
Os responsáveis pelo projeto SAFiel deram mais um passo nas tratativas para a transformação do modelo de gestão do Corinthians. Em carta enviada à diretoria alvinegra nesta segunda-feira (31), os empresários do grupo Invasão Fiel S.A. aceitaram formalmente a condição colocada pelo presidente Osmar Stabile e se comprometeram a estruturar a captação de recursos para quitar a dívida da Neo Química Arena junto à Caixa Econômica Federal, avaliada em R$ 642 milhões.
A manifestação oficial ocorre dias após o mandatário corintiano declarar publicamente que assinaria um documento vinculante caso o grupo viabilizasse o pagamento total do estádio. No documento, a SAFiel não garante o aporte imediato em caixa, mas sim o compromisso de estruturar o formato financeiro da quitação por meio de assessores jurídicos e de mercado.
Pauta mínima e tratativas com a Caixa
Para viabilizar a engenharia financeira, os idealizadores do projeto solicitaram uma reunião urgente com a cúpula do Parque São Jorge. Entre as demandas principais, o grupo pede autorização expressa para liderar as conversas diretamente com o banco estatal:
Ratificação mútua: Formalização por escrito dos termos apresentados pela presidência e aceitos pelo projeto;
Negociação direta com o banco: Autorização para que a SAFiel e seus assessores negociem a quitação ou reestruturação da dívida da Arena com a Caixa;
Cronograma estatutário: Alinhamento de prazos, etapas e responsabilidades para as alterações internas necessárias;
Minutas e documentos jurídicos: Elaboração de acordos de confidencialidade (NDA), memorandos de entendimento e termos definitivos para a transição.
Ritos estatutários e resistência política
Embora avance no plano de viabilidade financeira, o projeto de transformação societária não está previsto no estatuto social do Corinthians. Ciente das barreiras políticas internas, a SAFiel fez questão de reforçar no documento que não tentará queimar etapas e que se submeterá a todos os órgãos de controle do clube, incluindo Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal, Cori e a própria Assembleia Geral de sócios.
O tema, contudo, ainda enfrenta forte oposição de alas políticas do Parque São Jorge e de conselheiros influentes. Após uma primeira reunião marcada por questionamentos na semana anterior, a diretoria alvinegra ainda não se manifestou oficialmente sobre a proposta e o pedido de novo encontro formalizado pelo grupo.