Nas Olimpíadas de Paris, Martine Grael e Kahena Kunze vão em busca do terceiro ouro seguido
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Nas Olimpíadas de Paris, Martine Grael e Kahena Kunze vão em busca do terceiro ouro seguido

Um dos esportes que é sinônimo de medalhas para o Brasil em Olimpíadas é a vela. E duas atletas, em especial, vêm contribuindo para manter a modalidade entre as mais vitoriosas do país. Estamos falando de Kahena Kunze e Martine Grael, atuais bicampeãs olímpicas na classe 49erFX, e que lutarão pelo terceiro ouro seguido em Paris 2024.

Caso conquistem o lugar mais alto do pódio mais uma vez, Kahena e Martine entrarão definitivamente para a história do esporte nacional, protagonizando um feito inédito, já que não há nenhum atleta brasileiro que tenha sido tricampeão olímpico.

Em entrevista exclusiva ao iG Esporte, Kahena Kunze falou sobre esta marca histórica que pode ser alcançada, a preparação e os desafios para Paris 2024, as principais adversárias que a dupla terá pela frente e muito mais. Confira abaixo a entrevista com a bicampeã olímpica:

Conte um pouco sobre a diferença na preparação para os Jogos de Paris em comparação com o trabalho que foi feito para as Olimpíadas de Tóquio, levando em conta a pandemia de Covid-19 que o mundo atravessava há três anos.
"Sem dúvida a covid atrapalhou, mas não só para a gente. Atrapalhou todos os times, a gente não sabia o que ia acontecer no mundo. Mas acho que entre tudo o que aconteceu, a gente se preparou da melhor maneira possível. A gente se arriscou em comprar um voo e ir treinar nas Ilhas Canárias, onde não havia restrições de isolamento. Conseguimos realizar treinos muito importantes lá e, logo depois, controlar a ansiedade. A gente treinou pouco com as outras adversárias, já que vários campeonatos foram cancelados, então essa questão psicológica... a gente se preparou muito bem para a Olimpíada de Tóquio. E a gente teve a sorte também de ter, nos anos anteriores à pandemia, vivenciado um pouco a cultura japonesa, que é bem diferente do que a gente está acostumada. E isso, sem dúvida, trouxe vários aspectos importantes para termos ganhado o ouro".

"Acho que uma das principais diferenças entre Tóquio e a de Paris é a troca do material. Para quem não sabe, o que trocou foi o mastro, que ficou um pouquinho mais duro - o que atrapalha ou beneficia o rendimento de um atleta - e, depois, as velas eram transparentes e, agora, o material é 3DI, de carbono, que, teoricamente era para durar mais, mas, na prática, acho que está a mesma coisa. O barco ficou bem mais potente. Temos recursos, mas um peso extra é sempre bem-vindo".

Como bicampeãs olímpicas, vocês já fizeram história, mas se conquistarem o ouro em Paris, vocês irão protagonizar um feito que nenhum outro brasileiro conseguiu. Como vocês lidam com essa pressão?
"Sobre o terceiro ouro, eu tento nem parar para pensar nisso. Temos até um pouco da vantagem de não ter público em volta, então somos nós conosco mesmas lá no mar. E acho que já demonstramos o que precisávamos. Agora é curtir, velejar bem, dar o nosso melhor, e o resultado vem com o que a gente trabalhou e desenvolveu durante toda a campanha. Mas, sem dúvida, se parar para pensar no terceiro ouro, dá muita vontade. Tenho certeza que vou lutar muito por isso".

Dentre as adversárias que vocês terão nos Jogos de Paris, quais podem ser consideradas como as principais, e quais aspectos as credenciam como tal?
"Eu diria que tem cinco países muito na briga. As holandesas estão vindo bem fortes, sendo que a proeira, que faz a minha função, já fez a Olimpíada do Rio, é experiente, também fez a de Tóquio. E a timoneira é super raçuda, experiente também, bem jovem e talentosa na área de tática. E depois tem a suecas, que são uma tripulação de peso, que vem demonstrando que são super-rápidas e muito fortes. Além delas tem a experiência da Tamara (representando a Espanha), que já foi campeã olímpica, medalha de ouro em Londres. Tem as italianas que podem se destacar um pouco. A Inglaterra... Vão ser uns Jogos em que está tudo em aberto. Vão ser quatro dias de muita adaptação e saber manter o foco e cabeça no lugar".

