Cuca conversa com experiente Lucas Veríssimo, principal nome da zaga santista
Raul Baretta/ Santos FC.
Cuca conversa com experiente Lucas Veríssimo, principal nome da zaga santista

O Santos viu cair por terra a invencibilidade de oito jogos e o embalo no Brasileirão ao levar dois gols nos acréscimos do Atlético-MG. Os lances fatais na Arena MRV ilustram um problema recorrente da equipe na temporada e que aparece como o principal obstáculo para a meta de conquistar uma vaga na Libertadores: a vulnerabilidade do sistema defensivo.

No gol de empate do Galo, marcado por Vitor Hugo, o goleiro Diógenes permitiu que a bola viajasse pela pequena área. Seis minutos depois, foi a vez de Lucas Veríssimo, principal nome da zaga, escorregar e deixar Thiago Borbas, livre, acertar um voleio para decretar a vitória atleticana. Apenas 25 dias antes, no mesmo estádio, a vaga nas semifinais da Sul-Americana escorreu dos dedos também por obra de erros defensivos, em particular em bolas aéreas.

A fragilidade defensiva é o ponto de desequilíbrio do Santos no Campeonato Brasileiro. Com 45 gols tomados em 30 jogos (média 1,5 por partida), o time tem a quinta pior defesa do campeonato – apenas Coritiba, Botafogo, Remo e Chapecoense têm números mais negativos. A sete pontos do G5, o Peixe poderia estar colado no quinto colocado Bahia não fossem vacilos persistentes do setor. No duelo direto contra o time de Rogério Ceni, no primeiro turno, na Arena Fonte Nova, vencia por 2 a 0 e permitiu o empate com outra falha de Diógenes e falha em cruzamento que permitiu gol de Willian José.

Último jogo do Santos sem levar gol foi em 9 de setembro

O Santos sofreu gol nos últimos seis jogos da temporada (cinco pelo Brasileirão e um na Sul-Americana). No período, a meta alvinegra foi vazada 12 vezes, resultando na alta média de dois por duelo. Após a eliminação do torneio continental, o titular Gabriel Brazão passou por uma cirurgia no ombro e Diógenes assumiu o posto. Embora tenha cometido falhas contra Remo e Atlético-MG, o jogador de 25 anos não pode ser apontado como o problema central. Afinal, ele foi o melhor em campo na vitória sobre o São Paulo com série de defesas difíceis e também fez boas intervenções diante do Flamengo.

“Falhamos geral. Escanteio cedido por Escobar, Vitor Hugo pega de chicote na bola e o goleiro não estava no raio de ação. Tomamos gol e isso já estava nos acréscimos. Depois, na bola seguinte, no fim, nós triangulamos e chutamos no contra-ataque, bem posicionados. Assim, em todos os momentos, fomos infelizes, escorregou (Lucas Veríssimo) em cruzamento que deveria ser evitado, tomamos um gol aos 97 minutos”, afirmou o técnico Cuca, atribuindo a derrota em Minas a erros diversos.

Mudanças frequentes na dupla de zaga dificultam tarefa de Cuca para ajustar o setor

Lesões e suspensões têm feito Cuca alterar com frequência a formação da zaga santista. Na vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-MG, em 9 de setembro, na Vila Belmiro, pela Sul-Americana, Luan Peres e Willian Arão foram os titulares. Essa foi a última vez que a equipe saiu de campo sem levar gols. Lucas Veríssimo, principal nome do setor, ficou fora por lesão.

Na sequência de seis partidas sendo vazado continuamente, Cuca primeiro manteve a mesma dupla – contra o Cruzeiro, montou uma linha de três com Igor Vinícius pela direita. Em seguida, foi de Veríssimo e Luan Peres contra o Remo. Por fim, Veríssimo e Arão atuaram nos três jogos mais recentes. No entanto, no início do jogo contra o Galo, no domingo (11), Arão sentiu lesão muscular e o técnico precisou lançar mão de Luan Peres.

Volante de origem, Willian Arão vem sendo o mais regular dos defensores do Santos. Agora, com o problema físico a previsão é de que o camisa 15 desfalque o Peixe por cerca de três semanas. Com isso, Cuca terá que lançar mão mais uma vez da dupla Veríssimo e Luan Peres, impedindo uma sequência maior na escalação.

Reforços e poder de decisão de Gabigol e Neymar “compensam” problema

Com um ataque que ficou bastante produtivo após a chegada de reforços do calibre de Arthur, Coutinho e Everton Cebolinha, associados à pontaria de Gabigol e o poder de decisão de Neymar, o Santos fez 19 gols nos últimos nove jogos. Graças a essa artilharia, o time divide com o Cruzeiro o posto de quinto melhor ataque e ainda sonha com a classificação para a Copa Libertadores. Por isso, o saldo de gols é de apenas um positivo justamente pelo desequilíbrio entre os setores (46 gols marcados e 45 sofridos).

A oito rodadas do fim, Cuca tem a missão de reduzir essa disparidade para acumular o máximo de pontos. Afinal, a depender do desfecho das outras competições, o sétimo ou até oitavo lugar podem dar vaga no torneio sul-americano. O Santos terá quatro jogos fora de casa (Fluminense, Bragantino, Coritiba e Vitória) e quatro na Vila Belmiro (Palmeiras, Bahia, Grêmio e Botafogo).

No domingo (18), diante do Fluminense, no Maracanã, o técnico contará com a volta de Neymar. Assim, o camisa 10 pode fazer dupla pela primeira vez com Philippe Coutinho. Os atacantes Everton Cebolinha e Gabigol também estarão à disposição na partida em que o Peixe tenta retomar o embalo que guindou a equipe da briga contra o rebaixamento postulante a vaga na Libertadores.

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