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"Representar o seu país é um sonho de todo atleta, e comigo não é diferente”, diz Bordignon que trocou o futebol pelo atletismo

Fabio da Silva Bordignon leva medalha de prata nos 100m T35 nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, no Estádio Olímpico
Fernando Frazão/Agência Brasil
Fabio da Silva Bordignon leva medalha de prata nos 100m T35 nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, no Estádio Olímpico

Fábio Bordignon viu-se em uma encruzilhada e precisou tomar uma difícil decisão há um ano. O então jogador de futebol de 7, que fez parte da equipe que terminou em quarto lugar nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012, tinha poucas chances de ser chamado para defender o Brasil no Rio de Janeiro. “Houve uma renovação. Eu me enquadrava nos padrões que eles pediam, mas não era convocado. Fui trabalhando para ter uma chance, mas ela não vinha. E eu fiquei um pouco triste de nunca terem me dito o porquê de não ser mais chamado” , admite.

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Ele precisava de uma alternativa para realizar a obsessão de competir praticamente em casa – Fábio nasceu em Duque de Caxias e hoje mora em São Gonçalo. “O que me fez decidir migrar do futebol de 7 para o atletismo foi o amor pelo meu país, pela camisa verde e amarela. Representar o seu país é um sonho de todo atleta, e comigo não é diferente” , atesta ele, que sofreu uma paralisia cerebral na hora do parto por falta de oxigenação no cérebro, que comprometeu os movimentos dos membros inferiores e do braço esquerdo.

O atletismo era uma possibilidade desde os tempos em que trocava passes e dava chutes no campo. “Eu sempre joguei futebol de 7, mas o técnico me via jogando e percebia que eu era um atleta muito rápido. E ele me chamava para fazer provas de velocidade, mas eu nunca tinha pensado seriamente nisso porque eu amo futebol e não queria largá-lo” , afirma.

“Foi uma transição muito dolorosa, um obstáculo enorme que eu tive que superar. Mas tive que fazer essa escolha por querer representar o Brasil aqui nos Jogos. Eu não sabia que eu tinha talento para ser velocista” . O talento de Fábio é tamanho que, mesmo competindo no atletismo há pouco mais de um ano, já chegou à uma medalha paralímpica: a prata nos 100m da classe T35, com tempo de 12s66. “Eu não esperava ter um resultado assim e muito menos ganhar medalha. Eu dei o meu melhor e fiz a melhor marca da minha vida. Foi uma prova perfeita” .

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Fábio agora assegura que passou a ser tão apaixonado pelo atletismo quanto é pelo futebol. “Eu não pude representar o Brasil pelo futebol, mas estou aqui no atletismo. Estarei na torcida para que o pessoal do futebol de 7, muitos deles meus companheiros na Paralimpíada passada, também ganhem medalha. E de preferência, de ouro” .

A primeira medalha paralímpica despertou em Fábio uma ânsia por chegar ainda mais longe. “A minha principal prova é os 100m e eu ainda estou aprendendo a correr os 200m também. Mas tenho semifinal dos 200m no domingo, e se Deus quiser, irei para a final na segunda. Tenho mais uma chance de medalha e quero buscar o ouro” . E se o atletismo surgiu na vida de Fábio como uma saída inesperada, ao colocar a prata no peito, veio a certeza: “No fim, acabei fazendo a escolha certa”.