Fale um pouco sobre a sua parceria com a Martine. Quando vocês começaram a competir juntas, quais os principais desafios que vocês enfrentaram e enfrentam na relação profissional e qual o segredo para manter a parceria saudável?
"Martine e eu já nos conhecemos há muito tempo, desde a classe optimist, que é onde você começa a velejar, apesar de que só nos juntamos quando tínhamos quase 18 anos, para competir na classe 420. E desde lá nós notamos uma boa química, acho que as duas queriam muito e isso é o principal. Não pode, na dupla, uma querer muito e a outra, não. Tem que acreditar e lutar até o final. E, além disso, tivemos uma grande oportunidade, porque a classe estava começando, então pegamos a classe do zero, fomos uma das primeiras a começar a velejar no barco, conhecer e se adaptar melhor. Isso deu um empurrão extra, os resultados foram vindo. É difícil manter amizade 100% em uma dupla que também é muito profissional. Então tivemos de lidar com altos e baixos, que toda dupla tem de lidar, e tem dias muito bons, tem dias ruins. Fomos aprendendo a amadurecer juntas. Fomos nos tornando mulheres e aprendendo uma com a outra, com certeza, e o que é o nosso grande diferencial é a nossa amizade. Nos entendemos muito bem, gostamos das mesmas coisas, mas, na tensão, tem que saber uma ceder e ouvir a outra".

Em comparação com as Olimpíadas de 2016 e 2020, Paris é a mais desafiadora?
"Sem dúvida, a Olimpíada de Paris tem sido a mais desafiadora. Na do Rio, éramos apenas meninas de 23 anos, tudo ou nada, tudo lindo e maravilhoso, Olimpíada em casa, todo mundo treinando com a gente. Foi um momento muito especial, e não tínhamos nada para perder. Nossa primeira Olimpíada, claro, um pouquinho de pressão por ser em casa, mas foi leve e muito aproveitada, porque treinamos muito. A de Tóquio já foi mais técnica. Pegamos a tática: Jogos Olímpicos, com toda parte psicológica, faz diferença. E agora, claro, com essa mudança de material, até encontrarmos um bom equipamento demorou um pouco. E você sempre tem que se reinventar para saber a melhor maneira de chegar no topo. E é muito difícil permanecer no topo muito tempo. Tem altos e baixos, e é aprender a sair dos baixos com o time forte. Além disso, a parte do time é muito importante. Passamos por alguns treinadores nessa campanha para Paris, que não foi o mesmo técnico de Rio e Tóquio. Sem dúvida, nós fomos pegando um pouco de experiência aqui e ali, mas não foram as melhores pessoas para estar no time. E hoje sim, no último tempo, conseguimos uma boa regulagem e nos entendermos um pouco melhor com o equipamento. Estamos bem satisfeitas com a velocidade. É manter o foco e a cabeça no lugar. Tem sido um desafio enorme e uma autocobrança para tentarmos uma medalha".

Bicampeãs olímpicas (podendo ser tri), campeãs mundiais, bicampeãs dos Jogos Pan-Americanos, dentre tantos outros títulos. Qual é o trabalho mental que vocês fazem para continuar com “fome” de conquistas? E existe algo que vocês não conquistaram e ainda querem conquistar, seja profissionalmente ou pessoalmente?
"A vela é um esporte muito complexo. Eu poderia viver da vela muitos e muitos anos, e nunca chegar a uma perfeição. Ainda tem muito o que aperfeiçoar e aprender, tanto de regulagem, quanto de manobra, então acho que isso que foi uma motivação para nós sempre seguirmos. Mesmo estando ali no topo, sempre tinha muita coisa para melhorar. E a vela, além da performance, tem que entender de meteorologia, de física, para saber a melhor maneira possível de funcionar o barco e os sistemas de barco. Ter um olho bom para saber qual a melhor vela para você, além do físico. Então, tem n maneiras de poder melhorar. Estamos num pedacinho de uma imensidão, e isso nos traz essa fome de querer sempre mais".

Veja abaixo galeria de fotos de Kahena Kunze e Martine Grael:

Martine Grael e Kahena Kunze Reprodução / Instagram
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