
O questionamento feito pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, sobre como o Flamengo vai pagar os R$ 315,6 milhões da contratação de Lucas Paquetá ajuda a dimensionar uma conta que vai muito além do meia. O clube tem compromissos de transferências que avançam pelos próximos anos e precisam ser considerados no planejamento financeiro da diretoria rubro-negra, atingido pela decisão do Governo em proibir as bets através de MP (Medida Provisória).
Afinal, segundo o balancete do primeiro semestre, o Flamengo terminou junho com R$ 614,5 milhões a pagar por transferências de jogadores. Desse total, R$ 312 milhões estavam previstos para o curto prazo, enquanto outros R$ 302,5 milhões correspondem a obrigações que serão quitadas a partir de 2027.
Flamengo ainda tem centenas de milhões a pagar
O valor das obrigações, porém, não representa sozinho o efeito financeiro das transferências. O clube também tinha valores a receber de outros clubes, referentes principalmente a negociações de jogadores. Em 30 de junho, eram R$ 310,5 milhões a receber, sendo R$ 177,2 milhões no curto prazo e R$ 133,4 milhões no longo prazo.
Na prática, portanto, havia uma diferença de aproximadamente R$ 304 milhões entre os valores a pagar e a receber. No curto prazo, o saldo negativo era de R$ 134,9 milhões. Para os compromissos a partir de 2027, a diferença chegava a R$ 169,2 milhões.
Entre as principais operações ainda pendentes estavam Lucas Paquetá, Samuel Lino, Emerson Royal, Jorge Carrascal, Carlos Alcaraz e Matías Viña. Ao fim do primeiro semestre, juntas, as seis negociações representavam cerca de R$ 465 milhões a pagar. Paquetá concentrava a maior parcela. Dos R$ 315,6 milhões da contratação, R$ 191 milhões ainda estavam pendentes em 30 de junho. Samuel Lino aparecia logo depois, com R$ 121,5 milhões restantes de uma operação que custou aproximadamente R$ 203 milhões.

Por Emerson Royal, o clube tinha R$ 47,2 milhões a pagar, enquanto Carrascal representava uma obrigação de R$ 36,7 milhões. Mesmo sem fazer mais parte do elenco, Alcaraz e Matías Viña ainda geravam compromissos de R$ 36,3 milhões e R$ 32,2 milhões, respectivamente.
A conta, porém, não se limita às contratações que já estavam refletidas no balancete de junho. O Flamengo acertou posteriormente as chegadas de Joaquín Freitas e Anthony Valencia, também com pagamentos parcelados ao longo dos próximos anos.
Receitas futuras entram no planejamento
O clube também projetava utilizar parte das receitas futuras do contrato com a Betano para honrar parcelas de contratações, segundo matéria desta terça (29/9) de “O Globo”. O acordo prevê R$ 268 milhões anuais para o Flamengo. A empresa, contudo, manifestou preocupação diante das mudanças no mercado de apostas e afirmou, em comunicado, que tomará “decisões no momento apropriado”.
O cenário coloca as receitas futuras no centro do planejamento. Afinal, o Flamengo não precisa apenas considerar quanto tem disponível para investir em uma janela, mas também quais compromissos das negociações realizadas anteriormente continuarão pressionando o caixa.
Até junho, o clube havia registrado contabilmente R$ 495,1 milhões em investimentos em transferências na temporada. Esse número, no entanto, não significa que todo o montante tenha saído imediatamente do caixa, já que as negociações são normalmente parceladas.

É justamente essa diferença entre o valor das contratações e o calendário de pagamentos que ajuda a explicar a discussão levantada por Bap. O Flamengo pode registrar uma operação no balanço em determinado ano, mas continuar desembolsando recursos por ela durante as temporadas seguintes.
Assim, a pergunta sobre como pagar Paquetá acaba sendo também uma questão sobre o conjunto de compromissos assumidos pelo clube. O tamanho da conta futura dependerá não apenas das novas contratações, mas também do cumprimento das receitas previstas e dos valores que o Flamengo ainda tem a receber de outras negociações.