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Escolas pelo Brasil devem promover atividades para crianças com deficiência. A ideia é a inclusão delas no esporte adaptado

Crianças no esporte adaptado
Divulgação
Crianças no esporte adaptado

A partir de agora, um dos principais papeis das escolas pelo Brasil é analisar o potencial das crianças com algum tipo de deficiência e ajudá-las a superar os obstáculos, superar as barreiras que as limitam na prática esportiva. E a Paralimpíada do Rio de Janeiro está aí para mostrar isso. 

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Um evento promovido pelo Unicef debateu a importância da prática esportiva para a inclusão, desenvolvimento e sociabilidade de crianças com deficiência. Um dos principais palestrantes foi o professor de educação física Antônio de Souza, da Escola Municipal Floriano Peixoto, do Rio de Janeiro.

Antônio de Souza contou que percebeu a necessidade de transformação das escolas, com a inclusão dos professores e dos pais de alunos com deficiência nas atividades.

“Eu era um desses que via a inclusão de uma forma que era, na verdade, uma exclusão. Com o conhecimento, a prática, vi a necessidade de transformação. Hoje já é um pouco diferente. Nós tínhamos uma escola com 13 graus de miopia e agora estamos de óculos. Mas ainda há muito o que melhorar. No início, a ideia era fazer um projeto para virar uma atividade, mas eu achei pouco e fizemos muito mais, fizemos várias atividades que pudessem ser desenvolvidas durante o ano todo, algumas criadas, algumas adaptadas e outras com as próprias crianças.”

Entre as atividades desenvolvidas na escola do professor estão o slackline - com uma corda guia para dar autoconfiança e autonomia para as crianças - e o futebol de pano, para incluir crianças com mobilidade reduzida. Nessa modalidade, o campo é um grande tecido verde com as linhas desenhadas com fita crepe. As crianças sentam em roda e seguram o pano pelas laterais, sacudindo o campo para que a bola atinja a área, quando é marcado o gol.

Felipebol e piquebia. Conhece?

Outra iniciativa apresentada no seminário foi o “felipebol”, uma prática criado pelo professor Luiz Gustavo Firmino, do colégio Padre Paulo Correia de Sá, também no Rio de Janeiro. A modalidade foi desenvolvida para incluir o aluno cadeirante Felipe nas aulas de educação física, nas quais ele ficava de lado, e hoje é reconhecida internacionalmente como prática inovadora.

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"Felipe ficava na cadeira de rodas e pedia para sair. Uma professora do grupo que fazia o curso disse que criaram o 'piquebia' para uma aluna que se arrastava no chão. Eu não sabia que em casa o Felipe se locomovia em quatro apoios. Então o felipebol é praticado em uma quadra lisa, todos precisam se locomover em quatro apoios como ele consegue. Quem levanta comete uma falta. Só o goleiro fica de pé, para incluir o Michel, que não consegue ficar em quatro apoios”, explicou Luiz Gustavo.

Rodrigo Mendes, diretor da escola onde Felipe estudava, disse que o projeto começou há quatro anos, junto com os preparativos do Brasil para os grandes eventos esportivos. Atualmente, está presente em 15 capitais do País, com 114 escolas, 458 educadores e mais de 50 mil pessoas envolvidas.

“É um curso prático que ajuda a identificar os facilitadores de desenvolvimento e principalmente as barreiras existentes dentro das escolas. Montamos o projeto para implementação ao longo do ano e já temos quatro anos nisso. Uma palavra, uma atitude, muda a percepção que as crianças têm sobre si mesmas".

Paratleta engajado

Participante do debate promovido pela Unicef, o paratleta britânico de halterofilismo Mick Yule disse que, depois das competições no Rio de Janeiro, ele percorrerá escolas de seu país para conversar com as crianças e mostrar que a deficiência não pode ser um impeditivo para seguir seus sonhos.

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"Espero poder ser uma inspiração para a próxima geração. Vou às escolas, converso com as crianças, tento encorajá-las a praticar esportes, porque os esportes podem mudar a vida de uma criança, ajuda elas a terem mais amigos e desenvolveram suas habilidades. Falar com as crianças é uma das melhores partes do meu trabalho".

O representante do Unicef no Brasil, Gary Stahl, lembrou que, enquanto 97% das crianças do Brasil estão na escola, entre as crianças com deficiência, esse percentual cai para 60%. Stahl destacou a importância do esporte para tornar a escola mais atrativa para esse público e para que essas crianças tenham a oportunidade de se desenvolver como as outras. "Nosso compromisso é para que todos possam brilhar".

*Com Agência Brasil