nós”, assegurou Higgins.

Leia também: Novatos do Bobcats comentam voto de confiança de Michael Jordan

Os torcedores do Thunder realmente sofreram entre 2007 e 2009, mas não tanto assim como o do Bobcats neste ano. O clube teve um aproveitamento de 26,2% – o dobro. A presença de Kevin Durant também era um alívio. Eles sabiam que estavam diante de um astro de verdade, a peça mais difícil de se encontrar, em torno do qual sua diretoria poderia construir uma equipe de sucesso.

A franquia de Charlotte ainda está distante desse cenário. Em uma reunião durante a tortuosa série de 16 reveses, Jordan teve de admitir que o time não possui ainda o talento para competir para valer na liga. Desta forma, as exigências feitas a Paul Silas seriam apenas para ajudar no progresso dos atletas mais jovens e de garantir que a equipe vá se dedicar ao máximo, não importando o resultado final.

“De algum modo nós temos de construir via ‘draft’, mas também com agentes livres. Agora, será que eu posso estabelecer um prazo para que nosso time seja competitivo? Difícil dizer”, ponderou Jordan. “Queria vencer hoje, mas há certas coisas que você tem de levar em consideração. Isso significa que temos de apostar numa alta escolha do ‘draft’ deste ano e melhorar nossas chances perdendo muito? Não sei e tenho medo de admitir algo assim”.
 

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