Kelvin Hoefler conquistou a prata para o Brasil no skate street
Foto: Jonne Roriz/COB
Kelvin Hoefler conquistou a prata para o Brasil no skate street

O skatista brasileiro Kelvin Hoefler conquistou, na madrugada deste domingo, a primeira medalha do Brasil na Olimpíada de Tóquio e, de quebra, figurou no primeiro pódio da História do skate em Jogos Olímpicos. Hoefler conquistou a medalha de prata no skate street masculino . O ouro ficou com Yuto Horigome, do Japão, e o bronze foi de Jagger Eaton (EUA). A história de Kelvin, sem dúvidas, é de superação.

(Veja abaixo galeria de fotos de Kelvin Hoefler)


O currículo de Kelvin fala por si só. Hexacampeão mundial, bicampeão do X-Games e considerado o principal nome do país na modalidade. Kelvin Hoefler, de 27 anos, entrou na pista do Ariake Sports Urban Park como atual número 4 do mundo, e saiu como medalhista olimpica. Uma curiosidade? Ele andou lesionado — no primeiro dia, caiu durante um treino e machucou as costelas e as mãos. Mesmo assim, continuou em Tóquio.

Antes de se tornar um dos melhores skatistas do mundo na categoria street, Kelvin tentou praticar outros dois esportes: surfe e futebol. Como ele não gostava de água fria, seu pai chegou a comprar uma roupa emborrachada para o filho surfar, mas o tamanho era maior. Entrou ar e água, Kelvin quase se afogou, ficou traumatizado e desistiu.

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Foi também incentivado pelo pai que ele começou a andar de skate, aos 8 anos, em uma pista improvisada dentro de casa, no Guarujá, litoral paulista: uma mini rampa com alguns obstáculos, que ia da cozinha até a garagem.

Aos 8 anos, Kelvin era a típica criança agitada, apaixonada por esportes. Ganhou um skate do pai e, como morava em uma rua de terra no Guarujá, no litoral paulista, não teve dúvidas: fez dos cômodos de casa sua pista de treinos. Praticando manobras na cozinha e atrapalhando a novela de sua mãe ("Ela ficava p... da vida quando eu passava de skate na frente da TV da sala"), o garoto foi levando a brincadeira a sério, vencendo pequenos campeonatos locais aqui e acolá, até decolar dentro do esporte.

As vitórias e títulos não se explicam apenas pelo talento do paulista. Desde o começo, Kelvin botou na cabeça que dedicação e disciplina seriam importantes, fugindo do estereótipo que muitas vezes ainda é traçado do skatista 'largado'. O pai, policial, ajudou um pouco a colocar ordem em casa.

- Nunca bebi, nunca fumei. Nem costumava andar com a galera. No skate ou você é 'lifestyle', fazendo vídeos e andando relaxado, ou é focado em competição, treina, tem a hora certa de comer, de ir na academia. Eu me encaixo nesse segundo grupo - diz Kelvin, que garante que às vezes é olhado diferente pelos colegas.

No somatório geral, Kelvin Hoefler ficou com 36,15 na final olímpica - as três notas mais baixas de cada skatista eram descartadas. Horigome, que conquistou o ouro, terminou com 37,18, e Heaton teve 35,35.

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